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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

O Sargento Garcia

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publicado em 11/07/2020 às 07h00
atualizado em 10/07/2020 às 16h39
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Lembram do personagem? O tal sargento Garcia era rotundo, bigodudo, meio estúpido e comandava a tropa militar que perseguia o maior inimigo publico, o Zorro. Jamais conseguiram prender o Zorro, que ao final de cada capitulo deixava sua marca, um Z rasgado à espada, nos fundilhos das calças do Sargento Garcia. Ocorre que, enquanto não estava defendendo os fracos e oprimidos, o Zorro era o boa praça Dom Diego de La Vega, a quem o sargento Garcia dedicava amizade e confiança, e a quem ia queixar-se de suas costumeiras frustrações por não ter capturado o Zorro.

Ou seja, o maior amigo, o homem de confiança, era na verdade o bandido que azucrinava sua vida.

Agora me digam mesmo, quando nós elegemos um político que consideramos um amigo, em quem confiamos e de repente sabemos que ele está recebendo mensalão, vendendo seu voto, será que não somos todos um enorme exercito de sargentos Garcia?

Como evitar que periodicamente sejamos traídos pelos políticos que elegemos?

Esqueçamos os recursos eleitorais que mais interessam a outros políticos do que ao povo, ou seja, servem para trocar seis por meia dúzia.

Pensemos nos Estados Unidos, onde (dizem) existe um instrumento jurídico chamado recall. Aqui no Brasil a palavra significa troca de peça defeituosa. É comum vermos anúncios de fabricas de automóveis e até de remédios, chamando seus usuários para um recall, uma substituição de peças defeituosas. Seria bem o caso porque nada mais defeituoso do que um político salafrário, infame. Lá nos E. U. A., pelo que ouvi dizer, basta que um certo número de eleitores assine uma petição e que a mesma seja ajuizada para ser cassado o mandato do político. Claro que deve haver algum tipo de controle para evitar que os eleitores do PMDB de lá cassem o mandato de um político do PSDB de lá, por exemplo, dizendo-se seus eleitores.

No entanto, não há esse instrumento aqui no Brasil. Um prefeito ou vereador só pode ser cassado de duas maneiras; através de uma decisão judicial à qual o povo não tem acesso nem participação ou se for “impichado”. Mas aí entram os interesses mais escusos possíveis.

Assim, o que resta é tão somente guardar o momento certo para cassar o mandato dos políticos que decepcionaram; a próxima eleição. Vamos combinar o seguinte, desde logo tente lembrar em quem você votou na última eleição (por exemplo, para deputado federal). Difícil, né? Mas force um pouquinho a mente. Chegou? Pois bem, o que foi que esse deputado fez? Não, não, isso não vale; estou perguntando o que é que ele fez ou faz pelo povo. Aí está. Captou a mensagem? Pois na próxima eleição, quando você estiver naquela cabine indevassável, não se curve à amizade, esqueça a simpatia; afinal, que tipo de brasileiro é você? Lembre-se que o seu voto vai construir um prefeito ou vereador com sua cara.

Evite que sua cara, meu amigo, seja aquela rechonchuda cara embigodada do sargento Garcia, uma verdadeira cara de pamparra. Pior ainda, não deixe que esse político que você poderá eleger num momento de bobeira, passe quatro anos dando uma de Zorro e escrevendo em sua bunda a inicial dele.

Quanto a mim, todo mundo já sabe, vou obedecer à recomendação dos incompetentes que não sabendo lidar com a pandemia limitaram-se a pedir ao povo para ficar em casa, sem fazerem o que deveriam e nós precisávamos. Vou ficar em casa.

Não voto.

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