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João Medeiros é pediatra e presidente da Academia Paraibana de Medicina. E-mail: j.g.medeirosfilho@gmail.com

Vitamina D: mitos e verdades

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publicado em 02/07/2020 às 07h00
atualizado em 01/07/2020 às 16h50
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Foods rich in natural vitamin D. Balanced diet nutrition. Healthy eating concept.

Não fora o respaldo de um cientista da estatura de Michael Holick, professor da Universidade de Boston e da Tufts University, presidente do Programa de Pesquisa Humana da NASA, agraciado com mais de 30 prêmios, as virtudes da vitamina D – uma verdadeira panaceia – por ele propaladas seriam vistas com muito ceticismo.

Na verdade, a vitamina D, muito conhecida de todos por sua estreita relação com o raquitismo, se porta como um hormônio que age em diversas vias metabólicas. Hoje sabemos que existem receptores ( nome que está na moda) espalhados por todo o corpo, inclusive no cérebro, pelos nossos tecidos e células, além dos ossos, intestinos e rins, já conhecidos do passado.

No seu best-seller “Vitamina D – Como um Tratamento Tão Simples Pode Reverter Doenças Tão Importantes”, Holick assim resume os benefícios da vitamina: na saúde dos ossos, prevenindo a osteoporose, o raquitismo; nas células, evitando certos tipos de câncer( próstata, pâncreas, mama, ovário); nos órgãos, prevenindo doenças cardíacas, acidente vascular, diabetes tipo II; nos músculos, fortalecendo-os; no sistema autoimune, protegendo contra esclerose múltipla, doença de Crohn; no cérebro, minimizando a depressão, a esquizofrenia, Alzheimer e também as desordens do humor. Além disso, sua deficiência também é responsável por falta de apetite. Enfim, como se disse, uma verdadeira panaceia.

A fonte mais importante de vitamina D é a irradiação solar, o combustível para sua produção no corpo. Poucos são os alimentos ricos: óleo de peixe, cogumelos, alimentos enriquecidos, tais como o leite, o suco de laranja, o iogurte, alguns tipos de queijo e minerais. Por outro lado, a vitamina produzida na pele persiste duas vezes mais tempo na circulação do que a ingerida.Assim, a exposição ao sol é de suma importância para o ser humano.

Níveis sanguíneos acima de 30 ng/ml são normais, porém Holick considera saudável mantê-los entre 40 e 60 ng/ml, sendo que, concentrações superiores a 150 ng/ml são tidas como tóxicas.

Com o advento da pandemia do COVID-19, surge mais uma indicação: pesquisadores da Universidade de Turim divulgaram trabalho ( não publicado), sugerindo que a vitamina D teria papel importante na prevenção da doença causada pelo Sars-CoV-2. Outros estudos surgiram, porém, carecem de evidência científica consistente, embora se reconheça que a vitamina D colabora com a modulação do sistema imunológico.

Nesse contexto, a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda a sua suplementação , durante a quarentena, em indivíduos normais. Os estudos sobre o papel protetor da Vitamina D em relação a infecções respiratórias virais, revelaram eficácia apenas quando os pacientes apresentavam deficiência acentuada desse nutriente. Por outro lado, orienta-se a exposição solar de braços e pernas, por 15 minutos, diariamente, evitando-se o horário de maior incidência de raios ultravioleta B (UVB),ou seja, das 10 às 16 h, lembrando que 80 a 90 % de nossas reservas são provenientes dessa irradiação.

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