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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: kubipinheiro@yahoo.com.br

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publicado em 20/06/2020 às 07h00
atualizado em 20/06/2020 às 14h29
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Dizem que todas as histórias são histórias de amor, não é? Mas não é, não. Nem todas as cartas ridículas são de amor. Eu era um rapaz todo bem posto, era, e ficou assim quando cresci e conheci o amor. O amor é invisível. Um dia botei meus pés em Jerusalém, mas não é sobre o amor que eu quero escrever.

Os pais de meus amigos de infância tinham camionetas e meu pai era a festa. Isso dele ser a festa, me fez gostar mais da vida do que um pai que tivesse uma camioneta. Ele era guarda-fios dos Correios e me mostrou as montanhas de Monte Horebe. Nem precisávamos de uma camioneta…

Íamos no Misto (foto), uma espécie de “busão” que parava na calçada do Bar de Titico. Nele a gente viajava. Na vida a gente demora um tempo a lá chegar, e lá que eu digo é cá, que pode ser em Israel, no Cabo Branco ou no Rio de Janeiro, que eu acho a cidade mais que maravilhosa, mas eu não quero escrever sobre o Rio, que continua lindo, apesar da Covid.

O que eu sei, é que cedo ou tarde, a criatura mostra sua natureza. Na terça-feira, eu conto. Em Jericó, almoçamos num sobrado antigo e gargalhávamos, porque Jericó estava quente, (uma das cidades mais antigas do mundo) e tinhas umas moças de coxas roliças de dar água na boca. Adoro moças… me esperem amanhã.

Sim, as moças riam demais, certamente da minha cara e da cara do saudoso Wills Leal, este, dizia “aquela de burca preta está apaixonada por mim”. Qual? Eram uma três da tarde e ainda estava um calor dos diabos, quando entramos no Mar Morto. Como em todo canto, veio falar conosco uma senhora vendendo uma lama para passar no rosto, dizendo que rejuvenescia. Não lembro se isso foi em Jerusalém ou além.

Ninguém fica mais novo, disso tenho a certeza, ninguém está a ficar, principalmente nessa pandemia, que minha barba está “desse tamanho”. Um dia ganhamos, perdemos, dançamos, transamos, sonhamos e acordamos. Bom dia, bom dia!

Cada um arranja uma maneira de acomodar os seus desejos à sorte que teve, mas não somos os mesmos que os pais de Belchior. Jamais. “Eu não estou interessado, em nenhuma teoria”.
Somos todos mais ou menos parecidos com outras pessoas mais velhas do que nós. Eu ia dizer pais, mas não, parece que escolhemos ser diferentes deles, apenas para sermos parecidos. E não há outros. Ninguém está a ficar mais novo.

Lembramo-nos de músicas antigas e sorrimos para quem passava na rua, como se quisessem saber de nós, estas outras pessoas que têm as suas vidas, que têm os seus sonhos, que querem ser parecidas com os seus pais, mesmo, apenas sendo felizes ou infelizes, um pouco mais felizes ou ricas, podres de ricas. Essas pessoas, as que ainda são novas, as que terão tempo para pensar que não vão envelhecer, só talvez, noutra pandemia.

Dizem que todas as histórias são histórias de amor, não é? Deve haver uma boa razão para que isto subsista desta maneira. Deve haver. Não me perguntem. Esqueci o título do texto deste sábado. Acontece.

Kapetadas

1 – Ô coisinha tão bonitinha do (deixe o corretor completar)
2 – Vou comer uma torrada com manteiga de garrafa porque é o que me resta.
3 – Som na caixa: “Todo dia nessa estrada, no volante eu penso nela, já pintei no pára-choque, um coração e o nome dela”

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