João Pessoa, 08 de março de 2020 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
levantamento

Empreendedoras ganham 22% a menos por mês

Comentários: 0
publicado em 08/03/2020 ás 15h26

Apesar de terem um maior grau de escolaridade em relação aos homens, as mulheres empreendedoras ganham 22% menos, com rendimento mensal médio de R$ 1.831. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em que foi identificado que 37,5% concluíram uma pós-graduação, contra 15% dos homens. Na Paraíba, Cristina Heim e Tatiana Amaral, do Forúm das Mulheres de Negócios, encontraram na especialização uma forma de obter crescimento profissional e destacam que para empreender é preciso ter uma ‘veia’ de paixão pelo segmento.

Cristina e Tatiana têm uma coisa em comum: as duas descobriram que eram capazes de encontrar satisfação profissional e pessoal no empreendedorismo. Mas, antes disso, elas procuraram qualificação e especialização para obter crescimento.

Tatiana, que é instrutora de treinamentos de alta performance para executivos , tem um currículo extenso, mas acredita que ainda assim, é preciso continuar estar sempre buscando qualificação. Ela é graduada em Ciências Jurídicas e Sociais, especialista em Direito Civil e Processual Civil, especialista em Direito Tributário, cursou The Global Leadership and Management Program na Universidade da Califórnia.

“Penso que minhas decisões sempre ponderaram o quanto eu suportaria perder, para poder encarar um risco enquanto que uma visão mais ousada seria quanto eu queria ganhar. Pessoalmente nunca tive metas financeiras como motivação para empreender, mas sim o encanto pelo negócio ou atividade em si, e a crença de que a parte financeira sempre vem como resultado de um trabalho bem feito, ou melhor, feito com amor”, explicou Tatiana.

Já Cristina, graduada em Comunicação Social e Direito, com MBA em Gestão Empresarial, é idealizadora do projeto Guarde Bem e destaca que as mulheres precisam entender suas potencialidade, confiar no que fazem e não ter medo de errar. “Após um grande trabalho hoje acredito em mim, acredito que ainda tenho que evoluir muito, mas que posso assumir e realizar tudo o que eu quiser enquanto empreendedora. Nós mulheres precisamos entender nossas potencialidades, não ter medo de errar”, considerou.

A hora da virada – Após enfrentar um divórcio, ela destaca que começou a sentir a necessidade de uma reconstrução e descobriu que precisava empreender e se tornar uma grande profissional. A criação da Guarde Bem se tornou um ecossistema integrado de soluções para empreendedores que desejam otimizar espaços, reduzir custos, desenvolver relacionamentos e gerar novos negócios através de serviços de endereço fiscal e comercial, sala comercial, sala de reunião, coworking com espaço mobiliado e self storage na capital paraibana.

“A dificuldade para realizar meus sonhos e desejos foi quando eu ainda não tinha certeza do que queria, quando eu não sabia que eu era líder da minha vida e não poderia entregar a história da minha para ninguém”, pontuou.

Perfil da Mulher Empreendedora – Além do Sebrae, a Rede Mulher Empreendedora apresentou um relatório em que foi traçado o perfil da mulher empreendedora identificando que um dos principais desafios é gerenciar o tempo entre o trabalho e família. Já para os homens, o principal desafio é o acesso a recursos financeiros. Nos dois estudos é identificada uma desigualdade entre homens e mulheres, desafios, dificuldades e resistência dentro do empreendimento são fatores que as mulheres se vêem obrigada a adquirir para se manter no mercado.

Esse também foi o principal desafio de Tatiana que, habituada a trabalhar e estudar desde os 16 anos, aos 23 anos, após a primeira gravidez viu que precisava mudar. Ela decidiu ‘desacelerar’ para passar a maior parte do tempo se dedicando aos filhos e casa: “Foi uma escolha consciente, da qual nunca me arrependi, mas claro paguei um preço para entrar novamente no mercado e me atualizar tecnicamente depois de seis anos focando na minha família”, explicou a advogada.

Conciliar empresa e casa – Segundo os dados, as empreendedoras dedicam em média 30,8 horas por semana ao seu negócio já os homens conseguem 37,5 horas. Além disso, 79% das mulheres empreendedoras também realizam trabalho doméstico. Tatiana explica que com filhos maiores ela sente a diferença e mais conforto para dedicar mais horas ao trabalho.
“É realmente muito desafiador e, hoje, com meus filhos maiores e já bem encaminhados, me sinto mais confortável em dedicar ainda mais horas em trabalho, estudos, eventos sociais e viagens de trabalho”, explicou Tatiana.

Cristina explica que existem dois caminhos para evoluir e garante que, aos poucos, as mulheres ocuparão todos os espaços. “O grande empecilho da nossa vida está dentro de nós, resta escolher para onde vamos: se é pela ação ou pela paralisia. Acredito que nós mulheres já evoluímos muito e vamos ainda mais ocupar nossos espaços.”, finalizou.

MaisPB