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Especial 08 de março

A vitória da mulher na política e jornalismo

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publicado em 08/03/2020 às 17h00
atualizado em 09/03/2020 às 06h12
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Há dois anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projetou que do total da população paraibana 51,71% são mulheres. Maria, Carla, Thaís, Drielly, Ana, Caroline, Bruna, Letícia, Isabella, Rejane, Josefa, Antônia, Aparecida, Marta, Lívia, Sônia, Clara, Michelle, Aline. Se tivéssemos que citar os nomes de todas, seria algo quase impossível de caber no corpo dessa matéria.

Seja de João Pessoa a Cajazeiras, Campina Grande, cortando a BR-230 por Soledade, subindo para Picuí, passando por Monteiro, no frio de Areia, cada mulher tem sua importância. É delas que vêm o sustento e a força para carregar, de forma ágil e sensível, um estado de mais de 56 mil quilômetros quadrados.

Neste 8 de março, o Portal MaisPB escolheu cinco mulheres de destaque. A senadora Daniella Ribeiro (Progressistas), a deputada estadual Pollyana Dutra (PSB) e as jornalistas Karine Tenório, apresentadora da TV Tambaú, Sony Lacerda, diretora de jornalismo do Sistema Correio de Comunicação, e Marly Lúcio, sócia da empresa Múltipla Comunicação Integrada.

Primeira mulher senadora pela Paraíba 

Única mulher entre os postulantes a uma das duas vagas do Senado Federal na bancada da Paraíba em 2018, a então deputada Daniella Ribeiro (PP) trocou a reeleição “tranquila” para a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) pela possibilidade de vencer um dos outros seis candidatos.

Eleita e empossada, mais uma missão: liderar o Progressistas, partido que concentra as maiores cabeças pensantes do Congresso Nacional. “Isso foi um desafio à parte, além de tantos outros que enfrentei no dia a dia como senadora. Somos apenas 12 mulheres, em um universo predominantemente masculino. Para se ter ideia, só no ano de 2016, 55 anos após sua inauguração, o plenário do Senado recebeu um banheiro feminino”, disse a parlamentar.

Reunião entre Daniella Ribeiro e João Azevêdo – Foto: Rodrigo Nunes

Para a senadora, são vários os desafios diários para uma bancada minúscula diante do todo. Dos 81 parlamentares com mandato no Senado, apenas 12 são mulheres.  “Somos senadoras, deputadas, vereadoras, mas continuamos sendo mulheres, e com tantos outros desafios. Ao analisarmos a conjuntura, percebemos que é preciso uma mudança no comportamento masculino, para que a presença não continue a ser vista como uma exceção à regra”, pontuou.

Apesar da diferença de tamanho e proporcionalidade, Daniella comunga do pensamento de união entre as classes. “Mulheres precisam desse apoio dos homens não apenas na política como em várias outras áreas. Não acho que devemos defender a divisão, ao contrário, é preciso unir para fortalecer”, destacou.

Além de ser a primeira senadora eleita pela Paraíba, Daniella Ribeiro é a primeira parlamentar a presidir da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal. A posse ocorreu na semana passada.

Linha de frente da CCJ na Assembleia

Deputada Pollyana Dutra (Foto: divulgação/ALPB)

Exercendo o primeiro mandato na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), a ex-prefeita e médica veterinária Pollyana Dutra (PSB) ocupa desde o ano passado a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, colegiado responsável por analisar a constitucionalidade dos projetos em tramitação no legislativo estadual.

“Somos poucas em representatividade no parlamento. Aqui na Assembleia, de 36 cadeiras, somos cinco apenas. O importante é que são cinco mulheres plural. Cada um defende uma bandeira diferente, mas o que unifica é o fato de ser mulher. Quando tem pautas femininas, nós convergimos. É importante esse sentimento de unidade. Lutando por uma mulher lutamos por todas”, destacou.

Camila Toscano, Estela Bezerra, Pollyana Dutra, Paula Franssinete e Cida Ramos

Hoje deputada, Pollyana já foi prefeita de Pombal, no Sertão do Estado. “Foram muitas as dificuldades, não foi fácil. E eu não quero me vitimizar porque eu sou mulher. As dificuldades a gente enfrenta independente do sexo, em qualquer lugar. Onde há relações humanas, há conflitos. Há muitas dificuldades na política. Primeiro pela questão do preconceito, de ser mulher, jovem, de estar no sertão. Isso já é uma prova de resistência”, desabafou em entrevista ao Portal MaisPB.

Destaques na TV, no jornal impresso e na gestão 

Karine Tenório, Marly Lúcio e Sony Lacerda. Os nomes já conhecidos na imprensa paraibana. Mulheres jornalistas que trazem na veia a essência da comunicação.

No ar de segunda a sexta, almoçando com o telespectador, Karine Tenório encabeça o principal telejornal da TV Tambaú, afiliada do SBT em João Pessoa. Em aproximadamente uma hora, informa sobre os mais variados assuntos, indo do  policial ao esporte, passando pela política e o dia a dia do cidadão.

Foto: Reprodução/TV Tambáu

“Como jornalista, percebo que consegui desenvolver trabalhos que me diferenciam no mercado, justamente por ter um olhar diferenciado. Reportagens humanizadas, com sentimento, com empatia. Em 2018 me tornei a única mulher comandando um programa na hora do almoço na TV paraibana. Isso, certamente, garantiu à TV Tambaú um olhar diferenciado dos fatos apresentados na hora do almoço. Além de ser uma atitude de mercado que valoriza o poder e a participação da mulher em todos os papéis da sociedade e também da valorização profissional”, confidenciou em entrevista ao Portal MaisPB.

“Não gosto de pensar que a mulher está em oposição ao homem. Tipo guerra entre os sexos. Gosto de pensar que somos todos importantes para a construção do mundo que queremos. Enxergo pessoas, cada uma com seus pontos positivos e negativos, que muitas vezes, se complementam”, completou.

Sertaneja de Patos, Sony Lacerda já passou pelos principais veículos de comunicação da Paraíba, onde pode exercer as demais funções que a profissão de jornalista proporciona. Atualmente é diretora de jornalismo do Sistema Correio de Comunicação, o maior do Estado.

Diariamente assina uma coluna no Jornal Correio da Paraíba sobre política. Caminha com tranquilidade entre todos os lados do poder.

“O fato de ser mulher e trabalhar com política deveria ser ‘normal’. Para mim, é normal. É o que eu sei fazer e busco aprimorar ainda mais. Minha percepção sobre o que é fato. Mas em um mundo dominado por homens, deixando claro que as mulheres vêm ocupando espaços na área política, seja como política ou fazendo a cobertura da área, às vezes trabalho com a sensação de ter sempre que provar que sei fazer ou que faço melhor. O bom é conquistar respeito e confiança. Acho que o fato de conseguir ser mais ágil, direta e responsável. Eu tenho como meta de vida ser responsável, ter compromisso com minha ética e com o meu trabalho, e com o conteúdo que produzo. Como mulher e profissional me sinto realizada. Já escutei muitas ‘piadas’ machistas em relação ao meu trabalho, mas aprendi a filtrar e absorver apenas as críticas construtivas”, afirmou em entrevista ao MaisPB.

Marly Lúcio é jornalista com MBA em marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Na trajetória profissional já atuou em grandes jornais e na comunicação institucional. Foi secretária de Comunicação e de Ciência e Tecnologia de João Pessoa.

“O desafio de ser mulher no mercado profissional é diário. É como se diariamente você tivesse que provar que é capaz. No Jornalismo senti essa necessidade em várias oportunidades: do contato com a fonte, ate a relação com os colegas das redações e com os superiores. A situação fica mais latente quando uma mulher simplesmente é promovida. Quando ela vai batalhando e crescendo em seu campo profissional. Para muitos, isso não é possível, a não ser que ela tenha tido algum “caso” com alguém. Particularmente, eu sofri isso quando, à época de repórter no jornal impresso, mudei de editoria, quando passei a ser editora do caderno e depois, já atuando como assessora de imprensa, quando fui promovida à diretora e até quando assumi a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa. Esse juízo de valor não é pela sua postura ou conduta, mas sim pela dúvida em sua capacidade intelectual. É isso que está mascarado. É uma forma de dizer que ela, a mulher, não conseguiria por sua qualidade técnica, apenas “apelando” ao sexo”, destaca.

Hoje, Marly lidera ao lado da também jornalista Beth Torres a Múltipla Comunicação Integrada, uma das principais empresas de gerenciamento de imagem, conteúdo e comunicação do estado, atendendo a empresas, organizações, autoridades e políticos.

“Meu campo profissional é na assessoria de comunicação, na gestão de imagem e no gerenciamento de crises. Atuamos muito na área política e não raro, ouvimos: será que elas dão conta? Mas, mulher entende de política? Será que realmente tem sentido isso que dizem? Melhor perguntar a fulano. Nesse caso, a trincheira da batalha mudou, mas a luta para mostrar que os ganhos e as perdas da vida profissional são resultado daquilo que produzo, continua”, finalizou.

Nota do autor: finalizo a matéria prestando minha homenagem à minha mãe, Rejane Bezerra da Silva, a quem costumo me dirigir como minha base para ter força e coragem todos os dias. Registro também as mulheres que integram a equipe do Portal MaisPB. Em nome de Michelle Farias, que tão brilhantemente exerce o jornalismo diário. 

Wallison Bezerra – MaisPB

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