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Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Uninassau. Tem formação técnica em Rádio e TV pela FUNETEC, com atuação em veículos da Paraíba. Atua como colaborador em site de notícias nacional e também presta serviços de assessoria de comunicação.

O valor do voluntariado

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publicado em 12/01/2020 às 15h37
atualizado em 13/01/2020 às 09h19

Todos nós reclamamos diariamente das coisas que não andam bem na nossa cidade, estado e no Brasil. Até mesmo de situações em outros países e continentes. O que podemos fazer além de cobrar dos governos em todas as esferas? Podemos muito mais do que imaginamos.

Resolvi escrever nesta coluna, sobre uma experiência vivida na última sexta-feira (10). De férias com a família em João Pessoa, meu amigo argentino Nicolás Romero, perguntou-me sobre o voluntariado na nossa cidade. Na Argentina, ele participa ativamente de um trabalho com pessoas em situação de rua. Imediatamente, lembrei-me do belíssimo apostolado da Comunidade Católica Filhos da Misericórdia, localizada no bairro dos Ipês. Entrei em contato com alguns amigos membros e fomos conhecer in loco. A iniciativa da Pastoral que socorre as pessoas com refeições e higiene era familiar, mas apenas de passagem pelas ruas ou em reportagens de emissoras locais.

Café quente, pães devidamente preparados, suco de caju geladinho na garrafa; o motor da Kombi foi ligado e saímos aproximadamente às 20h pelas ruas da capital da Paraíba. Após abastecer o veículo, a primeira parada ocorreu na avenida Presidente Epitácio Pessoa. Dois moradores de rua gritaram e descemos para atendê-los. Rapidamente fomos ao encontro deles. Não demorou e mais pessoas apareceram para a refeição. Nesse ínterim, rezamos e além do alimento, levamos a palavra do nosso Senhor Jesus Cristo. Ouvimos também o que eles tinham a dizer sobre a vida e suas agruras. Todos nós seguimos carregando a nossa cruz.

A missão da noite, capitaneada por Dona Mazé, prosseguiu pelas ruas da nossa amada cidade. Da Epitácio Pessoa passamos para a Avenida Ministro José Américo de Almeida. Outro grupo estava nas proximidades da Primeira Igreja Batista. Paramos e a distribuição de sopa e quentinhas continuou, com um diálogo nutrido sempre pela fé e esperança. Não posso esquecer de um morador que mostrava orgulhoso as suas roupas limpas e as unhas bem cortadas.

Em seguida descemos até a Praça dos Três Poderes, outro grupo de pessoas estava a esperar. Fizemos parada na Rua Treze de Maio e nas proximidades da Caixa Econômica do Centro. Neste espaço encontramos muitas crianças que precisam de mais amparo e oportunidades.

É urgente uma ação mais efetiva do poder público? Sim. Contudo, diante da burocracia e demora nos trâmites legais para as ações que são levadas à cabo pelo Estado, nós cidadãos devemos buscar o voluntariado. O campo de atuação é amplo, e não precisa ser rico para ajudar. A sopa distribuída às sextas-feiras, por exemplo, é preparada por uma família voluntária. Vale registrar que alguns restaurantes ajudam com alimentos. Outras pessoas com roupas e artigos de higiene.

Que tenhamos um olhar mais afetuoso com as pessoas vulneráveis. Com um interesse verdadeiro pelo ser humano, além do eleitoreiro, muito comum para o período do calendário. Católicos, cristãos de outras denominações, espíritas; pessoas que não professam a fé, precisam estar unidas pelo bem comum.

O espírito de serviço do meu amigo argentino, me aproximou de um trabalho belíssimo realizado pela Comunidade Católica Filhos da Misericórdia. Façamos a diferença neste ano que começa. Procure a comunidade e ajude de alguma forma. Tem muita gente que precisa da nossa mão, da nossa palavra.

Agradeço ao amigo coordenador Bosco Gregório, à Dona Mazé, Lira, Isabella, Célia Lima, Amanda, Geane e todos que conduzem a Pastoral, pela acolhida fraterna.

Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de Boa Vontade!

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