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ACIDENTE

Operador de guindaste nega falha humana, diz defesa

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publicado em 04/12/2013 ás 12h41

 O operador de guindaste José Walter Joaquim, de 56 anos, negou em depoimento ter cometido qualquer falha que pudesse ter causado o acidente que deixou dois mortos nas obras do estádio do Corinthians, segundo o advogado Carlos Kauffmann. O operário relatou ter percebido o problema e tentado corrigir a situação antes do tombamento da peça e da máquina.

Joaquim foi ouvido por policiais do do 65º Distrito Policial, em Artur Alvim, na manhã quarta-feira (4). Ele conversou com os investigadores por aproximadamente duas horas na condição de testemunha.

O acidente ocorreu há uma semana. O guindaste operado por Joaquim e uma peça da cobertura da arena caíram na quarta-feira (27).

Segundo o advogado, Joaquim percebeu que havia algo errado no procedimento, que um acidente poderia ter ocorrido, e teria feito um alerta por rádio ao encarregado pela operação de içamento da peça. O advogado afirma que, em seu depoimento, o operador declarou que foi orientado a sair da máquina.

O operador cuidava do guindaste que suporta carga de até 1,5 mil toneladas. Ele içava uma peça de 420 toneladas quando a estrutura e a máquina tombaram sobre parte do estádio, atingindo o motorista Fábio Luiz Pereira, de 41 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 43. Eles trabalhavam para empresas terceirizadas. A construção do estádio está sendo conduzida pela parceria entre a Odebrecht e o Corinthians.

Segundo delegado Luiz Antonio da Cruz, titular do 65º Distrito Policial, o operador negou problema humano, mecânico e também no solo. Cruz disse que Joaquim afirmou não ter indicativo do que pode ter causado o acidente. Ainda segundo o delegado, Joaquim disse que durante quatro vezes tentou fazer manobras para evitar o acidente, mas não conseguiu impedir a queda.

Policiais ouvidos pela reportagem disseram que operador declarou em depoimento que o solo sobre o qual o guindaste estava apoiado apresentou problema.
Pessoas ligadas a Joaquim afirmaram que o operador chegou a comentar que o solo estava instável. De acordo com essas pessoas, que não quiseram se identificar, existe a possibilidade de o operador afirmar em seu depoimento que o solo cedeu, fazendo com que o equipamento e a peça tombassem.
Caixa-Preta

A “caixa-preta” do guindaste foi retirada na segunda-feira (2) pelos fabricantes do veículo e entregue à perícia da Polícia Técnico-Científica para análise. A informação foi confirmada pelo delegado titular do 65º Distrito Policial.

“O HD [disco rígido] do guindaste foi retirado pelos alemães fabricantes do veículo [Liebherr] e entregue para a perícia do IC [Instituto de Criminalística]”, disse o delegado Luiz Antonio da Cruz. No equipamento constam informações das operações realizadas pelo guindaste.

Além da Polícia Civil, peritos do IC da Polícia Técnico-Científica apuram o caso para descobrir, entre três hipóteses prováveis, se o que o ocorreu foi causado por falha humana (do operador do guindaste), mecânica (devido algum problema da máquina) ou do terreno (pela inconformidade do solo, que teria tombado o aparelho).

A perícia irá analisar os dados do guindaste modelo LR 11350, chamados pelos policiais de “caixa-preta”, para saber o que ocorreu na tarde da última quarta-feira (27). Também será periciado o vídeo que gravou o momento da queda da máquina.

De acordo com investigadores ouvidos pela equipe de reportagem, peritos deverão fazer uma cópia do disco computadorizado do guindaste para entregá-la aos representantes alemães da fabricante da máquina. Um aparelho na Alemanha poderia decodificar os dados armazenados.

O guindaste foi fabricado pela Liebherr Brasil, empresa de origem alemã. Apesar disso, a máquina pertence à Locar Transportes Técnicos e Guindastes Ltda, que disponibilizou o aparelho e o operador. As duas empresas não foram localizadas pelo G1 nesta terça para comentarem o assunto.

As obras no estádio do Corinthians foram retomadas na segunda-feira depois de um luto de cinco dias que interrompeu os trabalhos. Funcionários fizeram uma homenagem aos companheiros mortos: eles rezaram antes de iniciar os trabalhos.

G1

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