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Lula: Pedro afirma não ter comemorado prisão

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publicado em 11/04/2018 ás 12h47
atualizado em 11/04/2018 ás 14h06

O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) afirmou não ter comemorado a prisão do ex-presidente Lula (PT). No artigo ‘Pensar no Brasil’, publicado na edição desta quarta-feira do Correio da Paraíba, o tucano propõe uma reflexão e ressalta que não estamos acostumados com punições para crimes do colarinho branco.

“O que faz com que a gente celebre como crianças a punição que chega aos nossos adversários e repudie como um velhaco qualquer medida que mexa com os nossos. É o comportamento que legitima o mecanismo. A regra que vale para Eduardo Cunha não pode valer para Lula”, cita o parlamentar.

Confira na íntegra:

Pensar no Brasil

Não comemorei a prisão de Lula – não é o tipo de cena que me traz alegria. Também não penso que o cumprimento da decisão do juiz Sérgio Moro, confirmada por um tribunal de segunda instancia, seja um crime à democracia. Em uma democracia, o Judiciário funciona com independência e sem escolher quem deve cumprir a lei. O que fica cada vez mais óbvio é que nosso regime democrático precisa ir além da contagem de votos no dia da eleição para exigir mais dos seus governantes – de todos eles (e aqui me incluo). Precisamos de novos parâmetros para a gestão da coisa pública.

Para além dessa mudança de paradigma com o cuidado público, estamos pouco acostumados a ver o crime do colarinho branco não ficando impune. O que faz com que a gente celebre como crianças a punição que chega aos nossos adversários e repudie como um velhaco qualquer medida que mexa com os nossos. É o comportamento que legitima o mecanismo. A regra que vale para Eduardo Cunha não pode valer para Lula. A execução provisória da pena após condenação em segunda instância será ótima para punir Michel Temer, mas é inconstitucional para prender José Dirceu. Como são vários os lados, esse formato traz sempre algo trabalhando pela impunidade.

Formato que nos prende ao nosso atraso. Nos afeiçoamos à baderna, ao jeitinho, à exceção. Temos dificuldades de conviver com regras mais rígidas. A procuradora-geral da República denunciou o senador Aécio (PSDB). Posso eu, aqui, dizer que isso é uma sanha persecutória? Entendo que não. O momento é de partido político ter menos peso do que a mudança que tenta chegar.
Temos a obrigação de confrontar o sistema que está posto – maior feito da Operação Lava Jato. Temos a obrigação de entender que o que nos trouxe até aqui fracassou. Temos a obrigação de sair dessa cortina de fumaça, dessa disputa apaixonada, polarizada e tola. Temos a obrigação de pensar no Brasil.

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