João Pessoa, 13 de maio de 2014 | --ºC / --ºC
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Os três principais partidos que disputarão a Presidência da República em outubro (PT, PSDB e PSB) estimam gastar algo em torno de R$ 500 milhões com a campanha eleitoral, quase o dobro do que gastaram em 2010 (R$ 266 milhões). Se repetirem a estrutura de arrecadação de 2010, a maior parte desse dinheiro — de 70% a 90% — deve vir de empresas e grandes empreiteiras.
Em 2010, Dilma Rousseff (PT) arrecadou R$ 135 milhões, dos quais 92% com doações de empresas e apenas 8% com doações de pessoas físicas. José Serra (PSDB) arrecadou R$ 106 milhões, sendo 73% de doações de empresas e 27% de pessoas físicas. Já Marina Silva, então no PV, arrecadou R$ 24 milhões, dos quais apenas 36% junto a empresas — a maior parte do dinheiro da campanha veio do empresário Guilherme Leal, da Natura, que doou R$ 11,9 milhões. Agora, ela é pré-candidata a vice de Eduardo Campos (PSB).
Como as empresas bancam a maior parte das despesas com campanhas, os partidos estão preocupados com a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir a votação da medida que acaba com doações de empresas para os partidos. Todos torcem para que a medida não vigore para esta eleição, já que faltam apenas cinco meses para o pleito, e os partidos não teriam como arrumar alternativas para bancar os gastos milionários de uma campanha eleitoral.
Segundo o PSDB, o partido pode gastar pelo menos R$ 200 milhões. O PSB estima gasto de R$ 150 milhões. E o PT fala praticamente no mesmo valor que investiu em 2010 para eleger Dilma, algo em torno de R$ 150 milhões atualizados. O PT disse que, se o Supremo proibir doações de empresas para as campanhas, o partido vai apelar para o dinheiro dos militantes. Já PSB e PSDB esperam que a medida vigore apenas para eleições futuras, pois ninguém se programou para ter arrecadação alternativa. Dizem que há campanhas que já começaram a fazer contatos com doadores.
O STF já aprovou, por seis a um, o fim das doações de empresas para campanhas eleitorais em votação feita em 2 de abril, mas ainda não implementou a medida porque o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e suspendeu a sessão que homologaria a decisão. O processo ainda está com o ministro relator Luiz Fux e nem foi para as mãos de Gilmar. Ele não tem prazo para apresentar novamente o projeto ao plenário do STF. Mas a expectativa é que o faça até julho. O plenário do Supremo precisa concluir a votação e dizer se o fim das doações de empresas vale para esta eleição ou para as próximas.
Até agora, seis ministros já votaram a favor de proibir doações de empresas para campanhas eleitorais (Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Roberto Barroso, Dias Tofolli, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski). O ministro Teori Zavascki votou contra. Esse placar já garante a aprovação da matéria, embora ainda falte concluir o processo de votação e detalhar como a medida será implementada.
O PT concorda com a decisão do STF de acabar com o financiamento de empresas privadas às campanhas eleitorais, mas acha que os ministros devem estabelecer regras para o que deve se colocar no lugar.
O Globo
ELEIÇÕES 2026 - 27/04/2026