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EM SÃO PAULO

Campos negocia com Skaf, do PMDB de Temer, para ter palanque

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publicado em 16/05/2014 ás 08h47

Eduardo Campos deflagrou em São Paulo uma das mais inusitadas articulações da temporada eleitoral de 2014. Ainda sem palanque no maior colégio eleitoral do país, o presidenciável do PSB negocia uma coligação com Paulo Skaf, que disputa o governo paulista pelo PMDB, partido de Michel Temer, o candidato a vice na chapa reeleitoral de Dilma Rousseff.

Curiosamente, partiu de Skaf a iniciativa de propor a parceria. Coube ao publicitário Duda Mendonça, responsável pelo marketing da campanha do PMDB de São Paulo, fazer a ponte com Campos. Embora embrionária, a conversa já saiu do zero. Em privado, Campos contou a correligionários que Skaf se dispõe a ceder a vaga de vice em sua chapa para o PSB e a de senador para o PPS.

As tratativas com Skaf foram mencionadas por Campos em duas reuniões realizadas na quarta-feira, em Brasília. Primeiro, tratou do tema num almoço com parlamentares do PPS, entre eles o presidente da legenda, deputado Roberto Freire (SP). Participou do repasto a candidata a vice de Campos, Marina Silva, da Rede.

Durante o repasto, Campos declarou que o PSB passou a dispor de três alternativas de palanque em São Paulo. Numa, lançaria um candidato próprio: o deputado federal Márcio França. Noutra, aceitaria a oferta de Skaf. Na terceira, formalizaria uma coligação com o governador tucano Geraldo Alckmin, como deseja o PSB paulista. Marina prefere a candidatura própria, só que com um nome vinculado à sua Rede.

Horas depois, Campos voltaria a mencionar Skaf num jantar com uma dezena de congressistas do PMDB que tomam distância de Dilma e do PT nos seus respectivos Estados. Deu-se no apartamento funcional do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos. Além do anfitrião, lá estavam os senadores Pedro Simon (RS) e Ricardo Ferraço (ES); e os deputados Raul Henry (PE), Darcísio Perondi (RS), Osmar Terra (RS), Alceu Moreira (RS), Danilo Forte (CE), Geraldo Resende (MS) e Fábio Trad (MS). Foram à mesa também dois deputados do PSB: Márcio França (SP) e Beto Albuquerque (RS).

Vários dos peemedebistas presentes ao jantar haviam participado na tarde da mesma quarta-feira de uma reunião em que Michel Temer debatera com as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado e presidentes de diretórios estaduais do partido a renovação de sua aliança com Dilma. Os comensais de Jarbas reproduziram para Campos as críticas que fizeram que ao governo Dilma e ao PT no encontro partidário da tarde.

Foi nesse ambiente que Campos informou que passara a trabalhar com a hipótese de se entender com o Skaf em São Paulo. Não seria o primeiro acordo do PSB com o PMDB. Campos já se entendeu com o partido de Temer no Mato Grosso do Sul. Nesta quinta-feira, o deputado Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara e um dos coordenadores da campanha de Campos, selou um acordo com o PMDB do Rio Grande do Sul.

Por esse acordo, o PSB apoiará o candidato do PMDB ao governo gaúcho, José Ivo Sartori, que franqueará o seu palanque a Campos. E Beto Albuquerque vai compor a chapa como candidato ao Senado. Disputará a cadeira de Pedro Simon, 84 anos, que decidiu não concorrer a um quinto mandato de senador.

Quatro fatores diferenciam a negociação com Skaf das demais, tornando-a inusitada: 1) São Paulo é a base eleitoral de Temer; 2) depois da morte de Orestes Quércia, quem dá as cartas no PMDB paulista é Temer; 3) Skaf é um candidato consentido por Temer; 4) a presença de Campos, chamado de “traidor” pelo PT, no palanque do PMDB de Temer, no Estado de Temer, ao lado do candidato de Temer deixaria Dilma, a parceira de Temer, Rousseff da vida.

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