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CONTRA A COPA

Atingido por flecha em Brasília em protesto, PM diz: ‘Foi só um susto’

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publicado em 28/05/2014 ás 15h26

Atingido por uma flecha durante protesto contra a Copa do Mundo em Brasília, o cabo da Polícia Militar Kleber Ferreira, de 40 anos, classificou a situação como “só um susto”. Ele sofreu um corte de dois centímetros perto da virilha, foi atendido pelo Samu no local e depois fez um curativo em um hospital particular. O protesto reuniu cerca de 2,5 mil pessoas na área central da cidade e terminou em confronto entre a tropa e manifestantes.

“Nós ficamos no cordão de isolamento, e eles começaram a atirar pedras e flechas. Estávamos lá para proteger a Taça da Copa, não podíamos sair”, lembra. “[Depois de ser atingido] Meu pensamento era de não abandonar o local, de não deixar que conseguissem chegar ao troféu. Mas está tudo bem, estou bem. Foi só um susto mesmo.”

O cabo fazia parte da equipe da cavalaria que acompanhava o primeiro dia do Tour da Taça da Copa do Mundo em Brasília. O grupo foi surpreendido com chegada dos manifestantes, de pelo menos três ações diferentes: indígenas que protestavam contra mudanças na regra para demarcação de terras, familiares do auxiliar de serviços gerais que desapareceu há um ano após abordagem policial e movimentos sociais que criticavam os investimentos do governo com o Mundial.

Os atos começaram mais cedo no Congresso Nacional e na Rodoviária do Plano Piloto e se direcionaram para os arredores do estádio. Manifestantes chegaram a usar pedras e madeira de restos de obras da Torre de TV contra os militares. Em resposta, o Batalhão de Choque usou gás lacrimogêneo na tentativa de dispersar a multidão.

“Somos treinados para esse tipo de situação, então, passado o susto, fica a tranquilidade. Esperamos que não haja atrito nas próximas, mas sempre estamos prontos. O negócio é não guardar mágoa, agir com profissionalismo”, disse Ferreira. “Acho que meu preparo físico e a saúde ajudaram a ficar bem. Uma flecha pode matar.”

Apesar de ter sido flagrado, o índio que disparou a flecha contra o cabo não foi detido, segundo a PM. A Funai disse, porém, que desde 1988 os índios são responsáveis pelos seus atos e podem ser presos. A única restrição é com relação à prisão dentro de aldeia, que exige a presença da Polícia Federal, segundo a assessoria.

De volta ao trabalho nesta quarta, Ferreira disse estar preocupado com o cavalo que estava montando na ocasião, que levou flechadas e pedradas. O animal está recebendo cuidados e ainda não pôde voltar à ativa.

Protesto

O protesto contra a Copa em Brasília teve início por volta das 17h, quando integrantes de movimentos sociais se concentraram na Rodoviária do Plano Piloto para criticar os gastos públicos na Copa e reclamar de problemas nas áreas de habitação, saúde e educação.

O ato também reuniu familiares do auxiliar de serviços gerais Antônio de Araújo, que desapareceu no dia 27 de maio de 2013, após uma abordagem policial na cidade satélite de Planaltina, e os indígenas, que mais cedo haviam ocupado a marquise do Congresso Nacional.

Após a concentração no terminal, os manifestantes saíram em marcha pelo Eixo Monumental em direção ao Estádio Nacional Mané Garrincha. A Polícia Militar diz que os manifestantes aproveitaram madeiras e pedras de restos de obras na Feira da Torre de TV, ponto turístico que fica próximo ao estádio, para tentar agredir os policiais.

Na tentativa de evitar que o grupo se aproximasse da arena, os 900 policiais mobilizados para o protesto passaram a disparar bombas de gás lacrimogêneo.
O protesto ocorreu durante dia de visitação pública à Taça da Copa do Mundo, que encerra, em Brasília, um tour pelas cidades-sedes do evento da Fifa. O ex-jogador e tetracampeão mundial Bebeto participou da exposição no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. Alegando falta de segurança, a organização do evento fechou o acesso do público assim que os manifestantes começaram a entrar em confronto com a PM.

Responsável pela exposição no estádio, a Coca-Cola classificou as manifestações como parte do "processo democrático", mas lamentou que o protesto tenha impedido que centenas de pessoas conseguissem visitar a taça. A organização manteve a visitação desta quarta.

De acordo com o Conselho Indigenista de Missionários, dois índios também ficaram feridos com bombas de gás lacrimogêneo disparadas pelo Batalhão de Choque. A manifestação terminou com duas pessoas presas: uma desacato à autoridade e outra por dano ao patrimônio.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública, os policiais militares agiram “estritamente dentro do protocolo previsto em casos de manifestações”. A pasta disse que o ato foi contido no limite da área de visitação da Taça da Copa do Mundo e que preservou a integridade física dos participantes.

G1

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