João Pessoa, 01 de setembro de 2015 | --ºC / --ºC
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O morador de Rio Claro (SP) que oferecia R$ 300 por uma vaga de trabalho conseguiu um novo emprego, mas pelo próprio esforço, depois de enviar centenas de currículos na região. Aguinaldo Antunes, que perdeu o emprego de operador de máquinas há sete meses devido à crise, agora trabalha como operador de produção em uma marcenaria de móveis planejados.
Segundo Antunes, após fazer a parte dele, uma funcionária da empresa relatou a situação dele ao novo patrão. “Ela disse que não quer a recompensa, que falou de mim por boa vontade, de bom coração”, relatou.
Após o caso ser divulgado, Antunes relatou ter recebido ligações e mensagens pelo WhatsApp de cidades da região, além da capital paulista e de outros estados como Mato Grosso e Caxias do Sul. Um brasileiro que mora na França também o convidou para trabalhar em um frigorífico, mas o homem não ligou de volta para explicar as condições o desempregado ficou com receio.
De acordo com Antunes, alguns contatos propuseram que ele trabalhasse vomo representante de vendas em Rio Claro. Ele avaliou algumas propostas, mas persistiu na entrega de currículos. Chegou a fazer algumas entrevistas, mas não foi chamado. Frustrado, resolveu tirar do portão o cartaz com o anúncio da ‘recompensa’, mas não parou de buscar um emprego.
Quando foi despedido, Antunes investiu cerca de R$ 3,5 mil da rescisão em uma máquina de assar frangos. Ele comprava 30, em média, por R$ 14 cada um, temperava e os vendia por R$ 24 aos domingos na máquina instalada em frente a uma padaria no bairro. Em um bom dia ele conseguia lucrar até R$ 720, mas com a crise as vendas caíram.
Para juntar uns trocados, ele também passou a produzir e estampar camisetas, já que tem duas máquinas de costura. Comprava o pano por R$ 24 o quilo e conseguia montar até três peças, que vendia por R$ 20 cada.
Antunes mora em uma casa de dois cômodos em um quintal onde cria dois cães. De aluguel desembolsa R$ 400, R$ 120 de energia elétrica e cerca de R$ 35 de água. Atualmente, conta com a ajuda do irmão de 27 anos, que trabalha como carregador, para ajudar a pagar as contas.
G1
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