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punição no enamed

‘Má avaliação das faculdades de medicina não é novidade’, diz CRM

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publicado em 17/03/2026 ás 19h14
atualizado em 17/03/2026 ás 19h24
Presidente do CRM-PB, Bruno Leandro

O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, Bruno Leandro, disse, nesta terça-feira (17), em entrevista ao Programa Hora H, da Rede Mais e Rádio POP FM, que a má avaliação das faculdades privadas de Medicina do estado no Ministério da Educação não surpreende a entidade. O médico frisou que, se a responsabilidade de fiscalizar a formação dos profissionais fosse do CRM-PB, boa parte das instituições já teria sido fechada.

“A qualidade da formação médica sendo precária, para nós, não é nenhuma novidade. Já faz tempo que a gente vem batendo nessa tecla, solicitando mecanismos de controle. Quero deixar bem claro que não é do Conselho a responsabilidade de abrir ou fechar a escola médica. Porque se fosse de nossa vontade, não tinha tantas escolas abertas com tantas vagas sem estruturação necessária, sem oferecer o retorno de qualidade que a população merece”, avaliou o presidente.

Bruno Leandro explicou que o Conselho reivindica uma prova de proficiência para habilitar os médicos a exercer a profissão. Para o presidente do CRM-PB, as faculdades precisam prezar pela qualidade da formação, ao invés da quantidade de alunos matriculados, para formarem profissionais de qualidade.

“Quantidade não quer dizer qualidade, pelo contrário. Quanto mais você tem e não consegue dar estrutura mínima, mais mal formado vai ser esse médico. Portanto, a gente vê com bastante brilho nos olhos e ainda continua lutando, obviamente, pela prova de proficiência”, complementou Bruno.

Entenda

O Ministério da Educação (MEC) publicou, nesta terça-feira (17), a lista de instituições punidas por baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica. Na Paraíba, a Afya Faculdade de Ciências Médicas e a Faculdade Nova Esperança terão que reduzir em 25% o número de novos alunos de Medicina e estão impedidas de fechar contratos por meio de Financiamento Estudantil (Fies).

Além dessas medidas, as instituições não podem mais protocolar processos regulatórios para antecipar o aumento de vagas ofertadas e estão proibidas de participar de programas federais de acesso ao ensino.

As portarias fazem parte do primeiro processo de supervisão do desempenho das faculdades no Enamed. As punições e as avaliações foram realizadas pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) disse, em nota, que “manifesta preocupação com o conteúdo das portarias publicadas” e cobrou atenção do Ministério quanto “aos impactos no ambiente regulatório”.

Em nota, a Afya Faculdade esclareceu que foi surpreendida com as portarias, já que não obteve retorno com os recursos ingressados no MEC. E ainda, acrescentou que se sentiu prejudicada na avaliação por mudanças promovidas pelo Ministério após a aplicação da prova.

“Sem prejuízo das próximas etapas dessas supervisões, a prioridade da companhia já está direcionada para o Enamed 2026, com previsão de realização em setembro, na expectativa de que a Seres e o INEP contemplem no novo edital os ajustes metodológicos já apresentados nas interlocuções realizadas com as respectivas técnicas do MEC e do próprio INEP”, projetou a instituição.

O Portal MaisPB também entrou em contato com a Faculdade Nova Esperança, mas até o momento não obteve resposta.

MaisPB