João Pessoa, 25 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Poetas provisórios

Comentários: 0
publicado em 25/01/2026 ás 07h00
atualizado em 25/01/2026 ás 08h17

Em sua série “Pensamentos Provisórios”, publicados no feicibuqui, o critico literário, amigo do K das antigas Hildeberto Barbosa, botou quente na rapaziada que inventa de ser poeta, que escreve versos, contos de areias, bobinhos e publicam em livros e nas redes sociais. HB cita as categorias ou podemos chamá-las de patentes? Deixe que digam..

Em sua lista, os primeiros são os togados: “pior que os bacharéis que se querem poetas são os médicos, os engenheiros e os professores de literatura. Poesia não é receita, não é cálculo, muito menos didática ou teoria” Está certo o poeta ao se referir aos falsos poetas… Sim, mas não podemos esquecer os escritores brasileiros que foram médicos: João Guimarães Rosa, que reinventou a língua portuguesa em ´Grande Sertão: Veredas´, Moacyr Scliar, autor de ´O Centauro no Jardim´, que integrou medicina e literatura, além de Pedro Nava, um médico reumatologista que se destacou como escritor.

Há já muitos anos, quando galinha ainda não tinha criado dentes, desde que cheguei aqui na década de 1970, acima ou abaixo da linha do Ponto de Cem Réis, não era nada disto, não existia essa ruma de poetas.

Não havia tantos poetas e lançamentos como tem acontecido ultimamente – acho que o pós eletrochoque pandêmico, ou não se sabia dessa trupe pelas performances que chegavam dos microfones da Sala Preta do antigo DAC da UFPC, onde Perequeté arrasava sem precisar ser poeta, mas não quero tergiversar.

Sem se acreditar muito que não pudesse derreter os versos na fogueira das insanidades, mesmo à luz de velas e caravelas, hoje mais do que nunca é quase a mesma latomia, baça e difusa, a produção de poemas em novelos, emergindo os autores nas letras pousadas no peitoril, e só falta usar um crachá, mas tudo leva a crer que, no Ceará não disso não…

Como canta Gilberto Gil, “um dia rico, um dia pobre, um dia no poder, um dia chanceler, um dia sem comer, meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem você me ver”. Anote aí – não é fácil entrar sem ser notado.

Da janela de Januária virada para a noite preta da Lagoa do Parque Solon de Lucena, os poetas cujos nomes não foram citados por HB, representam um sacrifício, com a mesa vazia de inspirações e toda a gente sentada à sua volta, solene e circunspecta, pede bis. Deu a bexiga.

A ementa, pensando assim, não ajuda a quem madruga, como se já não houvesse mais tempo e tempo, como se dizia lá em nós, é ouro.
Noutra postagem da série ´Pensamentos Provisórios´, o critico literário vai mais fundo e manda recados para que ninguém mais peça a ele para fazer apresentação ou prefácio. Eu não dou conta nem posfácios.

“Escritor de verdade se basta sozinho. Dispensa a chancela de outrem. E para os medíocres, ou seja, para a enorme maioria que empesta a vida literária, suplico, encarecidamente, que me esqueçam. Estou velho, irritadiço, cada vez mais neurótico e intolerante. Gostaria de ficar comigo mesmo. Com meus erros, meus remorsos, minhas culpas, meus pesadelos. Não tenho mais tempo a perder, apesar de apreciar a gastronomia das perdas.”, resume HB

Isso do poeta dizer a gastronomia das perdas é sensacional, mas o que seria, uma cioba frita no Bar do Baiano ou a garoupa do Gulliver Mar? E se aquela senhora idosa que usa os colares de Agatha Christie, quiser um novo prefácio, não vai ser fácil, né HB?

Tiro e queda, o poeta mira, e salva a lavoura, ele mesmo, ao dizer que bebe todas as tardes com Tolstoi e Dostoievski, com Apolo e Dionísio e sob os bigodes vigilantes e malucos de Frédéric Nietzsche. Pois é, se não são evidentemente poetas, são provisórios, não sei se usam suspensórios, mas o melhor é dar no pira, dar no pé ou dar no mesmo, né? Parem de aperrear o nosso crítico HB.

O silencio é o fim do enterro.

Kapetadas

1-Quando vejo gente chata jurando que é legal, eu percebo como cada um enxerga aquilo que quer. Não adianta discutir com quem decidiu no que quer acreditar, ainda que seja algo absurdo.
2 – Lembre-se: A gente só é levado a sério quando para de pedir permissão para existir.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]