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Francisco Leite Duarte é Advogado tributarista, Auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), Professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, Mestre em Direito econômico, Doutor em direitos humanos e desenvolvimento e Escritor. Foi Prêmio estadual de educação fiscal ( 2019) e Prêmio Nacional de educação fiscal em 2016 e 2019. Tem várias publicações no Direito Tributário, com destaque para o seu Direito Tributário: Teoria e prática (Revista dos tribunais, já na 4 edição). Na Literatura publicou dois romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”. Publicou, igualmente, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias ( “Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas: “Nos tempos do capitão” …

Nos tempos do capitão

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publicado em 09/02/2024 às 07h00
atualizado em 08/02/2024 às 18h25

 

Há momentos que requerem das mentalidades progressistas atitude proativa e comprometida com os valores da democracia, com a boa energia das sociedades plurais e com o postulado da dignidade da pessoa humana.

Os últimos quatro anos no Brasil têm sido desses momentos. O governo Bolsonaro se fez na contramão da evolução civilizatória e envidou todos os esforços, para manter-se no poder, inclusive à custa da democracia. As ameaças foram quase diárias, e a institucionalidade foi cooptada a serviço dos projetos pessoais do presidente.

A Literatura pode e deve, naqueles pontos de tensão mais evidentes, colocar-se a serviço do processo civilizatório, sobretudo quando a democracia está em jogo. A crônica política, ainda que escrita em tom provocativo e irônico, pode ser um grande contributo a essa causa.

O ano de 2022 foi marcado por uma campanha eleitoral em que dois projetos de poder no Brasil, ao menos os mais bem posicionados, disputaram a mente dos eleitores. Posicionar-se pelo lado certo era (e continua sendo) dever de todas as pessoas sensatas e democratas. O lado certo é aquele comprometido com a democracia, com a inclusão social e com o respeito pela diversidade.

O livro reúne um conjunto de crônicas publicadas semanalmente no Portal Digital “Maispb” durante os anos de 2020/2022, todas com acentuada crítica ao bolsonarismo, à falta de política pública, ao negacionismo à Ciência, ao comportamento rude e preconceituoso contra as minorais, contra as pessoas pretas, contra as mulheres, contra as pessoas LGBTQIAP+ e à sua vocação antidemocrática.

São textos curtos, tecidos em uma linguagem escorreita, humorística, na maioria das vezes ácida, de tom debochado, não tendo, por isso, pretensões de atingir as camadas eruditas e refinadas da elite intelectual e seu labor acadêmico.

Escrevê-los não foi difícil. Difícil foi escolher, dentre tantos, o tema da semana. Jorravam assuntos, todos os dias, produzidos, no atacado, pelo presidente ou por autoridades do seu entorno, como se o país, durante essa governança, estivesse em uma distopia, tantos eram os destemperos dessa gente crua, iletrada, atormentada e comprometida, até o talo, com a desesperança, com o atraso, com a misoginia, com o preconceito, com a ignorância, com a prepotência, enfim, com um punhado de crenças e atitudes fora de qualquer que seja o ideal democrático de um país republicano.

Todas as crônicas aqui expostas foram escritas sobre alguma situação noticiada pela imprensa, daí não ser difícil, para quem acompanhou o noticiário nos anos 2020/2022, reconhecê-las com facilidade, mesmo porque quase todas portam o atributo da estranheza, do absurdo, do ridículo, muito próprios do jeito de governar dessa gente.

O intuito do livro é este: que o brasileiro relembre a encalacrada em que se meteu em 2018 e que, recordado, não embarque mais em projetos autoritários de poder. Ah, e também para sorrir um pouquinho, afinal nem todo mundo é “imbrochável” para essas coisas do destempero.

A última crônica foi escrita duas semanas antes das eleições, que se realizaram em 2 de outubro de 2022. Chama-se “O futuro do Brasil”, muito embora, àquela data, estivéssemos muito temerosos do que ocorreria com o nosso país, caso o projeto da extrema direita ― seja pelo resultado das eleições, seja por um golpe às instituições democráticas ― lograsse êxito.

Se você está lendo este livro, é porque o país não sucumbiu ao autoritarismo, retomou a normalidade democrática, impediu o avanço do fascismo sobre as instituições, aderiu ao compromisso constitucional de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, promotora do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação sob o pálio de um estado democrático de direito.

Este é o motivo pelo qual a primeira crônica que, por ordem cronológica dos acontecimentos seria a última, se chama “Todas as tempestades passam”:

“Todas as tempestades são passageiras. Quando as tempestades dizem adeus, um novo estado exige soluções necessárias e firmes. Deixar no passado a arrogância e a truculência; recompor as legalidades das trovoadas malsucedidas; pôr a ordem no caminho da democracia vilipendiada; auscultar o pulsar das necessidades mais prementes e reconstruir a nação sob o império da boa vontade e da compreensão.”

Disponível na Amazon: Nos Tempos do Capitão | Amazon.com.br

@franciscoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB