João Pessoa, 20 de outubro de 2023 | --ºC / --ºC
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No diálogo entre a raposa e o pequeno príncipe, no livro de Saint-Exupéry, há uma sentença que nos remete à reflexão: “A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.” (SAINT-EXUPÉRY).
Para que as pessoas desfrutem de inclusão e de bom convívio, a comunicação é um item de suprema e crucial importância no campo das interações pessoais, interpessoais e profissionais.
Compartilhar ideias e conhecimentos no universo da cultura, requer um certo poder de interpretação de ouvintes e leitores, entendimento amplo em relação aos diversos significados que cada palavra e gesto representam, além de sua conotação em cada região e povo.
Entretanto, é na linguagem que podem ocorrer uma série de interpretações equivocadas, pelas quais, são gerados inconvenientes, dissabores, desencontros e em alguns casos, tragédias.
Isso porque a transmissão da informação ou notícia está concebida em um contexto da semiótica (teoria geral das representações), cuja interpretação se dá através de um conjunto de signos que estão expressos em linguagem e em expressões não verbais, que devem ser reciprocamente codificadas e decodificadas, de modo que a mensagem desejada seja transmitida de modo exitoso e límpida. Mas, nem sempre é assim.
Para que uma determinada mensagem seja transparente e inteligível, as palavras ou os gestos precisam ser interpretados adequadamente.
Por isso há um adágio que diz: “Sou responsável pelo que eu digo, mas, não pelo que interpretam em relação ao que eu digo”.
A linguagem corporal, entretanto, tem se tornado mais conhecida e mais fácil de ser compreendida pelas decodificações amplamente já divulgadas. Mas, nem todos assimilaram ou se inteiraram quanto aos seus significados, permanecendo nas sombras em relação ao que as expressões corporais dizem e expressam com perfeição a respeito de intenções do emissor da mensagem nessa comunicação não verbal.
A narrativa através da linguagem, deveria ser um código transparente na comunidade local, dada a cultura e interpretações das palavras usualmente empregadas. Entretanto, compreender através da conversibilidade recíproca nos signos que integram os sistemas de significação, requer um tirocínio e uma imparcialidade que a emoção humana muitas vezes atrapalha, sabota e direciona para outros sentidos ou definições.
Durante a segunda grande guerra mundial, conta-se que os espiões ingleses eram pegos na Alemanha porque ao gesticular o número três (um, dois e três – 1, 2 e 3 – eins, zwei und drei), o faziam com os dedos indicador, médio e anelar, quando naquele país, essa contagem pelas mãos é feita a partir dos dedos polegar, indicador e médio.
Sem nenhuma dúvida, se percebe que o relato claro, cordial e amável abre portas, evita desentendimentos, alavanca negócios, estabiliza os afetos, as amizades e os laços familiares, por promover e manter um fluxo saudável no relacionamento entre os envolvidos.
Quando não há expressão evidente, gentil e adequada, os sistemas tendem a se fechar, as dúvidas passam a se multiplicar, assim como os equívocos começam a machucar aqueles que estiverem relacionados ao assunto tratado.
Um caso feliz de transmissão de uma mensagem ocorreu com Maria, a mãe do histórico Jesus, onde o Arcanjo Gabriel, informou em separado tudo o que era necessário fazer, tanto a Maria, quanto a José e aos tios de Maria, nas pessoas do Sacerdote Zacarias e sua esposa Isabel (mãe em idade avançada de João Batista, primo de Jesus, que foi quem o batizou no Rio Jordão). Esses tios de Maria a abrigaram sabendo da gravidez divina que carregava e todos os passos para proteger a vida dela e do bebê.
Por que seria essencial que essa mensagem chegasse o mais nítida possível às partes envolvidas nessa história? O Arcanjo Gabriel sabia que uma exposição compreensível a respeito desse evento seria fundamental às três partes interessadas nesse enredo, fato que salvaguardaria a vida de Maria e do Cristo em seu ventre. Isso porque, caso se divulgasse a gravidez antes do casamento com José, que naquela época era considerado crime da mulher, a sentença seria a morte da mulher por apedrejamento.
Dos episódios que conhecemos ou presenciamos diariamente, se infere que é essencial manter a linguagem clara, inequívoca, para que as relações e interações prosperem com fluidez e entendimento sadio entre as pessoas e as instituições.
Que cada pessoa possa entender que a internalização desses conceitos torna a vida mais prazerosa, tranquila e amistosa entre os seres humanos, evitando interpretações inadequadas que podem gerar desentendimentos e dissabores que poderiam ser evitados. Nisso há outro adágio: na dúvida, pergunte.
Esclarecer de modo civilizado ainda é a melhor opção para uma vida equilibrada.
BOLETIM DA REDAÇÃO - 01/04/2026