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Campinense recebe prêmio por pioneirismo em sistema da Justiça virtual

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publicado em 05/01/2023 ás 10h19
Foto: Divulgação/Espírito Público

Há 20 anos, o então estudante Leandro Lira cursava simultaneamente Direito e Ciências da Computação – o primeiro na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e o segundo na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) – quando teve uma ideia que uniria as duas carreiras: um sistema virtual para dinamizar o Poder Judiciário. Seu trabalho de conclusão de curso acabou se transformando em uma grande revolução para o judiciário brasileiro. Em 2004, com apenas 23 anos, apresentou o projeto que não só garantiu o seu diploma, como viria a se tornar o primeiro software do Brasil a implementar o processo virtual em larga escala, também conhecido como Processo Judicial Digital (Projudi).

Em 2006, Leandro cedeu os direitos do trabalho desenvolvido ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que o convidou para orientar a execução como assessor da instituição. E foi assim que começou sua trajetória no serviço público, onde está há 17 anos, agora como analista de Tecnologia da Informação concursado na Anatel. Nos anos seguintes, a medida se tornaria o primeiro software do tipo no Brasil implantado em larga escala em 20 estados como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte e Ceará, além do Distrito Federal.

“Foi bem desafiador, porque era não só a questão do desenvolvimento computacional, mas quebrar barreiras culturais”, conta Leandro. “Primeiro, porque tinha a resistência do próprio meio jurídico, que é muito tradicional, e nós não éramos funcionários de um Tribunal de Justiça, éramos estudantes. Precisamos romper barreiras, apresentar algo muito e convencer as pessoas disso. Construímos o Projudi de forma bem heroica.”

Por esse projeto, iniciado há duas décadas, Lira foi um dos vencedores da 5ª edição do Prêmio Espírito Público, que reconhece funcionários públicos que se dedicam a promover serviços de qualidade à população.

Graças ao sistema Projudi, o trâmite dos processos judiciais passaram a acontecer por meios eletrônicos, o que permitiu expandir a informatização dos cartórios e tribunais de Justiça do país e inspirou diversos órgãos a seguirem o mesmo caminho. Com a modernização e a diminuição dos volumes de papel, o sistema trouxe mais agilidade, eficiência e sustentabilidade ao meio jurídico. Mesmo após anos da implementação, a iniciativa segue trazendo benefícios e se atualizando diante das novas tecnologias. Se hoje ferramentas que fazem uso de Inteligência Artificial são utilizadas para dar vazão ao grande número de processos no país, ou o Judiciário não precisou parar suas atividades durante a pandemia de Covid-19, projetos como o Projudi tiveram grande influência nisso.

Trajetória

Filho caçula de uma família de seis filhos, Leandro Lira foi incentivado desde cedo a investir em educação. Natural de Campina Grande, ele encarou o desafio de cursar duas faculdades ao mesmo tempo, ainda que para isso tivesse que concluí-las em um ritmo mais lento. O Direito surgiu a partir da possibilidade de defender as pessoas, uma decisão se deu “muito mais pela causa do que pelo aspecto financeiro”. Já o interesse por Ciência da Computação ocorreu depois de acompanhar duas irmãs se qualificarem na área e perceber as suas infinitas possibilidades. Apesar de, à primeira vista, os dois campos parecerem distantes, Leandro buscou relacioná-los em quase todos os projetos que fez durante a graduação.

Sobre o Prêmio

O Prêmio Espírito Público nasceu, em 2018, como resposta a essa pergunta. Em um setor repleto de estigmas, sua existência revela a importância da mudança de pensamento sobre os profissionais públicos e suas trajetórias. Resultado da construção coletiva de diversas organizações, seu foco é reconhecer e prestigiar a atuação desses profissionais que trabalham diariamente com o propósito de transformar o serviço público e a sociedade.

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