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Marcos Sacramento lança novo disco

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publicado em 22/01/2022 às 11h46
atualizado em 22/01/2022 às 14h52
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Kubitschek Pinheiro MaisPB

Fotos – Aurélio Oliosi

“Caminho para o Samba” é o novo álbum de Marcos Sacramento com canções dele e letras do compositor português Tiago Torres da Silva que celebram a parceria mais do que Luso-Brasileira: é uma parceria Atlântica onde a língua portuguesa ganha sotaques diversos. Os dois avançam pelos mares.

O álbum foi gravado na casa de Sacramento, no Rio de Janeiro e lançado na última quinta-feira nas plataformas digitais. Luiz Flávio Alcofra, que produziu o trabalho, compreendeu bem esta simplicidade, mas tornou a obra de Marcos e Tiago mais precisa, mais brasileira e, ao mesmo tempo, bem portuguesa.

Capa do CD: Caminho para o Samba

O oitavo trabalho solo de Sacramento congrega amigos que emprestaram suas vozes em “Amor”, com gravações de Áurea Martins, da fadista Joana Amendoeira e do próprio Tiago Torres da Silva, que canta pela primeira vez. “Caminho para o Samba” já nasce internacional com estreia (presencial) em 23 de março no Coliseu dos Recreios, Lisboa, com Joana Amendoeira e Nuno Guerreiro, espetáculo contemplado no Ibermúsicas Internacional.

Marcos Sacramento é cantor, compositor e, há 12 anos, atua também no teatro musical brasileiro. Em mais de 30 anos de carreira lançou dezesseis álbuns, sendo oito solo e dez em duos com Soraya Ravenle, Luís Filipe de Lima, Clara Sandroni, Nilze Carvalho, Zé Paulo Becker e Carlos Fucs, além de dezessete participações em coletâneas.

Os dos artistas conversaram com o MaisPB e trazem essa novidade de um disco que já nasceu clássico. Confiram as entrevistas.

MaisPB – O ano passado você lançou um trabalho com vídeos “Crônicas do Apartamento” e agora chega “Caminhos para o samba”. Como se deu essa luz?

Marcos Sacramento- Bem, produzir, compor, gravar, fazer lives, tudo foi mesmo uma saída para que o caminho fosse iluminado pelo trabalho. No começo da pandemia foi essa a sensação, de que as luzes tinham se apagado. Fomos os primeiros a parar. Demorei um pouco pra entender como seria desenvolver trabalhos sem palcos, estúdios, etc, mas logo percebi que no escuro não ia dar pra ficar. Então, arregacei mangas e fiz o “Crônicas do apartamento 20” que é um álbum visual sobre a perplexidade que nos assaltou a todos. Uma maneira de exorcizar o trauma. As músicas com Tiago já estavam compostas, então chamei Luiz Flavio Alcofra pra fazermos o “Caminho para o Samba”, gravado na intimidade também do meu apartamento, simples, silencioso, confessional. E assim fez-se a luz.

MaisPB – Você e o português Tiago Torres da Silva misturam os sons, a cultura e deu tudo certo. Como se conheceram?

Marcos Sacramento – Sim, Tiago e eu misturamos tudo. Tiago é o português mais “brasuca” que eu já conheci. Tem muito trânsito pela cultura e pela música brasileira, parceiro de quase todo mundo por aqui. Nos conhecemos há 10 anos e começamos a parceria imediatamente. Então temos essa mistura de sotaques, de acentos, de percepções dos sentimentos, o Fado servindo de caminhos, de atalhos para o Samba e vice-versa.

MaisPB – Abre o disco com a canção “Amor”, que é um jogo de palavras intensas. Essa canção traz a voz de Áurea Martins. Vamos falar dessa maravilha

Marcos Sacramento – Vamos, mas devo dizer que a canção Amor se repete no Álbum também nas vozes da cantora portuguesa Joana Amendoeira e na do próprio Tiago, que estreia como cantor nesse álbum! Áurea nos deu a honra de participar do jogo. Somos muito amigos, ela e eu, e Tiago exigiu que o convite fosse feito. Áurea é uma Rainha.

MaisPB – A segunda faixa “Caminho para o Samba”, que dá nome ao disco, é um samba bem brasileiro, né?

Marcos Sacramento- Sim, é um samba né? E parafraseando Caetano em seu trabalho mais recente, “Sem Samba não dá”

MaisPB – “Avesso do destino”, a sexta faixa é a única não inédita gravada por Joana Amendoeira em seu disco “Muito Depois” em 2016, ou “Em forma de canção” – homenagem à cantora Simone com quem Tiago tem trabalhado bastante nos últimos tempos. E fala no arpoador, tão bela. Vamos falar dessa faixa?

Marcos Sacramento- Foi outra grande honra ter a nossa “Avesso do destino” gravada por Joana, foi uma enorme emoção. Não sou um compositor que tem o costume de mandar músicas para outros intérpretes, normalmente componho pra mim. Pro meu próprio repertório, rsrsrs. Mas as músicas estão aí né? Pra quem quiser cantar, gravar… E não podia ficar de fora do álbum. Em forma de canção é um presente para Simone. Ela já ouviu e adorou. A Cigarra merece.

MaisPB – “Menos Amor”, a quarta faixa, lembra as canções de Noel Rosa. Estou certo?

Marcos Sacramento – puxa! Nem me atrevo a concordar com você, mas influência é o que não falta. Noel foi o compositor que mais gravei na minha discografia.

MaisPB – Bom demais “Amor Joana Amendoeira”, é um fado diferente. Como aconteceu essa participação?

Marcos Sacramento – Essa ideia de “Amor” se repetiu ao longo do álbum, como uma vinheta misteriosa, com seus versos certeiros, foi de Tiago. Ele fez o convite para Joana e ficamos maravilhados por ela ter topado. Joana é uma cantora maravilhosa! Estamos muito bem de convidados. E a surpresa ainda maior de Tiago cantando, e cantando lindo.

MaisPB – O disco já estava pronto quando Luiz Flávio Alcofra chegou para abrilhantar?

Marcos Sacramento – Não, chamei Luiz Flavio Alcofra que vem trabalhando comigo nesses últimos 22 anos pra fazer os arranjos e gravar os violões. O álbum nasceu também das mãos dele e da produção musical de outro querido parceiro que é o engenheiro de som e também músico Daniel Vasques.

MaisPB – “Dias vazios”, a sétima faixa parece um crônica urbana, a vida de quem não tem amor não chega a ser nada, né?

Marcos Sacramento – Somos urbanos, o Fado, o Samba, são gêneros urbanos. Mas essa letra de Tiago tem a assinatura forte do estilo dele. Os dias “somem” para aqueles que não têm amor na vida. Isso é Tiago Torres da Silva, e eu assino embaixo.

MaisPB – “Assum de todas as cores” a 9ª faixa – é uma homenagem a Assum Preto de Luiz Gonzaga?

Marcos Sacramento – Assum preto é a inspiração, repare que aqui ele, o assum, ganha todas as cores, se assume, chama para a reflexão sobre a passagem do tempo, e embora não haja a palavra “Assum” na letra, note que ela se insinua no começo das duas estrofes. Assuma o Assunto.

MaisPB – “A criança de Lá” a 13ª faixa, nos leva para vários lugares, fala de tudo, sorvete, meninos, araribóias… fala ai dessa beleza?

Marcos Sacramento – Essa letra nasceu de um passeio a Niterói, minha cidade Natal. Fui mostrar as praias lindas de lá para Tiago e ele me apareceu com essa pérola onde o índio Temiminó Atariboia, fundador de Niterói, aparece como guia. É quase um sonho onde os nomes indígenas que batizam bairros e praias da cidade viessem nos despertar.

MaisPB – Se a Covid deixar você vai levar essa novidade para todos os cantos do Brasil e Portugal?

Marcos Sacramento – Mas é claro! E ela vai deixar. Aliás a estreia já está marcada e os ingressos já estão à venda. Vai ser no lindo Coliseu dos Recreios de Lisboa, 23 de março. De lá seguimos em turnê pela Europa.

Tiago Torres

MaisPB- Quanta beleza nessas letras, que o Marcos Sacramento gravou. De onde vem essa poesia?

Tiago Torres – Não sei te dizer. Só sei agradecer por ter tido a sorte de ter esse dom. E de não me levar muito a sério. Eu sou uma criança brincando com palavras. Meu trabalho é fazer-me desaparecer para que as palavras surjam plenas, imensas, generosas.

MaisPB – Como deu tão certo seus poemas, para esse “Caminho para o Samba”, na voz de Marcos Sacramento?

Tiago Torres – Sabe que o segredo das parcerias é a admiração. E quando eu comecei a escrever para o Sacramento já era muito fã dele. A gente fez outras canções para os discos “Autorretrato” e “Drago” e continuamos a compor durante esses últimos 10 anos. Ainda tem canções inéditas… estava na hora de celebrar essa parceria com um álbum. Aí está esse “caminho para o samba” de que tanto me orgulho.

MaisPB – Você mora no Brasil ou em Portugal?

Tiago Torres – Moro em Portugal mas até à pandemia todo ano passava longas temporadas no Brasil. É com muito orgulho que me tornei o letrista português mais gravado no Brasil. Ainda fico de lágrimas nos olhos quando penso que já ouvi minhas palavras na voz de gente tão incrível como Alaíde Costa, Alcione, Ana Costa, Célia, Chico César, Cida Moreira, Daniela Mercury, Edson Cordeiro, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Francis Hime, Joanna, Jussara Silveira, Leila Pinheiro, Lenine, Maria Bethânia, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Ney Matogrosso, Olívia Byington, Pedro Luís, Seu Jorge, Simone, Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, entre muitos outros. E ainda tive o privilégio de dirigir Bibi Ferreira. Pode?

MaisPB – Esse disco traz sua voz, na primeira faixa. Já tinha feito isso antes?

Tiago Torres – Nunca. Estou bem envergonhado. É a primeira vez que gravo uma canção. E tive a ajuda em estúdio da grande Joana Amendoeira. Ainda por cima gravo uma canção que também é cantada no disco pela Joana, pelo Sacramento e pela rainha Áurea Martins. Perco logo por comparação. Mas aceitei (aliás, a ideia foi minha) porque eu não tenho obrigação de cantar muito bem. Sou letrista, não cantor. Os cantores que gravam letras minhas e me pedem para eu cantar dizem que eu “entrego” a letra muito bem.

MaisPB – Como você vê a obra de novos artistas portugueses como Carminho, Salvador Sobral e Antônio Zambujo?

Tiago Torres – Carminho é deusa. Adoro o Salvador. Adoro o Zambujo. Mas em Portugal tem muita gente jovem fazendo música incrível. Adoro trabalhar com essa nova geração.

MaisPB- Você tem feito trabalhos para a cantora Simone?

Tiago Torres – Durante a pandemia, Simone fez uma live todos os domingos e nós trabalhámos juntos todos os dias para preparar essas lives que deram muito trabalho e muita alegria. Eu não posso nem dizer o que eu adoro a voz dessa mulher. Entra por dentro do meu coração de um jeito que eu fico completamente desfeito e refeito. Fizemos juntos uma canção: “Nua” que Simone estreou nas lives e que espero rapidamente vá ser lançada e conquiste o coração de todos os fãs da maravilhosa Cigarra.

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