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Francisco Leite Duarte é Mestre e Doutorando em Direito pela UFPB. É professor da Universidade Estadual da Paraíba, Jurista, Escritor, Palestrante e Auditor Fiscal. Prêmio nacional de educação fiscal 2016 e prêmio estadual e nacional de educação fiscal 2019. Na literatura, publicou o romance “O pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de Agosto” e uma coletânea de prosa poética (este em parceria com Cavichioli), chamada “Decifra-me ou te devorarei

Professor por vocação

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publicado em 17/09/2021 às 07h35
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Ainda não foi como desejávamos, mas minha essência humana sentiu uma alegria de mil tons. Discentes ali, na minha frente, olhos curiosos como os meus, ouvidos atentos, mentes fervilhando, matando a saudade das aulas presenciais. Eu e eles entendendo-nos, aprendendo uns com os outros, em uma dança riquíssima, ora de movimentos sutis, ora de passos gigantes, confirmando a necessidade dos bons encontros.

A potencialidade dos abraços em breve, a novidade compartilhada em tempo real. A vida humana precisa disso. Comunhão das experiências nesse (re)construir da humanidade, essa nota singular que nos deixa, assim, tão cheios de paz e regozijo.

Eu estava com tantas saudades da sala de aula, que sentia uma dor me corroendo por dentro, carcomendo as minhas forças, sugando minha humanidade e “professoridade”. Não, não é a mesma coisa.

Aula remota, EAD, nuvens de palavras, aula invertida e outras ferramentas a serviço da educação, tudo muito bem, mas podem ser feito dentro de uma sala de aula, de maneira presencial, olhar a alma do semelhante, enxergar suas tempestades, carências, animosidades, destempero e alegrias, não há palavras suficientes para descrever a sensação. Se a educação for tão somente técnica, mecanicista e outras miudezas da modernidade, eu desisto. Gente só aprende convivendo com gente.

Ainda não deu para ser como era antes da pandemia. Ficamos diante de dois grupos de observadores. Os que optaram pelas aulas presenciais nos olhavam curiosos, e nós, embasbacados, retribuíamos o encontro. É aluno! Carinhas feitas de bits que antes se diluíam nas telas dos computadores, eram, de fato, carne, osso e sentido de existência. “É ele! O professor de Chico Leite!”, outros diziam. E, lá do outro lado, os outros observadores, ainda em ensino remoto, também exigiam atenção.

No meio, nós, professores, dando nossos cangapés estrambóticos pela educação. É assim que somos. Só isso. Tudo isso. Parabéns, UNIESP! Estamos, devagarinho, reconstruindo a humanidade.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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