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Magistrado, colaborador do Diário de Pernambuco, leitor semiótico, vivendo num mundo de discos, livros e livre pensar. E-mail: adhailtonlacet123@gmail.com

Vivendo sem cabeça

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publicado em 22/07/2021 às 07h39
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Não são apenas os homens que perdem a cabeça pelos mais variados motivos: por paixão; por dinheiro; por forte emoção e até por condenação (basta lembrar a guilhotina). Porém, é impossível algum ser humano viver sem a cabeça acima dos ombros, literalmente decapitado. E os animais, também perdem a cabeça? Agindo por instinto, é possível que sim. Mas viveriam sem ela, a cabeça? É quase impossível. Verdade, quase, mas não impossível.

Pois existiu uma galinha que perdeu a cabeça, não necessariamente apaixonada por algum galo galanteador, mas decapitada pelo seu dono que pretendia degustá-la no almoço. Mesmo sem cabeça, a penosa ainda sobreviveu por mais de um ano.

Essa história, quase inverossímil, foi divulgada pelo site da BBC News, confiram a matéria: “Há 70 anos, um fazendeiro decapitou um frango no Colorado, Estados Unidos, mas uma coisa curiosa aconteceu: a ave ‘se recusou’ a morrer. Mike, como ficou conhecido o fatídico frango, sobreviveu por 18 meses e se tornou famoso. Mas como ele viveu sem a cabeça por tanto tempo?
Em 10 de setembro de 1945, Lloyd Olsen e sua esposa Clara estavam matando frangos na fazenda da família em Fruita, no Estado de Colorado.

“Eles chegaram ao fim do dia e um frango ainda estava vivo e andando para lá e para cá”, conta o bisneto do casal, Troy Waters, que também é um fazendeiro em Fruita. O frango saiu correndo e não parou mais. Eles o deixaram pela noite em uma caixa de maçãs e, quando Lloyd Olsen levantou na manhã seguinte, foi checar o que havia acontecido. “O maldito frango ainda estava vivo”, disse Waters.”Virou parte da história esquisita da nossa família”, conta Christa Waters, a esposa de Troy. Waters ouviu a história quando era pequeno, após seu bisavô ter ido morar na casa de sua família. Ele já não podia mais sair da cama e, como o quarto dele era logo ao lado do de Waters, o menino ouvia muitas histórias do velhinho antes de dormir.”Ele levou os restos do frango para vender no mercado de carne”, conta o bisneto.

“Pegou o frango decapitado – e, naquela época, ainda usava uma carroça como meio de transporte – levou-o na bagagem e começou a apostar com as pessoas que tinha um frango sem cabeça valendo uma cerveja ou alguma outra coisa.”

A conversa se espalhou pela cidade sobre o “milagroso frango sem cabeça”. O jornal local enviou um repórter para entrevistar Olsen e duas semanas depois, um produtor de um espetáculo chamado Hope Wade viajou quase 500km de Salt Lake City para encontrar o ‘dono do frango sem cabeça’. Ele tinha uma proposta simples: levar o frango para o espetáculo – e eles ganhariam um dinheiro com isso.

“Naquela época, década de 1940, eles tinham uma pequena fazenda e passavam dificuldades. Isso os motivou a aceitar a proposta”, explica Waters. Primeiro, eles visitaram Salt Lake City e a Universidade de Utah, onde o frango foi submetido a uma bateria de testes. Existem relatos de que cientistas da universidade removeram por meio de cirurgia as cabeças de vários outros frangos para verem se algum deles iria sobreviver. Foi aí que a revista Life Magazine descobriu a história de Mike, “o milagroso frango sem cabeça”, como chamou Hope Wade no espetáculo. Dali em diante, Lloyd, Clara e Mike rodaram os Estados Unidos.

Foram para Califórnia e Arizona, e Hope Wade levou Mike ao sudeste dos Estados Unidos, quando os Olsen tiveram de voltar para a fazenda para recolher a colheita. As viagens de Mike foram documentadas cuidadosamente por Clara em um caderno que Waters tem até hoje.

Depois das primeiras viagens, a família levou Mike a Phoenix, no Arizona, onde acabou de vez a sorte do frango, na primavera de 1947. “Foi ali que ele morreu, em Phoenix”, disse Waters. Eles costumavam alimentar Mike com comida líquida e água diretamente pelo esófago. Outra função vital com a qual eles o ajudavam era limpar o muco de sua garganta. Eles o alimentavam com um conta-gotas e limpavam sua garganta com uma seringa.

Na noite em que ele morreu, a família despertou com um ruído do animal, que parecia estar engasgado. Quando buscaram a seringa, eles se deram conta de que a haviam esquecido na feira e, antes que pudessem encontrar alternativa, Mike acabou morrendo sufocado”

Tal qual a personagem de Guimarães Rosa, Diadorim, Mike não era frango, e sim galinha.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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