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Entrevista exclusiva

Luana Carvalho lança “Segue o Baile” completo

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publicado em 20/02/2021 às 11h00
atualizado em 20/02/2021 às 15h51
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Foto: Jorge Bispo

Kubitschek Pinheiro – MaisPB 

Foto: Jorge Bispo

Essa é a segunda vez que cantora Luana Carvalho, filha da sambista Beth Carvalho, concede entrevista ao MaisPB. Saiu seu novo disco “Segue o Baile”  completo, um mergulho na obra de Beth Carvalho. Com produção de Kassin, colaboração de Vovô Bebê no violão e na guitarra, e participação de músicos como Pretinho da Serrinha. Todos dedicados ao projeto a distância.

O disco reúne novas leituras para sucessos do funk melody  carioca dos anos 90 e também composições autorais. Na adolescência, a artista frequentou muitos bailes funk, bailes da periferia e favelas do Rio.

Nessa quarentena que continua, Luana mexeu em seu baú e garimpou tanto músicas do repertório de sua mãe e de quebra, os funks que tanto embalaram uma época fundamental de sua vida. Daí uma ideia de duologia impregnada neste atual “Segue o Baile”.

No repertório, funks melody (divulgados previamente em gravações caseiras pelo Instagram) como “Rap do Solitário” e “Garota Nota 100” de Mc Marcinho e outros como “Está Escrito” assinado por Bob Rum, “Me Leva” sucesso do Latino, enquanto “Hoje”, de Jefferson Jr. e Umberto Tavares , foi gravado por Ludmilla.

Dentre as composições próprias, “Teta Sem Treta”, em parceria com a atriz Andreia Horta e “Mainha” trazem letras sobre doenças tão recorrentes como câncer de mama, enquanto o comportamento de sua classe social, racismo, feminismo estão em “Selfie”.

Nesse disco de ‘sonoridade acústica’, os músicos Kassin ( baixo acústico, programações), Dedê Silva (bateria e percussão), Pedro Sá (violão),  todos, elevam o talento de Luana Carvalho. “Segue o Baile” é a novidade e tem distribuição digital Altafonte Brasil.

Confira nossa conversa com a artista, que se diz “imensamente feliz”, comenta as canções e fecha com o Brasil, que permanece no mesmo pé, mesmo com a chegada lenta das vacinas.

MaisPB – “Segue o Baile” agora saiu completo. Está realizada em lançar um belo disco em plena pandemia?
Luana Carvalho – Estou imensamente feliz. Tanto com a repercussão positiva, quanto com a problematização que ele provoca.

MaisPB – A canção “Hoje” é uma injeção amorosa, bem provocante?
Luana Carvalho – ‘Pegar gostoso’ parece ser tudo que se quer agora, não?

MaisPB – A segunda faixa Selfie (sua)  parece um protesto. Estou certo? Nada de medo, né?
Luana Carvalho – Tá difícil não ter medo. Também difícil nos desarmarmos de preconceitos enraizados. Mas quero conseguir. Selfie é um convite a mim mesma e aos privilegiadas, como eu, para revermos nossas hipocrisias cotidianas.

MaisPB – Esse disco traz uma lembrança marcante dos tempos em que você bailes de periferia?
Luana Carvalho – Esse disco é minha homenagem à essa época da minha vida, sim. Minha forma afetiva de relembrar essas músicas. Uma proposta de um olhar mais poético para essas letras que acabam, por vezes, perdidas no magnetismo irresistível do batidão do funk. Bob Rum, por exemplo, compõe letras no nível de um Roberto Carlos, mas não é reconhecido como tal. Se eu puder contribuir para que algumas pessoas que não costumam ouvir funk possam reparar nesses artistas, já fico muito satisfeita.

MaisPB – Kassin toca baixo e produziu o disco. Um avanço a mais para seu trabalho né?
Luana Carvalho – Eu e Kassin somos bons juntos. Dois piscianos que se entendem muito bem em estúdio. Uma honra pra mim, sem dúvida!

MaisPB –  Entre as canções “Está escrito”, é bem amorosa, uma forma de querer o amor de volta?
Luana Carvalho  – Se ainda é amor, quem não quer de volta?

MaisPB –   O Coro – Leticia Pedroza, Murilo Santos, Erika Anjos, Junior Tavares e Suzana Santana, arrebentam né?
Luana Carvalho – Eles são – além de suas vozes, a melhor cama pro meu canto – meus consultores de problematização.

MaisPB  – A sétima faixa Garota Nota 100 é uma resposta ao tempo?
Luana Carvalho – Acho que a Nana Caymmi discordaria. Mas eu acho tão linda quanto.

MaisPB – Eu quero teta sem treta parece feito para sua mãe cantar?
Luana Carvalho – (Hahah, jura? É uma parceria pandêmica com Andreia Horta, surgida num telefonema em que falávamos de câncer de mama, e da violência provocada pelo desgoverno que estamos vivendo.

MaisPB  – “Oração” a oitava faixa é uma canção linda. Vamos falar dela?
Luana Carvalho – Sempre! É um xodó do disco. Pedro Bernardes tece imagens fortíssimas de uma realidade triste de Brasil. Kassin me mostrou e, apesar do desafio de cantar um rap, topei na hora!

MaisPB – A última faixa “Mainha” lembra uma prece. Fez para sua mãe?
Luana Carvalho – Fiz para uma grande amiga minha, comadre e irmã de barriga (gravidez), que descobriu um câncer de mama na pandemia. Mas pode ser de toda mãe do mundo.

MaisPB – Mesmo com a chegada da vacina, como você analisa a situação do Brasil?
Luana Carvalho – O Brasil se perdeu completamente. Só acredito na sabedoria das nossas crianças.

MaisPB

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