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Francisco Leite Duarte é Mestre e Doutorando em Direito pela UFPB. É professor da Universidade Estadual da Paraíba, Jurista, Escritor, Palestrante e Auditor Fiscal. Prêmio nacional de educação fiscal 2016 e prêmio estadual e nacional de educação fiscal 2019. Na literatura, publicou o romance “O pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de Agosto” e uma coletânea de prosa poética (este em parceria com Cavichioli), chamada “Decifra-me ou te devorarei

Cada morte pela Covid está dependurada nas costas de alguém

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publicado em 05/02/2021 às 06h19
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Eu nunca morri, menos ainda por asfixia. Nem há como imaginar essa morte para além de si mesma. Se esse tipo de morte vier por culpa de alguém, o mal disso extrapola a essência da crueldade e da torpeza.

As mortes pela Covid têm culpados sim: as instituições brasileiras e, por detrás delas, as pessoas que as presidem. Umas, por ação, outras, por omissão, senão por ambas as razões. O fato é que falta governo, para promover as ações necessárias, e sobra governo, para negar a doença.

Não, o STF não proibiu o governo federal de atuar. A culpa do STF é de outra natureza e tempo. Foi cúmplice de um movimento que culminou no impeachment de uma presidenta eleita, por algo de tamanho e motivação bem pequenos, se a comparação for com o que vemos acontecer no mais comezinho exercício do poder.

O Poder Legislativo, à época, compadrio do Poder Judiciário, foi tão pernicioso ao país como o STF e continua sendo, muito embora seja preferível ter essa coisa fedida chamada parlamento do que só ter um centro irradiador de poder. Ditadura, nunca mais!

Desde aquela época, a coisa azedou e ficou muito feia. Muita gente virou gado, vaca dadeira, boi enfezado, embrutecido e endoidado. Que a população que resistiu à transformação nesse animal ruminante tenha cuidado! Qualquer cabo de vassoura pode, de uma hora para outra, querer cutucar o rabo da democracia e colocar o país em uma distopia bem maior da que já vivemos.

Não há como confiar nessas pessoas que ocupam os altos escalões dos poderes. Elas são feitas de algo de outra natureza, um barro sinistro onde a vaidade alimenta as suas entranhas, transformando-as em bichos egoístas e torpes. O povo, não. É feito de barro verdadeiro, pisado e massacrado na argamassa da vida que lhe sopra agruras dia a dia. O povo está nu, eu sei, mas só o povo salva as democracias.

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