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João Medeiros é pediatra e presidente da Academia Paraibana de Medicina. E-mail: j.g.medeirosfilho@gmail.com

O dia do Médico

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publicado em 15/10/2020 às 08h08
atualizado em 15/10/2020 às 05h09
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Este é um dia muito especial para todos aqueles que exercem a Medicina com dedicação, amor e empatia em favor do seu semelhante. Nem mesmo os desafios do nosso dia a dia devem constituir motivo de desânimo, de arrefecimento do nosso entusiasmo, vez que praticamos aquilo que existe de mais nobre : cuidar do ser humano na sua integralidade, no contexto de seu bem-estar físico, mental e social, no entendimento mais amplo de Taylor Caldwell (foto), em Médicos de Homens e de Almas, e de J.B.Cronin, em A Cidadela.

Vivemos um momento ímpar, decerto nunca experimentado por nossa geração, a pandemia da COVID-19, desafio extraordinário para nós médicos, sobretudo para aqueles que estão na linha de proa de enfrentamento desse mal avassalador. Quantos médicos e profissionais da área de saúde não foram vitimizados, muitos com sacrifício da própria vida, no exercício da profissão? Penso que, neste dia, nossas atenções e preces devem se voltar para eles, que souberam honrar os preceitos hipocráticos ; decerto um paradigma para todas as gerações.

É momento também de refletirmos sobre os problemas enfrentados por nossa categoria: condições inadequadas de trabalho, superlotação das unidades de saúde e, não raro, precarização do trabalho médico, mazelas do serviço público frequentemente denunciadas pelas entidades médicas. É mister salientar, por outro lado, que houve um esforço grande dos gestores no combate à pandemia, o que assegurou à população o atendimento necessário , faça-se justiça, resultando em taxa de letalidade aceitável, boa disponibilidade de leitos de enfermaria e UTI, abolindo inteiramente o doloroso dilema da escolha de Sofia, vivenciado em estados mais ricos da federação.

Outro aspecto inquietante se refere à abertura indiscriminada de escolas médicas – que hoje já somam, pelo menos, 343 – sem atender critérios da necessidade social, mas, muitas vezes, por interesse meramente mercantilista.Preocupa-nos a qualidade dos egressos, porque sabemos que , não raro, as condições de ensino são insatisfatórias, sobretudo no que concerne ao cenário de prática. O País caminha hoje para uma população de cerca de 500.000 médicos, e brevemente estaremos diplomando 35.000 profissionais por ano. A distribuição dos médicos, no entanto, é heterogênea, com grande concentração de profissionais nas capitais e grandes cidades, problema que , se espera, possa se amenizado com a criação ano passado do programa Médicos pelo Brasil.

A união das entidades médicas, capitaneada pelo Conselho Federal de Medicina e com o apoio do Congresso Nacional, na defesa das ações de interesse da profissão, do seu exercício ético e seguro, em favor da sociedade deve ser nossa meta precípua.

E que ao final dessa nobre jornada que nos foi confiada, possamos repetir as palavras de São Paulo apóstolo: “Combati o bom combate, terminei a corrida e guardei a fé”.

*Pediatra e Presidente da Academia Paraibana de Medicina

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