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Paraibano lança e-book nacional com Serra de Desterro como cenário

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publicado em 14/08/2020 às 09h17
atualizado em 14/08/2020 às 12h53
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O escritor paraibano, Francisco Leite Duarte Brasil, conhecido por Chico Leite, está lançando mais um e-book klindle nacional, desta vez “O Pequeno David”, que sai pelo selo Editora Hibis e está à venda na Amazon por dez reais. Ele é mestre e tem doutorado em Direito pela UFPB. É Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, professor da Universidade Estadual da Paraíba, jurista e palestrante. Recebeu em 2016, o Prêmio nacional de educação fiscal e prêmio estadual e nacional de educação fiscal em 2019. Na literatura, além dos livros de literatura, Chico Leite tem vários contos em diversas coletâneas da Editora Oito e Meio e da Hibis Editora. Ele conversou com o MaisPB e revela detalhes do livro, cujo cenário é o sertão e traz uma história com cenas apavorantes, realismos fantásticos, mundos enlouquecidos, gargalhadas geral e muito mais. Leia a entrevista, depois o livro e descubra porque o Pequeno David está entre mais vendidos da Amazon.

MisPB – Esse é seu primeiro livro que sai pelo formato e-book Kindle?

Chico Leite – Não, não. Tenho um livro de Direito tributário (Direito tributário: teoria e prática), já na terceira edição. Saiu em meio físico e em e-book por uma das mais importantes editoras jurídicas do país, a editora Revista dos tribunais, do grupo Thomsom Reuters. Na área da literatura, em plena pandemia, lançamos dois livros. Uma coletânea de contos, chamada “Crimes de agosto” e uma coletânea de prosa poética, escrita com a escritora Lu Cavichioli, chamada “Decifra-me ou te devorarei”. Todos eles estão disponíveis na Amazon (amazom.com.br).

MaisPB – De que trata o romance Pequeno David?

Chico Leite – O pequeno Davi é um romance, uma história fascinante que tem com protagonista o Samuel Contte, um garoto inteligente e disposto a fazer qualquer sacrifício para proteger seus irmãos menorzinhos. Acho que quem melhor diz sobre “O pequeno Davi” é a sua sinopse ( Leia no final da entrevista)

MaisPB – Seu livro sai com o selo da Editora Hibis e só sairá online né?

Chico Leite – Todos os meus livros sairão em meio físico no ano que se aproxima. Isto só não aconteceu agora por força da pandemia do coronavirus-19. No entanto, ainda este ano, provavelmente, em outubro ou novembro, estarão saindo em meio físico, dois outros livros que estão em fase final de produção (já estão na editora): Um livro de memórias, onde contamos nossa primeira infância ao meio de várias histórias sobre o sertão, chamado “Os longos olhos da espera” (Editora Lura) e outro romance lindo, ambientado em João pessoa, chamado “A vovó é louca”, uma velhinha simpática e a frente do seu tempo, moradora do bairro de Jaguaribe, que, sabedora da traição do esposo, para vingar-se, vai a uma festa rave e só volta três dias depois. Este sairá pela Editora Oito e meio.

MaisPB – Em que lugar se passa a história, no Sertão?

Chico Leite – Ao pé da Serra do Desterro, no sítio Saco Sinhazinha, um povoado paraibano outrora pertencente à cidade de Uiraúna, hoje pertencente ao município de Joca Claudino, antigo Santarém. Acreditamos que a nossa aldeia é o maior referencial da nossa existência. Nessa época de modernidade líquida ( Zygmunt Bauman), cantar as nossas origens, vivê-las em nossos sentimentos, coloca-las como ambientação da nossa experiência literária é reconhecer a importância do particular, da localidade e da regionalidade, principalmente em um momento globalizante, massificador e detrator das individualidades e da suas singularidades. Essa marcação, nós chamamos de brasilidade, bem diferente de um nacionalismo ingênuo ou torpe que de tempos em tempos evoca suas maledicências e suas tentativas de desconstrução do que há de melhor na humanidade: a solidariedade.

MaisPB – A personagem principal Davi, tem 14 anos e que cresceu ouvindo histórias fantásticas de seu avô. São Historias dentro de histórias?

Chico Leite – Sim, esse é o ponto de partida. As histórias fabulosas contadas pelo avô do protagonista deram a Samuel Contte o gosto pelas palavras, uma imaginação além da conta, uma sabedoria intuitiva. Deixo aqui as impressões da escritora Marly Dias Hernandez Fernandes. Acho que ela resumiu muito bem meu livro – “O que dizer diante de uma obra tão bem escrita? A ambientação é perfeita. Aos poucos o autor vai nos colocando dentro da história, onde até conseguimos sentir o cheiro das rosas amarelo-enxofre, e ouvir o barulho do riacho Pé de Serra quando revolto. Os personagens vão se construindo aos poucos, tomando forma e se desenhando frente aos nossos olhos, assim como o enredo que passeia entre o lúdico, o terror e a comédia. Por se tratar de um narrador de apenas 14 anos, Samuel nos envolve com seus traços de personalidade idônea, e caráter altruísta. Suas estórias contadas de maneira tão verossímil, faz do narrador um verdadeiro contador de histórias, um storytelling genuíno. Seus irmãos, seu avô, sua mãe e seu pai, são personagens que induzem todo o enredo, pois vêm deles, principalmente de seu avô, a força motriz que o guia durante a sua aventura em um mundo repleto de medos, desajustes, e ao mesmo tempo duma riqueza de lições infinitas. O medo, a insegurança devido à deformidade que o limita, são outros pontos que dão ao enredo um toque especial. O pequeno Davi… garoto de olhos azuis brilhantes, esse deve ter aqui o seu brilhantismo explorado. Um bebê, que ainda gatinha, tomado pelo mal, é a representação da inocência que se perde, e Samuel, por seu caráter ilibado, luta ferozmente para trazer de volta a pureza necessária para que a vida se mantenha em equilíbrio. O final… a última frase do livro, esta sim! Esta nos mostra genuinamente quem é Samuel. E num misto de cenas apavorantes, realismos fantásticos, mundos alternativos, e riso, pois personagens inusitados e muito bem ambientados nos levam a isso, este livro vai deixar marcas em quem o ler. Um clássico de terror? De fantasia? De drama? Enfim… um clássico”.

MaisPB – Seu livro sai com o selo da Editora Hibis e só sairá online né?

Chico Leite – Todos os meus livros sairão em meio físico no ano que se aproxima. Isto só não aconteceu agora por força da pandemia do coronavirus-19. No entanto, ainda este ano, provavelmente, em outubro ou novembro, estarão saindo em meio físico, dois outros livros que estão em fase final de produção (Já estão na editora): Um livro de memórias, onde contamos nossa primeira infância ao meio de várias histórias sobre o sertão, chamado “Os longos olhos da espera” (Editora Lura) e outro romance lindo, ambientado em João pessoa, chamado “A vovó é louca”, uma velhinha simpática e a frente do seu tempo, moradora do bairro de Jaguaribe, que, sabedora da traição do esposo, para vingar-se, vai a uma festa rave e só volta três dias depois. Este sairá pela Editora Oito e meio.

MaisPB – Existem muitas pessoas do tempo livresco, que não gostam de ler livros online, mas hoje já temos um público gigantesco que já lendo livros em seus tabletes. Como o senhor analisa essa velocidade?

Chico Leite – Somos do tempo em que abrir o livro, sentir o seu cheiro, deslizar o dedo pelas suas folhas, ver a lombada nas nossas bibliotecas faz parte de um ritual que agrada as nossas almas. Essa boa relação com o livro físico nunca será esquecida ou abandonada. O livro físico é, ao meu ver, dono de uma perenidade que vai se estender por longo tempo. Mas também não tenho dúvidas: O e-book é uma realidade que se impôs, uma realidade que se estabeleceu no mercado editorial no mundo todo. Temos que conviver com essa nova forma de ler. Demais disso, a tecnologia tem fornecido um enorme arsenal tecnológico que, dia a dia, quase que imita a editoração física.

MaisPB – A personagem Samuel Contte é assustadora, agradaria também ao público juvenil?

Chico Leite – Não! O personagem Samuel é um garoto de um caráter fora do comum, uma inteligência rara, determinação, resiliência e um amor pelos irmãos que faz com que ele enfrente as maiores agruras e acontecimentos sinistros para defendê-los. Talvez eu não possa dizer a mesma coisa do pequeno Davi. Esse pode ser um monstro ou um garotinho de cabelos encaracolados, de olhos azuis de doer. Que mistério habita aquele garotinho que algumas vezes quer convencer o seu irmão a trocar a alma por um olho biônico que tudo ver? O aspecto tenebroso da história aliado a sua dimensão lúdica recomenda seguramente “O pequeno Davi” para os públicos juvenil e adulto, principalmente para aqueles que apreciam a literatura marcada pelo realismo mágico e o terror fantástico.

MaisPB – Quando despertou no professor Chico Leite a vontade de se tornar escritor?

Chico Leite – Desde que aprendi a ler tive vontade de contar histórias, talvez por influência de meu pai que, apesar de analfabeto, tinha como passatempo, contar os seus “causos” assombrosos e mirabolantes, ali sentado na sua rede na sala de estar, enquanto debulhávamos as bagens de feijão.

MaisPB – Como o senhor tem visto a situação do Brasil em meio a essa pandemia?

Chico Leite – A nossa situação é extremamente preocupante. Em verdade, sinto-me como se não acreditasse que tenhamos caído nessa encruzilhada. Acho que nem a mais autêntica história de horror representa a República brasileira nesse estado de torpor e maluquice, tudo sob os aplausos de uma massa acrítica, meia régua, mas comprometida com um conservadorismo tacanho, hipócrita e autoritário e que, esperançoso, estira os beiços contra os valores da democracia.

MaisPB – Por que o livro custa apenas dez reais?

Chico Leite – Porque é e-book. Não há gasto com papel, com impressão, com derrubada de árvores, com elementos clássicos da editoração física.

Sinopse

“Um garoto de quatorze anos que cresceu absorto pelas histórias mirabolantes de seu avô, se vê envolvido numa trama fabulosa e tenebrosa, quando sua mãe, assim como todos os moradores do seu povoado, desaparecem.
O velho casarão, à beira do Riacho Pé de Serra, e o pequeno Davi, guardam segredos, faces e disfarces que podem levar Samuel Contte a trocar sua alma por um olho biônico que tudo vê.
É nas cercanias desse córrego magrinho e barrigudo, nascido das biqueiras da Serra do Desterro, onde Samuel e seus irmãos enfrentarão situações perigosas, enigmáticas, curiosas que perpassam do horror à comédia, até que, de maneira inusitada, Samuel se depara com a verdade que permeia toda a trama.
Será que Samuel Contte venderá sua alma em troca do olho biônico que tudo vê? Será que o pequeno Davi é um monstro de verdade ou é apenas um garotinho com os cabelos loiros encaracolados, dono dos olhos mais azuis que água marinha, e que brilha como a lua cheia pelo amor infinito de Samuel?
Uma história que vai muito além das definições de gênero literário. Aqui, vários deles se encontram e se encaixam de forma perfeita, uma simbiose feliz de estilos que leva o leitor sentir arrepios na espinha, rir de situações adversas, viajar por mundos fantásticos e se emocionar, chegando às lágrimas. O Pequeno Davi é uma daquelas histórias que perpetuam as lembranças de quem o ler! ”

Kubitschek Pinheiro – MaisPB

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