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Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Uninassau. Tem formação técnica em Rádio e TV pela FUNETEC, com atuação em veículos da Paraíba. Atua como colaborador em site de notícias nacional e também presta serviços de assessoria de comunicação.

Greta Thunberg e a histeria ambientalista

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publicado em 13/12/2019 às 17h11
atualizado em 13/12/2019 às 17h13

Em meados de 2018, quando ondas de calor e incêndios atingiram a Europa, a jovem estudante Greta Thunberg decidiu não ir à escola e foi protestar no parlamento da Suécia, com um cartaz que dizia: “Em greve escolar pelo clima”.

Surgiu então o denominado movimento “Fridays for Future”, com protestos às sextas-feiras. A jovem sueca de apenas 16 anos de idade, começou a ocupar espaço na mídia.

O meio ambiente é um tema importante para todos nós habitantes do planeta terra. Contudo, é necessário que o debate sobre as mudanças climáticas seja mais racional e menos emocional.

Quem não lembra das previsões apocalípticas do ex-vice-presidente americano, Al Gore? Segundo dizia Al Gore, am alguns poucos anos as calotas polares estariam derretidas. Por exemplo, as orlas do Cabo Branco e Boa Viagem, em João Pessoa e Recife, respectivamente, estariam em tese bem prejudicadas. Pois bem, os anos se passaram e as previsões alarmistas não viraram realidade.

Greta Thunberg é sim a porta-voz de grupos poderosos que lucram com a pauta verde radical. Não vou culpar a infante, pois ela certamente não tem noção da complexidade do mundo em que vivemos. A jovem ativista, diagnosticada com Síndrome de Asperger, recebeu influência dentro de casa e de adultos que viram na sua imagem, a possibilidade de levar à cabo a agenda. O objetivo de chamar atenção foi alcançado.

Além dos líderes mundiais, Greta é motivo de polêmica nas redes sociais entre nós outros, leitores e telespectadores, ouvintes das emissoras de rádio. Nos últimos dias a jovem sueca ocupou quase todos os espaços, e acredito que você que lê estas linhas, ao terminar a coluna em instantes, verá o rosto dela em alguma mídia. No encontro da COP 25 em Madrid, Thunberg foi o centro das atenções. Em Brasília, nosso presidente Jair Bolsonaro questionou a atenção demasiada da mídia com uma pirralha. A partir daí mais uma enxurrada de manchetes, notícias e comentários. Majoritariamente parciais e ecoando a imagem da nova “figura icônica” do ambientalismo. Há uma campanha ostensiva nos grandes meios de comunicação.

O ápice de tudo é a capa da revista Time. A moça agora é a personalidade do ano e quase consenso nas redações. Mas já dizia o inolvidável Nelson Rodrigues: Toda unanimidade é burra. Sigo esta máxima de sabedoria do dramaturgo.

Em seguida, Donald Trump deu praticamente um conselho de pai para uma filha. Sugeriu que Greta procurasse ver um filme com um amigo. Ela repetiu o que fizera com Bolsonaro e ironizou o presidente dos EUA no seu espaço no Twitter. Mais manchetes e comentários. Vibração nas redações.

Assisti um comentário do presidente russo Vladimir Putin, na conta do Sputnik Mundo no YouTube, de outubro de 2019. Caso queira, você poderá conferir “El comentário completo de Putin sobre Greta Thunberg”, com áudio em russo e legenda em espanhol.

O presidente da Rússia foi muito ponderado ao falar sobre a moça. Alertou sobre os adultos que estão por trás disso tudo e dos interesses dos movimentos. Destacou o quão prejudicial até para a própria Greta, tamanha ansiedade diante do futuro do mundo.

Creio que eu, e você que lê estas linhas até agora – com muita paciência – queremos um mundo melhor. Todavia, a questão é muito mais complexa. Precisamos sim de mais energia limpa, mas não podemos abrir mão do desenvolvimento. Milhões de pessoas pelo mundo almejam mais qualidade de vida, e nem comparo com os índices de IDH da Suécia e dos países nórdicos. Milhões de pessoas lutam para comer. Outros tantos por escola, moradia e transporte. Os combustíveis fósseis são vitais para a economia mundial e o acesso às energias renováveis ainda é restrito. Oxalá não demore para que mais pessoas tenham acesso às fontes limpas. Isso ocorrerá quando a maioria tiver acesso à alimentação e mais qualidade de vida.

Ademais, existe um alarmismo que impede um debate sério. Na ausência de argumentos, o ambientalismo radical recorre ao expediente espúrio de usar uma criança como porta-voz dos seus interesses. Cuidar das florestas é importante, mas tratar o esgoto nas cidades é urgente para salvar vidas humanas.

Por fim, penso que é muito bonito ver o engajamento juvenil por causas diversas. Entretanto, preocupa-me a troca do debate racional, por um oba-oba histérico que não nos levará para lugar nenhum.

Não nos deixemos enganar por falácias e campanhas orquestradas. O mundo é muito mais complexo do que podemos imaginar. Busquemos sempre questionar certas saídas radicais e autoritárias.

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