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Justiça condena a prisão falsa vítima de atentado em Paris

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publicado em 16/10/2018 ás 10h36
atualizado em 16/10/2018 ás 10h44
Foto: Joel Saget / AFP

A parisiense de 33 anos que se fez passar por uma vítima dos atentados de novembro de 2015 em Paris foi condenada por fraude e falso testemunho. Ela ficará presa por seis meses e, durante outros 18 meses, terá uma série de tarefas obrigatórias, como buscar emprego e indenizar partes civis.

Alexandra Damien foi condenada por ter recebido, sem merecer, uma quantia de € 20.000 dos Fundos de garantia das vítimas de terrorismo e outras infrações penais (FGTI). Além disso, ela ganhou um tratamento terapêutico em um hotel da Normandia patrocinado pela Associação francesa das vítimas do terrorismo (AFVT).

Durante o julgamento, ocorrido em 2 de outubro, Alexandra reconheceu que mentiu quando declarou que estava no bistrô Carillon, uma das localidades atingidas pelos disparos dos terroristas nos ataques na capital francesa, que deixaram 130 mortos. “Foi o maior erro de minha vida”, disse a jovem na ocasião.

No dia 13 de novembro de 2015, a “cliente assídua” do Carillon tinha previsto passar para beber no restaurante, mas “mudou de ideia 20 minutos antes”.

De acordo com a Rádio França Internacional (RFI), a jovem disse que foi ferida por uma das armas usadas pelos terroristas e declarou que um homem morto caiu por cima de seu corpo. Ela afirmou ainda ter perdido “conhecidos” durante os atentados e, por isso, começou a se sentir culpada, questionando se teria sido capaz de salvá-los.

Ela participava de coletivas de imprensa e eventos oficiais de homenagem às vítimas e foram as persistentes incongruências em seu discurso que levaram à abertura da investigação de seu testemunho.

Alexandra D. também fez uma tatuagem com o lema de Paris, “Fluctuat nec mergitur” (“Sacudido pelas ondas, mas não afunda”), num gesto de protesto contra o terrorismo.

‘Decisão equilibrada’

A Promotoria havia solicitado 18 meses de prisão efetiva, por considerar, ao contrário da defesa, que o caso era “marcado pela ganância” de quem procurou 10 vezes o Fundos de garantia das vítimas de terrorismo, segundo a France Presse.

Para o advogado de Alexandra Damien, William Bourdon, a decisão foi “equilibrada, moderada”, pois leva em “consideração a defesa” e “sua confissão corajosa e, ao mesmo tempo, a demonstração de que a ganância não era sua linha vermelha”. “A justiça mostra que pode ser inteligente”, afirmou.

Em 13 de novembro de 2015, três comandos extremistas mataram 130 pessoas em vários bares e restaurantes da capital, na casa de espetáculos Bataclan e nas proximidades do Stade de France. Esses ataques são considerados o maior da história da França.

G1