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PROTESTO

Índio é retirado por bombeiros de árvore do Maracanã, no Rio Janeiro

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publicado em 17/12/2013 ás 11h24

O índio José Urutau Guajajara, que resistiu à desocupação do antigo Museu do Índio, no Complexo do Maracanã, na Zona Norte do Rio, na segunda-feira (16), foi retirado por bombeiros de uma árvore, onde passou quase 24 horas em forma de protesto.

José Urutau foi retirado por volta das 11h30 da manhã, e houve confusão. Após ser resgatado, o índio foi levado pelos bombeiros para uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ativistas tentaram impedir a saída da ambulância e policiais militares jogaram spray de pimenta para dispersar o grupo.
Do alto de 5 metros

Bombeiros chegaram a colocar um colchão embaixo da árvore. O índígena permanecia a uma altura de aproximadamente 5 metros do chão. Ele foi o único que não deixou a área após a reintegração de posse no prédio do antigo museu. Alguns manifestantes também continuavam no local.
Às 8h30 desta terça-feira (17), após varias tentativas, os ativistas conseguiram lançar a comida com sucesso para o índio. Ele vai comer após quase 24 horas sem alimentação.

Segundo os indígenas, a Justiça não expediu uma nova ordem judicial para a desocupação do imóvel e a reintegração de posse. "O governo do estado está usando uma liminar do dia 22 de março, que já foi aplicada e suspensa por esse despacho do juiz, que unificou todas as ações na esfera federal. Então está suspensa, aquilo não existe", afirmou o líder indígena Paulo Apurinã.

A Justiça federal informou que, depois de março, não emitiu novo mandado para desocupação do imóvel. A Justiça ainda informou que o processo está suspenso desde agosto. O governo do estado declarou que se baseou na ordem judicial expedida em março para retirar os índios do prédio. A PM disse que houve resistência e que os policiais precisaram fazer uso da força.

O índio subiu na árvore por volta das 10h de segunda-feira, e bombeiros foram chamados para retirá-lo de lá. Durante a noite, o advogado dos indígenas voltou ao prédio. Ele diz que tentou entregar água e alimento para o índio, mas foi impedido pelos bombeiros e classificou a ação como arbitrária.

O advogado Arão da Providência Filho entrou na 7ª Vara de Fazenda Pública com uma ação civil pública pedindo a reintegração de posse do prédio, baseado em um despacho civil público emitido no dia 23 de setembro pelo juiz Bruno Otero Neves, que determinou que a área de 14 mil metros quadrados (onde está o prédio anexo ocupado pela Odebrecht) seja devolvida aos indígenas.

Alexandre Vasconcelos, funcionário de uma escola técnica e simpatizante da causa, levou comida para o índio Urutau, que estava na árvore. A mulher do indígena também esteve no local e tentou entregar comida para ele. Segundo uma carta lida por uma das lideranças indígenas, a decisão só sairá nesta terça-feira. Por isso, o índio Urutau decidiu permanecer no local.
A carta foi lida pelo índio Ash Ashinka, da etnia Ashinka, do Acre. "Nós sofremos uma violência arbitrária por parte da polícia, que chegou sem ordem judicial quando estávamos em luta contra a ocupação do patrimônio indígena, que está sendo destruído pela Odebrecht", disse Ash.

Ativistas

Um ativista foi detido durante um princípio de confusão entre policiais e defensores do índio Urutau, por volta das 12h30 de segunda-feira. Com ele, 26 pessoas haviam sido levadas para a 18ª DP (Praça da Bandeira) até aquele horário. De acordo com o delegado titular, Fábio Barucke, 24 pessoas foram ouvidas, autuadas por resistência e liberadas. Uma foi autuada por receptação de material furtado e liberada. O ativista foi autuado por desacato e resistência e liberado após pagar fiança.

Cerca de 150 agentes do Batalhão de Choque (BPChq), com apoio do 4º BPM (São Cristóvão), fizeram um cerco na área. Houve momentos de tensão, e policiais chegaram a usar gás de pimenta. "Precisamos estabelecer um perímetro de segurança, até porque há risco, algumas pessoas resistiram e houve um tumulto, mas já foi controlado", explicou o comandante do Batalhão de Choque, tenente-coronel Marcio Rocha.

Protesto contra demolição

A Polícia Militar chegou na manhã de segunda-feira para desocupar o imóvel após o grupo ter invadido, no domingo (15), um prédio vizinho em obras, em protesto contra demolições no local. Os ativistas reclamaram de violência por parte dos policiais. Em nota, o Batalhão de Choque diz que houve resistência e que foi usada "força proporcional" para conduzir os detidos à DP.

Também em nota, o governo do estado afirmou que o antigo Museu do Índio não será derrubado para obras da Copa do Mundo, mas reformado, dando espaço ao Centro de Referência das Culturas Indígenas.

A PM fechou a Radial Oeste por quase três horas, até as 10h30 de segunda, por questão de segurança, segundo a polícia. O trânsito ficou ruim na região até que a via fosse liberada.

G1

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