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Como não houve nenhuma calamidade dessas proporções na saúde pública naquele período, ficaram evidentes a demanda excessiva pelo benefício e a insuficiência dos controles para a concessão.
Entre as hipóteses da área técnica para tal aumento estão as reformas feitas pelo governo FHC (1995-2002), que dificultaram o acesso às aposentadorias. Por esse raciocínio, o auxílio-doença teria se tornado um atalho para obter o amparo do INSS.
Outra parte da explicação é mais positiva: o aumento do número de trabalhadores com carteira assinada elevou também o número de segurados com direito ao auxílio.

Graças a ofensiva do governo Lula, o INSS passou a ser mais rigoroso na concessão dos benefícios – que depende da avaliação de peritos– e reduziu o total de pagamentos a pouco mais de 1 milhão por mês. Mas a trajetória de alta foi retomada em 2010.
O controle do auxílio-doença fazia parte de um pacote de medidas de gestão como alternativa a uma reforma impopular da Previdência.
Argumentava-se que, com aumento da arrecadação e melhor gerenciamento da despesa, seria possível reduzir o deficit do setor sem reduzir direitos dos segurados.
A estratégia foi positiva: o deficit caiu de 1,7% do Produto Interno Bruto, em 2007, para 1% em 2013. Mas, no ano passado, as despesas superaram as receitas em R$ 49,9 bilhões – era esperada uma diferença de R$ 33,2 bilhões. A expansão do auxílio-doença ajudou a inflar o deficit.
Folha
Âmbito da 'Território Livre' - 24/04/2026