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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Saindo do Éden

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publicado em 23/10/2013 às 10h22

O senador Cássio Cunha Lima vive hoje num céu de brigadeiro se compararmos a atual fase política com o inferno astral enfrentado de 2003 até 2009, quando teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral. Enquanto esteve à frente do governo, o tucano não contabilizou um segundo de paz sequer.

Fora do Executivo, saboreia um momento ímpar na sua trajetória política mais recente. Em Brasília, discute os grandes temas nacionais. No PSDB, é um articulador requisitado e figura que desfruta da amizade e convivência pessoal do presidenciável Aécio Neves. Na Paraíba, blindado por governo e oposição.

A suavidade dos bons ventos começa silenciosamente a passar pela metamorfose do tempo e a dar lugar aos tornados, cada vez que o calendário de 2013 vai tragando os meses e se aproximando da virada para a aurora do processo eleitoral. Experiente, Cássio sabe que sua imunidade tem prazo de validade.

A trégua já está perto do fim. Recentemente, ele foi alvo de ataques do PT nacional verbalizados pelo deputado Ricardo Berzoini, que criticou o pagamento, com verba do gabinete do Senado, de jantar aos convidados de homenagem ao poeta Ronaldo Cunha Lima. Na crítica, Berzoini ressuscitou a cassação do então governador.

Discretamente, adversários locais vão exumando os processos eleitorais de 2006 para conter o frisson causado pelas especulações de uma eventual candidatura. Se sem dizer uma única palavra sobre suas pretensões para 2014 já é acossado, Cássio deve calcular, por intuição, os açoites preparados pelos seus contendores, caso decida sair da zona de conforto e entrar no caldeirão do “vale tudo” da política paraibana.

*Artigo publicado na Coluna do Correio da Paraíba, edição do dia 23/10/2013 (quarta-feira).