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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

A virada

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publicado em 04/10/2010 às 10h53

Ele estava sendo tratado como um político liquidado, sob o risco de sofrer derrota acachapante nas urnas deste domingo. Para muitos, um zumbi já sem forças.
Ricardo Coutinho foi pisoteado pelos adversários. Em alguns momentos, amargou a descrença até de aliados não tão confiáveis.

Perdeu apoios de figuras carimbadas da política paraibana. Alguns dos quais alegaram falta de “afabilidade” do líder socialista paraibano.
Assistiu placidamente um “rebanho” se bandear para outros pastos. Em muitos casos reagiu, noutros silenciou.

Se não bastassem as defecções, Ricardo precisou conviver nos últimos três meses da campanha com o fantasma das pesquisas.
Todas, sem exceção, projetavam derrota no primeiro turno e vitória esmagadora do governador José Maranhão.

Números que impulsionaram ainda mais adesões e traições. A classe política paraibana hegemonicamente abraçou a candidatura do PMDB.
O ex-prefeito não entregou os pontos. Elegeu os grandes centros do Estado como o ponto de partida para a virada. Abraçou e deixou ser abraçado pelo povo de João Pessoa, seu cartão de apresentação, e Campina Grande.

Contou ao seu favor em alguns momentos com a sensação demasiada da campanha peemedebista de vitória “antes do tempo”. E foi aí que a militância socialista tomou para si a missão de guerrear até o último instante de peleja.
 

O domingo cinzento e silencioso de três de outubro já prenunciava que algo de emblemático estava para acontecer.

Ao cair da noite, a Paraíba paralisada assistiu a uma disputa voto a voto, bem diferente dos prognósticos. Por pouco, Ricardo Coutinho não resolveu a parada no primeiro turno.

Rompeu a noite carregando para a história o testemunho de um obstinado pela luta que abraça.

Caminho inverso

Todo o grupo maranhista sentiu o peso da derrota no primeiro turno. Não é fácil assimilar um resultado desfavorável quando a certeza reinante era a de esmagar o adversário.

Maranhão e aliados têm todas as condições de correr atrás do prejuízo. O problema é que o governador terá que refazer todos os cálculos de estratégia e principalmente de postura pública.

A idéia de evitar os debates tem que ser esquecida, mesmo sabendo que o PSB vai explorar agora ao máximo a ausência no primeiro turno.
Aliás, debate não deve ser instrumento de estratégia política, mas compromisso político com a população.

O PMDB terá que concentrar forças em João Pessoa e Campina Grande, mas sem perder de vista a necessidade de recuperar votação nos maiores colégios eleitorais do Estado, já que os pequenos municípios são contabilizados no saldo maranhista.

Perder em João Pessoa, Santa Rita e Bayeux teve um peso muito forte no resultado final. Os maranhistas vão ter que quebrar a cabeça para diminuir os percentuais nessas cidades.

Ninguém no PMDB engole derrota em Patos e Cajazeiras, dois redutos importantes e alvo de investimentos e atenção especial do governador ao longo de seu mandato tampão.

Em resumo: a situação se inverteu. Maranhão perdeu a condição de favorito absoluto e terá que ter muita habilidade e jogo de cintura para conter o crescimento de Ricardo, hoje o líder da pesquisa da urna.

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