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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Boca e estômago,

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publicado em 30/08/2025 ás 07h00
atualizado em 30/08/2025 ás 10h11

Andei lendo os textos de Paulo Leminski  (foto)– eu já sabia que ele é um poeta maior, mas a prosa me impressionou – “Eu mando, você obedece”, “Corpo não mente”.

Vamos começar por aqui – “integrar mente e corpo é voltar ao paraíso que só conseguimos experimentar em momentos privilegiados.” – vamos pensar que essa frase tem endereço certo, mas a vida é dura, como disse Drummond, e outras vezes, ela ridiculariza da gente ou é a gente que procura e acha, mas “se tu não quer
tem quem queira”

Sinto uma dignidade e um esplendor quando estou sozinho, e quando isso acontece, vejo que o silêncio produz em mim efeitos estupendos.

No começo da semana tive uma tristeza imensa – liguei para minha irmã  – era o aniversário dela, 81 anos, e ela não reconheceu minha voz – só quando meu outro irmão, que havia atendido o telefone, falou – “É Kubitschek, mulher…”

Um soco no estomago. Somos todos vulneráveis, brancos e pretos, escravos e patrões, nobres e servos, empresários e subordinados, ricos, políticos, pobres e filhos da puta.

Para Leminski nada distingue mais o homem dos animais do que a divisão de trabalho, nossa grande força e também a fonte de nossas fraquezas.

Isso dele dizer fraquezas, é mais que uma proficia.

Eu não sei mais escrever, talvez por isso, invento textos depois que leio bons escritores. Se eu soubesse escrever como Paulo Leminski, eu já teria matado todos os mil anos-luz de vazio que rondam a vida da gente, a fábrica de monstros e demônios, duendes e neuroses, mas nós que não somos apenas vozes.

Nada de proclamar o “muito pouco”, quando muito, é muito pouco, e nunca estamos satisfeitos, queremos mais, não o que fazemos ou produzimos, mais do que desejamos – muito mais.

Já não sou  bombástico, mas Leminski tem  razão: chega de palestras, bobeiras, se quem de nós chega perto sequer de Guimarães Rosa?

Isso é um disparate? Aliás, mil disparates.

Muitos gritos dessem da boca para o estômago, numa velocidade traiçoeira.

Tomara que…nada

Kapetadas

1 – Todos tem suas religiões e deuses não param de cessar, independente da sua crença e seu crédulo.

2 – Ainda escuto o eco, tragam de volta o Francisco

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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