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Cérebro de criança afetada pelo zika pode ter sequelas

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publicado em 06/06/2018 às 16h44
atualizado em 06/06/2018 às 13h46

Crianças afetadas pelo zika no Brasil devem ter no máximo três anos hoje — considerando que a maioria das anomalias começaram a ser identificadas em 2015. Dada à urgência do caso, foram muitos os estudos que focaram na primeira fase da infecção… mas o que vai acontecer com essas crianças quando adultas? E com aquelas sem más-formações tão evidentes? Essas são perguntas que a ciência tenta responder.

Um estudo publicado nesta quarta-feira (6) no “Science Translational Medicine” é uma das tentativas de responder a essas perguntas. A pesquisa foi feita só por cientistas brasileiros (Universidade Federal do Rio de Janeiro e de São Paulo) e tentou prever, de forma inédita em cobaias, os efeitos a longo prazo do zika.

De modo geral, a pesquisa identificou que a infecção de fetos pelo vírus da zika pode trazer consequências neurológicas, distúrbios de comportamento (esquizofrenia, autismo), de memória e consequências motoras (em crianças com microcefalia ou sem).

Cientistas também testaram que o infliximabe, já usado para o tratamento da artride reumatoide (doença que causa dores e deformações ), pode ser útil na fase aguda da infecção por zika, diminuindo o número de convulsões.

Outro ponto frisado pelos pesquisadores é que, em média, só 10% das crianças infectadas pelo zika vão desenvolver microcefalia: o restante não. A microcefalia, no entanto, não é a única consequência do zika e os pesquisadores estão verificando agora que há uma série de crianças que podem ter consequências do vírus no futuro (como as de comportamento).

“As infecções por zika, por não serem tão sintomáticas na gravidez, provavelmente foram subnotificadas”, diz Andrea da Poian, virologista, bioquímica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Isso tem algumas consequências, como o fato de que alguns fetos podem ter sido atingidos e não sabemos ainda como. Num mundo ideal, seria importante o acompanhamento de mais crianças”, conclui Andrea.

O estudo foi capaz de prever o que acontecerá com crianças por testes em cobaias: isso é possível porque o ciclo de vida da cobaia é mais curto: com isso, cientistas podem simular o que potencialmente acontecerá com fetos infectados no Brasil em 2015, por exemplo.

“O ciclo de vida do camundongo é menor; e, por isso, conseguimos demonstrar os efeitos do zika a longo prazo”, diz Andrea da Poian.

Outra parceira do estudo, a neurocientista Júlia Clarke, pesquisadora da Faculdade de Farmácia da UFRJ, destaca que os camundongos foram acompanhados por 100 dias: basicamente, o ciclo de vida do animal. O vírus da zika também foi injetado logo após o nascimento, o que corresponde ao terceiro trimestre de gestação em humanos.

A cientista explica que o vírus usado no camundongo foi isolado de um paciente de Recife em 2016. “Isso é importante porque outros estudos utilizaram cepas africanas e asiáticas”, diz Clarke.

Outro achado da pesquisa mostra que o vírus da zika fica presente no cérebro das cobaias, mesmo na fase adulta. “Há a impressão de que você tem uma infecção ativa após o nascimento, que depois é resolvida, e vimos que não, o vírus permaneceu no cérebro desses animais”, explica a especialista, indicando a possibilidade de um tratamento para neutralizar o zika, mesmo na fase adulta.

G1

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