João Pessoa, 16 de fevereiro de 2023 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Formada em Direito, Administração com ênfase em Comércio Exterior e pós-graduada em Comunicação Corporativa pela Universal Class da Florida.
É lider climate reality change pelo Al Gore e ceo do site Belicosa.com.br onde escreve sobre comportamento digital e Netnografia.

O custo da atenção conectada

Comentários: 0
publicado em 16/02/2023 às 11h25

Quais impactos perturbadores a tecnologia esta causando na nossa atenção

Já percebeu como não conseguimos mais desgrudar nossos olhares das telas? Como estamos distraídos numa plataforma? Isso se chama economia da atenção e a que ponto ela causa impactos negativos em nossos lares?

As últimas décadas evoluímos na compreensão da atenção humana. Além disso, entendemos que a atenção é um recurso valioso. Com o surgimento das redes sociais e das facilidades propostas pela internet, a atenção passou de ato de concentração a mercadoria.

A tecnologia nos deu uma sensação de conectividade, conveniência e liberdade que é difícil imaginar uma sociedade sem ela. Mas os benefícios dessa revolução digital não vieram de forma gratuita.

Nem mesmo quando os tablets e smartphones estão desligados conseguimos desviar o olhar. Porque? Infelizmente a tecnologia aprendeu a mexer com nosso cérebro e isso esta nos adoecendo.

Com base na ciência, saiba quais são os custos dessa atenção conectada e o que ela esta fazendo com nossa mente e corpo.

Redução da capacidade de nos comunicar

Além de tornar nossas vidas mais conveniente, a tecnologia produz um lado negativo vivenciado todos os dias. Ela vicia e prejudica nossa habilidade de criar sintonia nas conversas cara a cara.

Nossa habilidade de nos comunicar esta sendo reduzida a uma mensagem. Por mais radical que isso pareça, faça um exercício: Quando foi a ultima vez que falou com alguém sem utilizar uma tela por mais de 15 minutos?

Consumismo e Sedentarismo:

A tecnologia aprendeu a mexer com nosso cérebro e liberar um hormônio chamado dopamina, ele faz a gente ir as compras. Quando se tem isso liberado pela hiperconexao a internet produzimos uma sociedade mais consumista e sedentária.

Nunca antes na historia da humanidade tivemos tanta gente vivendo com obesidade, stress, depressão, distúrbios do sono, colesterol aumentado e principalmente nas crianças isso é fator de risco aumentado.

Senso critico:

Hoje em dia, temos um mundo de informações na internet. Embora isso seja útil, ele tem algumas desvantagens, porque limita o pensamento criativo e nos faz desenvolver o hábito de pesquisar tudo no Google.

A maior reclamação de professores hoje em dia é que os alunos não aprofundam temas e que não desenvolvem o senso critico justamente porque aceitam tudo o que a pesquisa dos buscadores sugere.

O que é oferecido de forma fácil da lugar a falta de senso critico, habilidade de argumentar por outro vies e ainda habito de que todo o conhecimento do mundo é apenas ofertado pela internet.

Falta de Empatia:

Nossa dependência da tecnologia não destrói apenas nossas habilidades cognitivas, ela afeta nossa maneira enxergar o outro.

A Dra. Sharon Horwood professora sênior da Escola de Psicologia da Universidade Deakin na Austrália diz que os impactos da tecnologia em nossa atenção são perturbadores.

Segundo ela “Smartphones e tablets têm a tendência de aumentar nossa distração, reduzir nossa capacidade de pensar e lembrar de prestar atenção às coisas e não regular as emoções.

Um dos custos da atenção plugada a internet o tempo todo causa um desinteresse emocional e uma interação social inapropriada pelo outro. Em outras palavras estamos ficando insensíveis e desenvolvendo falta de empatia.

Não desejamos que as pessoas joguem fora suas telas e se desconectem da internet. O objetivo aqui é causa reflexão e entender que as telas são ferramentas e que precisamos ter outras atividades sem ela.

A regra é mais sobre ter pontos de equilíbrio e apreciar o que é simples, fazer memoria sem uma tela na frente e percebendo que nossa atenção é um bem valioso e precisamos cuidar dela se não quisermos adoecer conectados a internet.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia no Belicosa.com.br

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB