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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

A Índia ultrapassará a China como país mais populoso do mundo em 2023

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publicado em 16/07/2022 às 10h52
atualizado em 16/07/2022 às 08h36

O presente artigo mostra a relevância da República da Índia como o maior mercado consumidor do planeta no próximo ano. Atualmente, a Índia é o segundo país mais populoso do mundo, com 1,412 bilhão de habitantes, atrás apenas da China, o país mais populoso em 2022, com 1,426 bilhão de habitantes.

Segundo as perspectivas populacionais da Organização das Nações Unidas (ONU), “O número de habitantes no planeta deve atingir 8 bilhões em 15 de novembro de 2022. E a Índia vai ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo no ano de 2023”. A população da Índia, com 1,440 bilhão de pessoas em 2023 superará a da China, com 1,430 bilhão de habitantes. E as estimativas são que a Índia alcançará 1,668 bilhão de habitantes em 2050 e a China com 1,317 bilhão de habitantes.

De acordo com os dados recentes do relatório do Departamento de Economia e Assuntos Sociais da ONU intitulado World Population Prospects 2022, a população global em 2050 será de 8,5 bilhões de habitantes e estará concentrada a metade da população mundial em apenas oito países: Congo, Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tanzânia, ou seja, cinco países africanos e três países asiáticos.

Em 1947, o ano da Independência da Índia, a população total era de 370 milhões de habitantes. Em 1990 eram 861 milhões de pessoas. Em 2001 alcançou 1,0 bilhão de pessoas. Em 2014 eram 1,295 bilhão de habitantes. E a população indiana é de 1,412 bilhão em 2022, ou seja, um crescimento absoluto de 1,042 bilhão de pessoas nos últimos 75 anos e um aumento relativo de 181,62%.

A Índia tem 29 estados, sendo Goa o menor estado e Rajastão o maior estado indiano e Sikkim o menos populoso e Uttar Pradesh o mais populoso estado indiano. A República da Índia tem uma área territorial de mais de 3,2 milhões de quilômetros quadrados, o sétimo maior país do mundo e com os seguintes estados, Andhra Pradesh, Arunachal Pradesh, Assam, Bengala Ocidental, Bihar, Chhattisgarh, Goa, Gujarat, Haryana, Himachal Pradesh, Jammu e Caxemira, Jharkhand, Karnataka, Kerala, Madhya Pradesh, Maharashtra, Manipur, Meghalaya, Mizoram, Nagaland, Odisha, Punjab, Rajastão, Sikkim, Tamil Nadu, Telangana, Tripura, Uttar Pradesh e Uttarakhand. Apenas 7 estados indianos (Uttar Pradesh, Maharashtra, Bihar, Bengala Ocidental, Madahya Pradesh, Tamil Nadu e Rajastão) têm 45% da população total do país.

A Índia tem também sete territórios federais, Andamão e Nicobar, Chandigarh, Dadrá e Nagar-Aveli, Damão e Diu, Lakshadweep, Delhi e Puducherry e são governados diretamente pelo Governo Central localizado em Nova Delhi, a capital da Índia. O número 0 é uma invenção indiana e as dez cidades mais populosas do país são Mumbai (22,0 milhões de hab.), Nova Delhi (16,3 milhões de hab.), Calcutá (14,1 milhões de hab.), Chennai (8,6 milhões de hab.), Bangalore (8,0 milhões de hab.), Hyderabad (7,6 milhões de hab.), Ahmadabad (6,3 milhões de hab.), Pune (5,0 milhões de hab.), Surat (4,5 milhões de hab.) e Jaipur (3,0 milhões de hab.).

A emergente Índia tem um PIB per capita de US$ 2.270, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,645 em 2019 e é um país membro do BRICS (Brazil, Russia, India, China and South Africa). Já o Brasil será o sétimo país mais populoso do mundo, com 215,3 milhões de habitantes, sendo superado pela Nigéria, com 218,5 milhões de habitantes, em novembro de 2022, ambos menos que os 273 milhões de indianos que escaparam da miséria entre 2005 e 2016.

Em minha opinião, o Brasil necessita aprofundar mais a cooperação bilateral com a Índia, especialmente nas áreas de educação, agricultura, aquicultura, cultura, inovação, telecomunicações, turismo, esportes, comércio exterior e energia. Os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural) fornecem 84% da energia mundial (BRITISH PETROLEUM, 2021) e uma das principais alternativas é o álcool oriundo da cana-de-açúcar, sendo o Brasil e a Índia os dois maiores produtores mundiais.

Na Índia, a taxa de fertilidade total foi de 5,2 filhos por mulher em 1971 caiu para 2,2 filhos por mulher em 2021. Segundo o Censo de 2011, na Índia, 833 milhões de pessoas viviam nas áreas rurais e 377 milhões de habitantes nas áreas urbanas, o que representava 68,84% e 31,16%, respectivamente, da população total de 1,210 bilhão de habitantes.

O crescimento populacional elevado na Índia poderá gerar dez graves problemas: (i) aumentar a pobreza; (ii) crescer a demanda por recursos naturais; (iii) mergulhar a economia indiana no desemprego em massa; (iv) elevar os danos ambientais; (v) golpear o crescimento da economia agrícola; (vi) piorar a escassez de água; (vii) sobrecarregar o sistema de saúde; (viii) aumentar a insegurança alimentar; (ix) diminuir o IDH; e (x) aumentar o Índice de Gini.

O Índice de Gini da Índia é de 35,7 e “Em janeiro de 2020, a Oxfam afirmou que o 1% mais rico da Índia possui quatro vezes mais riqueza do que a soma da renda de 953 milhões de pessoas, ou os 70% mais pobres da população, a maioria dos quais vive em áreas rurais” (BRASIL DE FATO, 2021).

A água se torna mais escassa a cada ano na Índia, logo, mais cara. Cerca de 600 milhões de indianos sofrem de escassez aguda de água, o bem econômico que será o mais raro na segunda metade do século XXI, logo, será o mais disputado nos 29 estados indianos. E o Brasil concentra 12% da água disponível no planeta, mas, haverão grandes problemas na Terra, devido a falta de água potável para saciar a sede dos atuais 7,9 bilhões de habitantes, e, sobretudo, dos 9,7 bilhões em 2050.

A Índia é a quinta maior economia do mundo na atualidade, com um PIB nominal de US$ 3,5 trilhões (AUSTIN RATING, 2022), atrás apenas dos EUA, China, Japão e Alemanha. A economia indiana é a que mais cresce no mundo desde 2014 e o PIB indiano cresceu de US$ 270,1 bilhões em 1991 para US$ 2,6 trilhões em 2021. Em relação ao PIB medido em Paridade de Poder de Compra (PPC), a Índia é a terceira maior economia do planeta, com um PIB PCC de $ 10,2 trilhões em 2021, atrás apenas da China e dos EUA (FMI, 2021).

Infelizmente, a Índia ainda sofre com a miséria, a pobreza, a desigualdade, a fome, o analfabetismo, a mortalidade infantil, a COVID-19, a poluição, a falta de saneamento básico, a corrupção e as mudanças climáticas. Mas, no Rio Ganges o povo indiano sobrevive sem comer carne bovina nem beber bebida alcoólica, praticando yoga e meditando sobre a vida. E nas ruas de Mumbai os jovens indianos pegam os tuk-tuks em direção a modernidade em plena Indústria 4.0.

Finalizando, o elevado crescimento populacional na maior democracia do mundo estimulará relevantes perguntas: Como a milenar Índia vai alimentar 1,412 bilhão de habitantes até 15 de novembro de 2022? O crescimento populacional sem controle estatal nem desenvolvimento social aumentará a produtividade no país em 2023? Os 1,668 bilhão de habitantes em 2050 provocarão um boom econômico ou uma bomba populacional? Quando a Índia ingressará no seleto grupo dos países com IDH muito alto?

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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