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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

Os impactos econômicos com as oscilações do dólar americano no Brasil

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publicado em 05/04/2022 às 13h28
atualizado em 06/04/2022 às 08h01

É importante analisar os impactos da oscilação do dólar americano na economia brasileira na atualidade, por isso, explicaremos um pouco, como o dólar valoriza ou desvaloriza frente à moeda brasileira, o real. Nos dias atuais, existem três fatores determinantes para esse acontecimento cambial: (1) Câmbio Flutuante; (2) Reservas Cambiais; e (3) Crise Financeira.

O primeiro fator é o câmbio flutuante, “Regime cambial no qual a moeda de um país flutua no mercado de acordo com a oferta e a demanda de moedas fortes como o dólar ou o euro” (SANDRONI, 2014, p. 109). A taxa de câmbio flutuante desde 18 de janeiro de 1999 oscila segundo o mercado e temos três exemplos da entrada e saída da moeda estrangeira no Brasil: (i) Superávit ou déficit comercial; (ii) Gastos de turistas estrangeiros no Brasil ou gastos de turistas brasileiros no exterior; e (iii) Juros.

O superávit comercial ocorre quando o Brasil está exportando mais bens do que importando, como as empresas estrangeiras pagam em dólar, isso faz com que entre mais moeda norte-americana no país, assim fazendo com que seu valor deprecie; Já o déficit comercial é quando o populoso Brasil está importando mais produtos do que exportando, ou seja, ele paga os fornecedores em dólar, diminuindo a sua quantidade no mercado e aumentando o seu valor.

Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil são quando turistas internacionais viajam ao continental Brasil, e trocam dólar por real, aumentando o fluxo da moeda no país, havendo a desvalorização do dólar; o contrário, é quando os turistas brasileiros vão viajar para o exterior e trocam nossa moeda por dólar e utilizam fora do Brasil, como por exemplo, nos Estados Unidos da América (EUA), o país mais rico do planeta.

Os juros são outro fator importante que também influencia na oscilação do dólar, como por exemplo, a taxa Selic que está em 11,75% a.a. e com essa alta, os investimentos ficam mais atrativos para os estrangeiros e a nossa moeda valoriza, e o dólar cai. É preciso destacar que a taxa Selic é a taxa básica de juros do País, hoje, uma das maiores taxas de juros nominais do mundo, assim, atraindo muitos investidores internacionais.

As reservas cambiais são o montante da moeda estrangeira e ouro acumulado por um país. São relevantes para negociações internacionais, realizadas em dólar, e para pagamentos de devedores e credores, além de quanto maior o montante da moeda estrangeira no país, maior estabilidade e mais condições para eventuais pagamentos. E o Brasil tem reservas internacionais consistentes de US$ 362,2 bilhões, segundo o Banco Central do Brasil (BACEN).

Já uma crise financeira ocorre com à queda abrupta dos ativos financeiros e de crédito de um país. Na crise financeira os investidores temem investir na economia de um país com sérias dificuldades de pagar suas dívidas, fazendo investidores, vender suas ações, converter em dólar, retirar as suas aplicações e realocarem as aplicações em ativos menos voláteis, como o ouro; assim, com essa baixa de investidores no país, o dólar tende a subir.

Entendido esses três fatores que influenciam na variação do dólar frente ao real, conseguimos ver melhor o quadro que estamos vivendo nos dias de hoje. No dia 14 de março de 2022, a moeda americana fechou o dia em R$ 5,14 e no dia 31, chegou no mês a R$ 4,71, a cotação mais baixa desde 13 de março de 2020, consolidando a posição do real como a moeda que mais se valorizou no mundo no acumulado de 2022, com tombo de 7,5%, devido a alta da taxa Selic, a queda do Risco Brasil e o aumento dos investimentos estrangeiros na B3.

Com todos esses acontecimentos vemos como o dólar oscila no Brasil. Com as explicações anteriores conseguimos identificar também, alguns dos motivos do dólar estar baixando; como por exemplo, a Guerra na Ucrânia, que provocou temores generalizados de restrição de commodities energéticas, como o petróleo e o gás natural e de commodities agrícolas, como o trigo e o milho, aumentando seus preços internacionais. Com isso os investidores estrangeiros voltaram suas atenções para a América Latina, uma região considerada menos vulnerável.

A moeda americana tem impacto direto na inflação, nas exportações e nas importações do Brasil. A queda do dólar, não quer dizer que vai mudar totalmente a taxa de inflação, mas estabilizará relativamente os preços dos produtos, e com o dólar mais barato, os bens que são importados como celulares, peças, insulfilm, entre outros, eles terão uma redução nos preços.

A baixa no dólar beneficia empresas como a Cajal Films, pois trabalhamos com produtos importados, no caso as películas de proteção solar, quando o dólar está mais baixo, compramos o material por um preço mais acessível, conseguindo assim, ter um preço diferenciado para os clientes das classes econômicas A, B e C. Já quando o dólar está alto, o valor da película importada dos EUA aumenta também.

Já empresas que exportam produtos como automóveis, biquínis e calçados Made in Brazil, além de commodities como açúcar, café e soja, se beneficiam de um dólar mais alto, já que a negociação é feita em dólar e o lucro da empresa será muito maior. Como vimos acima, a variação cambial também interfere nos investimentos brasileiros. No panorama econômico atual, onde o BACEN definiu uma política monetária contracionista, logo, a renda fixa está bem atrativa para os estrangeiros, porque os juros pagos por essas aplicações no Brasil, são superiores aos pagos em outros países emergentes e até em países desenvolvidos. E com a entrada de mais dólares no país, a moeda norte-americana tende a cair.

Quando o Banco Central decidiu aumentar os juros, ele tornou a economia brasileira mais atraente para investimentos externos. Isso gera fluxo cambial para o Brasil e faz com que o real se valorize”, explica Thomas Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office.

Esse cenário da economia brasileira influencia a desvalorização do dólar, tornando-se mais atrativa para os investidores, em contrapartida tem muitos investimentos para o agente econômico obter lucro, é necessário a valorização da moeda americana. Como os investidores em renda variável, eles compram ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN) de empresas que operam no mercado internacional, e como o pagamento dessas empresas é feito por dólar, quanto mais valorizado ele estiver, melhor rendimento terá.

Enfim, podemos enxergar os impactos nos produtos que compramos nos supermercados, nas feiras livres, nas farmácias ou nas padarias. Quando o dólar está mais alto temos um aumento nos preços das commodities importadas, como por exemplo, o trigo, hoje, o Brasil produz cerca de 7,7 milhões de toneladas de trigo (CONAB, 2021), porém, ainda precisa importar mais 6 milhões de toneladas (CNA, 2021). E com o aumento do dólar, sentimos também o aumento nos bens de consumo não duráveis feitos com farinha de trigo como pães, bolachas, bolos, pizzas, acontecendo também com os eletrodomésticos, eletrônicos, remédios e outros produtos que são importados. Em outras palavras, a inflação sobe e o poder de compra das famílias cai.

Nota: Artigo elaborado pela estimada aluna Jéssica Cristiane Cajal, do Curso de Administração, no UNIESP, noturno, líder do Grupo Vermelho na Olimpíada UNIESP de Economia e proprietária da empresa Cajal Films, site www.cajalfilms.com.br, WhatsApp (83) 9.9616-5100, em parceria com o Professor de Economia no UNIESP, o economista Paulo Galvão Júnior.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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