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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

Um algoritmo, pelo amor de Deus

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publicado em 23/10/2021 às 08h04
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Apesar de ter-me filiado à corrente filosófica do nadismo, ainda não consegui alcançar o último e mais importante dos seus objetivos. Já deixei de fazer qualquer coisa, consegui não me preocupar mais com grana, política ou esportes. Só não consegui ainda deixar de pensar. A óbvia consequência é que continuo tendo sempre ideias geniais. Quase diariamente penso soluções incríveis para todo tipo de problema. Um exemplo simples; no começo da semana imaginei que seria muito importante se pudéssemos ter extensões em nossos aparelhos celulares, como havia antigamente nas linhas telefônicas fixas.

Você usaria esse segundo aparelho (que deveria ser bem baratinho, tipo aqueles que só permitem conversação) quando fosse caminhar na praia para que o ladrão sequer quisesse levar o objeto. Também serviria para que seus filhos ou netos levassem para a balada e não tivessem a desculpa de que o celular estava desligado quando pela madrugada você procurou aflito alguma notícia do sacripanta.

Hoje eu bati todos os recordes. Pensei num aplicativo para celulares que evitasse milhões de reais em prejuízos. Como todo mundo está careca de saber, uma boa parte dos prêmios das diversas modalidades de loterias não são reclamados porque os apostadores esquecem de conferir ou conferem errado os resultados. Esse aplicativo avisaria automaticamente a visita de dona sorte.

Como já disse, nessa minha perturbada caminhada ao nadismo perfeito, ficam surgindo ideias sobre todos os assuntos e soluções até para problemas que ainda não existem, PORÉM sempre há um bloqueio técnico em minha genialidade. É que os aplicativos só podem existir a partir de um tal algoritmo. Não sei o que é nem vou perder tempo com isso. Portanto contatei o engenheiro que me indicaram como a maior sumidade do Brasil para ser meu sócio na empreitada; eu tendo as ideias e ele materializando as bichinhas.

Disseram que ele era tão fera que transformou uma parte de um bairro tido como “peba” em algo novo e cobiçado sem gastar um tostão. Simplesmente acrescentou a uma região de Mandacaru o termo “nobre”. O lançamento imobiliário que ele fez ali foi um tremendo sucesso, porque se tratava de apartamentos construídos em Mandacaru Nobre…o mesmíssimo lugar.

Com toda essa genialidade não conseguiu ainda fazer o tal do algoritmo. Será que vocês conhecem alguém que possa me ajudar? Caso contrário o mundo perderá um novo Thomas Edson, porém alcançarei a perfeição no nadismo.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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