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Francisco Leite Duarte é Mestre e Doutorando em Direito pela UFPB. É professor da Universidade Estadual da Paraíba, Jurista, Escritor, Palestrante e Auditor Fiscal. Prêmio nacional de educação fiscal 2016 e prêmio estadual e nacional de educação fiscal 2019. Na literatura, publicou o romance “O pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de Agosto” e uma coletânea de prosa poética (este em parceria com Cavichioli), chamada “Decifra-me ou te devorarei

ELAS

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publicado em 10/09/2021 às 07h28
atualizado em 10/09/2021 às 04h29
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Eu tenho quatro irmãs, tecelãs das suas histórias de trabalho e de muitas responsabilidades. São, para mim, referenciais, bússola que direciona olhares recíprocos, conhecidos pela comunhão do sangue e afinidade de alma.

A mais velha guarda dentro de si a leveza de quem, como ninguém, transforma água em vinho. Em amor, imita Cristo, ainda que sujeita às limitações da humanidade. Tem a candura da compreensão, a paciência de Jó, e seu coração logo sai das potencialidades e se transforma em movimento de proteção aos mais necessitados. E mais: dentro das parcas letras que não possui, a inteligência refinada nasceu com ela, dada pela natureza e mantida pelo seu corpo franzino a quem eu chamo Dedé.

A outra tem o semblante fechado, sensibilidade que é de coração bondoso e olhos de artista. Suas mãos ousaram fazer a primeira roupa de boneca. Daí, então, sem nem um curso profissional, tece, com precisão cirúrgica, cada filamento de vestidos de noiva, como se estivesse burilando as infinitas linhas mais sutis de uma aurora boreal. Com ela, eu, aos cinco anos, briguei. Chamava-a Babá. Doravante, Flaviana, ainda que o apelido continue com a reminiscência do amor.

A mais encostada em mim em idade chama-se Zulmira, mas eu a chamo Bia. Quando deixou os baixios da Serra do Desterro, nem sabia o que era dinheiro. Era como uma indiazinha, que, em João Pessoa, transformou-se em uma comerciante de tino e faro, técnicas que aprendeu com suas necessidades e sua forma singular de ser. Ainda me lembro da camisa de bolinhas azuis que ela me deu, depois de catar, por vários dias, quilos de algodão.

Quando tudo estava quieto, chegou Eliete. Eliete tem todas as risadas da compreensão da vida. E a paciência. É a que mais se parece com a bondade. Chegou a nossas vidas, acho, por volta dos cinco anos… Incorporou-se a nossa vida; sofreu as agruras que sofremos; riu o nosso riso; é a irmã mais nova e agora já é avó, porque Eliete é feita de riso e futuro.

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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