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Onaldo Queiroga é juiz da  5ª Vara Cível de João Pessoa  e escritor e é conhecer e colecionador da obra de Luiz Gonzaga

Ando devagar

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publicado em 11/07/2021 às 07h12
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(Texto em gratidão por um ano da vitória da Covid 19)

Como diz a canção dos poetas Almir Sater e Renato Teixeira: Ando devagar porque já tive pressa. Se antes da COVID-19 eu já refletia sobre qual sentido da velocidade de como tudo acontece no mundo, hoje, após um ano de alta hospitalar, tenho a certeza de que devemos entender que o Deus tempo nos permite que as coisas aconteçam em nossa vida no seu exato tempo. Não adianta correr, querer atropelar tudo e todos, só Deus tem o Dom do nascer e da partida, só Ele tem o poder de tudo nessa vida.

O Deus Tempo, com sua misericórdia nos permitiu perceber que é preciso entender que não podemos esperar tudo cair do céu, é preciso lutar, o que não implica em atropelar ninguém, mas buscar os sonhos, com certeza que eles podem ou não ser alcançados e, caso não sejam, não nos deixará frágeis, mas sim fortalecidos para o caminhar da vida. Deus nos mostrou o poder da oração, que nos aproxima, indelevelmente, Dele, fortalecendo-nos na fé, na solidariedade, na paz e no amor.

Ando devagar, porque tenho que contemplar o som das águas dos mares, que com o vai e vem de suas ondas, nos falam quando abraçam as areias das praias. Tenho que fitar a tranquilidade das águas piscinais da maré seca, mirar no seu horizonte infinito e acalmar o coração, sem querer jamais buscar decifrar os enigmas e os segredos da escuridão das profundezas.
Ando devagar, porque é essencial ouvir o falar das cachoeiras, da correnteza dos rios e do silêncio das águas de um açude. Ando devagar, porque é encantador ouvir o som da passarada amanhecendo o dia. Ando devagar porque tenho que vislumbrar o brilho do sol iluminando um novo dia, sentir o calor do meio dia sertanejo, ver a tarde se caminhando para o crepúsculo, dourando, na boca da noite, o céu, numa pintura divina que despede o dia e entrega-nos a noite.

Ando devagar porque Deus nos fez enxergar o compasso da vida. Hoje ando devagar, pois é preciso conviver mais tempo com a família, junto dos meus país, que já caminham morosamente pelas veredas do tempo. Ando devagar porque é salutar, relaxante e verdadeiro bálsamo conviver mais tempo com minha esposa, filhos, genro, noras e netas, expressão maior do amor que Deus nos concedeu.

Ando devagar porque orando, continuo grato a Deus, a minha família, aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, amigos e todos que numa infinita corrente de orações clamaram a Deus por minha recuperação e por minha vida. A vida é bela. Pratiquemos a solidariedade, a paz e amor! Obrigado DEUS POR TUDO!!!!

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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