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Entrevista

Filho de Rita Lee e Roberto remixa sucessos dos pais

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publicado em 29/05/2021 às 11h38
atualizado em 29/05/2021 às 15h08
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Kubitschek Pinheiro – MaisPB

Já saiu o segundo volume “Rita Lee e Roberto – Classix Remix”, organizado por João Lee – DJ, produtor, filho do meio de Rita Lee e Roberto de Carvalho. João Lee nos apresenta uma descoberta. O álbum ‘Classix Remix’ (com selo da Universal Music) ganha releituras de hits da dupla.

O trabalho conta com participação do próprio idealizador no clássico ‘Jardins da Babilônia’ (de Rita e Lee Marcucci, do disco “Babilônia”, de 1978.  Os dois volumes estão em todas plataformas digitais.

Entre os muitos hits de Rita & Roberto no primeiro volume, ‘Mania de você‘ ganhou releitura de Dubdogz & Watzgood e outra de Harry Romero; ‘Lança perfume’, claro, está muito bem representada com remix assinado pelo francês The Reflex; Gui Boratto fez uma releitura bastante sensacional de ‘Mutante‘, uma das canções favoritas dos fãs, na qual a voz de Rita, emocionante – se sobressai, ‘Vírus do amor’, na visão do irlandês Krystal Klear, é outra surpresa, assim como ‘Doce vampiro’, de Inner Soto, que ganhou uma vibe mais obscura; ‘Saúde’ é assinada por Tropkillaz; ‘Nem luxo nem lixo’ é do duo Chemical Surf e ‘Atlântida’ – música celebradíssima tanto por roqueiros quanto na cena eletrônica – é de Renato Cohen.

Participações mais que especiais

Assim, contando com uma notável lista de colaborações, os álbuns trazem o trabalho da DJ Mary Olivetti, que trouxe uma vibração ainda mais feminina para o clássico “Cor-de-rosa choque”, lançado no disco “Rita Lee & Roberto de Carvalho”, de 1982. Mary é filha de Lincoln Olivetti, icônico músico, produtor e arranjador brasileiro, que já tocou em álbuns e shows de Rita & Roberto.

Mary propôs com seu remix de “Cor-de-rosa choque” algo mais tranquilo, mas bem dançante. Além disso, ainda no volume 1 do disco, o conhecido DJ Marky apresenta duas versões do hit-caliente “Caso sério”, uma bem ao seu estilo “drum’n’bass” e outra surpreendentemente latina.

O lançamento do primeiro volume do “Rita Lee e Roberto – Classix Remix”, é sucesso disparado. O segundo também. Algo à altura deste projeto que envolve parte tão substancial e importante do repertório de gravações e composições que Rita Lee. Classix Remix vol 2”.

Ao todo, treze canções incorporam a tracklist de “Classix Remix vol 2”, incluindo “Jardins da Babilônia”, que conta com a participação de João Lee. Ele sucede o recém-lançado. É ouvir e dançar, dançar, dançar.

Em carta divulgada através da assessoria, Roberto fez um sensível agradecimento. “O essencial para mim é fazer uma declaração de admiração e de amor a nosso filho, João Lee, que é a força criadora, produtora, logística deste projeto incrível“, escreveu.

“Agradeço imensamente por este trabalho tão caprichoso, delicado, inspirado, de bom gosto, que proporcionou um renascimento dessas músicas, algumas vezes até superando a gravação original e carimbando uma característica de modernidade, diria, até, de atemporalidade à nossa obra“.

Rita Lee e Roberto Carvalho

Rita por João Lee é um trabalho primoroso pela vasta obra dos pais. Rita Lee está se tratando de um câncer no pulmão e o filho agradece as orações dos fãs e admiradores de todo Brasil.

Em entrevista ao Portal MaisPB, João conta como tudo começou, da alegria dos pais de verem o projeto lançado e anunciou que o disco número três sairá neste mês de junho. Confira:

João Lee, DJ e idealizador do projeto

MaisPB – O disco remix está fantástico, bem ao estilo da sua mãe e nos convida para dançar. Como veio essa boa ideia de remixar sucessos de seus pais?

João Lee – Eu sempre quis fundir o que vivi ao longo dos meus 25 anos na música eletrônica com o que eles viveram em seus mais de 50 anos de carreira na música. Resolvi convidar amigos, pessoas que admiro e artistas que me inspiraram ao longo do tempo para celebrar esse catálogo e essa história junto comigo.

MaisPB – Você acha que essa sacada veio da sua função de DJ?

João Lee – Sem dúvida nenhuma. Eu consigo entender a importância dos djs para a cena musical. São incansáveis pesquisadores, descobrem novidades, ótimos produtores musicais, formadores de opinião, criam tendências etc. Atualmente, os djs também são superstars da música.

MaisPB – Como se deu a seleção das músicas… são tantas?

João Lee – Foi uma das partes mais legais. Fizemos uma pesquisa enorme para descobrir quais fitas com os multitracks originais ainda existiam e onde estavam. A partir daí tivemos que digitalizar tudo. Cada fita demora entre 2-3 dias para ser digitalizada. O processo é longo. Ordenamos as fitas por importância e enquanto a digitalização acontecia, conversava com cada produtor para saber quais músicas queriam remixar. E fui montando esse quebra cabeça.

MaisPB – O que sua mãe e seu pai comentaram quando você começou a mandar as primeiras versões?

João Lee – Eles adoraram. Lembro quando fui na casa deles no começo do ano e mostrei os primeiros 2 álbuns prontos. Eles ficaram emocionados com o que ouviram. Minha mãe até chorou.

MaisPB – Ou seja, a pandemia não alterou o trabalho da música eletrônica?

João Lee – Atrapalhou demais o ao vivo. As festas, boates e festivais estão parados. Sobrou mais tempo para estúdio e produções novas. Tenho amigos que produziram mais de 50 músicas durante a pandemia.

MaisPB – Já estamos ouvindo o disco 2 e vem aí o terceiro…

João Lee – Sim. Os 3 álbuns são complementares. O segundo é mais disco/house e saiu neste mês de maio. O terceiro será mais eletrônico/tech/deep/alternativo e sairá dia 18 de junho.

MaisPB – A versão “Cor De Rosa Choque” ficou sensacional. Parece uma música americana, uma viagem com Mary Olivetti e DJ Marky. Tem uma vibração ainda mais feminina para o clássico “Cor-de-rosa choque”, lançado no disco “Rita Lee & Roberto de Carvalho”, de 1982, e ela é filha de Lincoln Olivetti. Genial, né?

João Lee – Mary é como se fosse parte da minha família. Nos chamamos de primos. Temos uma amizade longa e incrível. Além dos nossos pais terem trabalhado e convivido juntos por anos. Quando tive certeza que teria Rosa Choque no projeto, pensei de cara no nome dela. Mary é muito ligada ao movimento feminista, tem uma bagagem musical maravilhosa e não consegui imaginar pessoa melhor para remixar essa musica. Conversamos um dia pelo telefone e ela amou a ideia. O toque feminino, delicado, musical e chique que ela trouxe para o remix me deixou muito emocionado quando ouvi pela primeira vez. É um dos meus remixes favoritos.

MaisPB – Como é essa história de você ter se formado em Administração e enveredado pelo mundo eletrônico? As máquinas de fazer som arrepiam, né?

João Lee – Quando era pequeno pedia para acompanhar meus pais em reuniões com gravadoras. Adorava também entrar em estúdios, olhar aqueles equipamentos e assistir às gravações. Era um mundo interessante e sedutor. Porém, nunca quis ser cantor ou ser músico. O palco não me seduzia. Já tinha alguns amigos de infância que eram Djs. Quando tinha 16 anos fui junto com um deles num clube em São Paulo chamado B.A.S.E. e fiquei maluco com a experiência que tive. Isso me seduziu para dentro da música. Depois disso comecei a comprar vinil, tocar e não parei mais. Porém, como gostava de números, resolvi fazer faculdade de administração, acabei trabalhando 3 anos em banco de investimento, mas chegou num ponto que tive que decidir qual caminho trilhar. Não tive dúvidas. Fui para música. Hoje, depois de 25 anos, procuro equilibrar melhor meu tempo entre business e ser DJ.

MaisPB – Foi muito importante a participação dos DJs – “cada um na sua” Dobdogz, Watzgood, Krystal Klear e Tropkillaz e muitos outros?

João Lee – Foi essencial. São artistas de estilos diferentes, com sonoridades diferentes, de idades e épocas diferentes, de países diferentes e que trazem sabores únicos para o projeto. O mais importante, para o projeto, é que são artistas que eu admiro e que me influenciaram de alguma forma ao longo dos anos.

MaisPB- Em “Caso Sério” o DJ Marky mostra uma elevação estrondosa da canção?

João Lee – Quando conheci o Marky há 20 e poucos anos atrás, ele me disse que era um sonho seu remixar Caso Sério. Quando o projeto saiu, liguei para contar a notícia e perguntei porque queria tanto remixar essa música. Ele me contou que era uma das músicas favoritas dele, dos seus pais e que todos ouviam e dançavam juntos quando era bem pequeno. Portanto, fazer uma versão nova era uma forma, também, de homenagear seus pais. Isso para mim tinha muito valor. Repeti esse processo com cada artista. Eles que escolheram o que iam remixar. Esse aspecto emocional, de todos os envolvidos, fez toda a diferença no projeto.

MaisPB – “Lança Perfume” começa com uma batida e se transforma numa quase orquestra. Vamos falar dessa versão?

João Lee – O francês The Reflex, que fez esse remix, é um gênio. Ele reprograma tudo, muda os elementos de lugar, faz diferentes combinações, processa os áudios de novo e com isso faz um golaço ao manter o espírito da original, mas com um saborzinho novo. Ainda tenho mais 2 remixes do The Reflex no projeto.

MaisPB – “Doce Vampiro”, com o auxílio de Inner Soto, os efeitos especiais… Fala aí?

João Lee – Inner Soto é um projeto de um amigo e lenda do Techno brasileiro, o Wehbba. Doce Vampiro é uma das favoritas dele, mas não é uma música fácil de remixar. A original tem 63 batidas por minuto. Não é a velocidade ideal para fazer remix. Como ele é um gênio dos sintetizadores, quis aproveitar o lado lisérgico, progressivo e misterioso da original e fazer essa fusão com o projeto dele. Quase não tem bateria, mas os timbres são impressionantes.

MaisPB – “Nem Luxo Nem Lixo”, com Chemical Surf, parece o final de um show, um bis. Qual sua opinião?

João Lee – Os meninos do Chemical Surf são excelentes no que fazem. São uns dos responsáveis por esse som mais “bass” que foi criado no Brasil nos últimos anos. O som grave que eles tiram é impressionante. Conversamos um dia e eles acabaram escolhendo Nem Luxo. A fusão dos estilos combinou muito e tenho certeza que vai ser muito tocada pelos djs.

MaisPB – De quem foi a ideia da capa?.

João Lee – As 3 capas foram feitas por mim. O processo demorou quase 3 meses, mas fiquei muito contente com o resultado. Sou produtor executivo do documentário e filme derivados da biografia da minha mãe. Por conta disso, passei os últimos 4 anos fazendo pesquisa e encontrei muitas fotos inéditas. Quis usar uma dessas fotos e manter o conceito de remix do projeto. As 3 capas são diferentes interpretações da mesma foto. Consegui chegar nesse resultado misturando pintura, desenho e inteligência artificial. Queria que a capa fosse clássica e única. Uma peça de colecionador.

MaisPB – Você deu sua contribuição como DJ, na swingada na releitura de “Jardins da Babilônia” (que está no disco “Babilônia”, de 1978)?

João Lee – Jardins da Babilônia não ia entrar no projeto. Mas acabamos encontrando a fita original com o multitrack aos 45 min do segundo tempo. Todo mundo já estava terminando seus remixes, mas não podia deixar essa música tão importante de fora. Acabei puxando essa responsabilidade para mim e fiz o remix. Mantive o lado rock mas procurei deixar a música levemente mais pista e mais animada (se isso é possível). Acho que os fãs da original vão gostar do resultado.

MaisPB – E aí, com o som na caixa de todos os dias, você acha que estamos perto de sair desse breu, com saúde para gozar no final?

João Lee – Olha, torço muito por isso. Não está fácil para ninguém. Nós da cena eletrônica estamos sofrendo muito com a pandemia. Tá tudo parado. Espero que as coisas comecem a melhorar com as vacinas. Sei que minha mãe sempre procurou levar alegria e diversão para seus fãs. Eu também espero que essas versões novas tragam momentos de alegria, energia positiva e muita vontade de dançar.

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