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Naufrágios revelam história marítima da PB

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publicado em 23/05/2021 às 13h35
atualizado em 25/05/2021 às 11h29
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Embarcação Alice, naufragada em 1911/ Foto: Renato Vasconcelos/Museu EXEA

Mais de 500 anos de ‘descoberta’ dão à Paraíba a oportunidade de ter sido palco de várias histórias envolvendo colonizadores e povos locais. Muitas delas vieram pelo mar e podem ser contadas até hoje em embarcações que ‘adormecem’ no fundo das águas que banham a costa paraibana. São mais de vinte navios, barcos, iates e outros tipos de transportes marítimos que, seja pela ação do homem, ou pelas forças da natureza, encontraram no litoral do estado o seu destino final.

Essas histórias vêm sendo, aos poucos, contadas por meio de trabalhos envolvendo pesquisadores paraibanos e de outras cidades do país, em parceria com universidades pelo mundo e a Capitania dos Portos, conforme explica o professor Ticiano Alves, do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Campus Cabedelo.

Há registros de naufrágios na Paraíba desde o século 16, segundo informações da Marinha. Temos naufrágios do Norte ao Sul, com concentração maior próximo à barra do Rio Paraíba, que possui baixa profundidade, propícia ao encalhe de embarcações.

Doutor em Arqueologia pela Universidade Coimbra (Portugal), o professor coordena o Museu Virtual Marítimo do Extremo Oriental das Américas (EXEA), inaugurado este ano, mas cujas pesquisas foram iniciadas ainda em 2019. Ele e um grupo de outros pesquisadores buscaram conhecer mais sobre as histórias envolvendo os trabalhos marítimos na costa do estado e o resultado pode ser conferido por meio de um passeio virtual repleto de memórias relacionadas à atividade na Paraíba.

Professor Ticiano Alves explica as pesquisas do Museu EXEA / Foto: Albemar Santos/MaisPB

De todas as embarcações naufragas, pelo menos três são bem conhecidas dos exploradores que atuam no estado. “O Alice, o Alvarenga e o Queimado são próximos à capital e possuem mergulho com muita vida marinha. Dá pra contemplar bem”, garante o professor. Ticiano Alves lembra, contudo, que é preciso ter cuidado ao mergulhar nas áreas e que não é possível resgatar objetos.

Temos legislação que assegura que qualquer objeto no fundo das águas pertence à União, então, para que seja explorado é preciso uma autorização específica.

Ship Eriê (Queimado), naufragado em 1873/ Foto: Renato Vasconcelos/Museu EXEA

Por meio do passeio virtual no Museu EXEA é possível conhecer um pouco mais da relação das pessoas com o oceano a partir de imagens, documentos e pesquisas, além de conferir a história das navegações e embarcações naufragadas na costa paraibana. Apesar da quantidade de embarcações com este destino, o pesquisador salienta que não é correto dizer que o litoral possui um cemitério de navios, uma vez que o termo refere-se a um local cujas embarcações foram depositadas propositadamente no fundo do mar. “Essas embarcações (no estado) naufragaram por diversos motivos”, reforça.

Acesse aqui para visitar o museu

Sobre os impactos ambientais causados pelos naufrágios, o professor destaca o papel de recifes artificiais que elas acabam desenvolvendo e que a Capitania dos Portos é responsável por fiscalizar os navios abandonados na costa para evitar danos ao meio ambiente.

Vapor Bahia / Foto: Renato Vasconcelos/Museu EXEA

Outra curiosidade contada pelo professor Ticiano Alves é que o estado já possuiu vários outros portos para desembarque de cargas ou pessoas, antes do atual Porto de Cabedelo, mas que o modelo era diferente do conhecido nos dias de hoje. “Eram áreas abrigadas próxima de alguma uma estrada ou área habitada”, destaca. Um exemplo de local é o conhecido Porto do Capim, em João Pessoa, que já serviu de ponto de desembarque.

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