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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginarodriguez@uol.com.br

Um exemplo a ser seguido

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publicado em 22/01/2021 às 09h26
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A partir do ano de 2020, o mundo enfrenta desafios e sofrimentos em que procura libertar-se da pandemia que o assola. Nunca se precisou de tanta solidariedade e compromisso social e o despojar de cada pessoa para servir ao outro. Esses atributos estão inatos aos profissionais da enfermagem, que, em sua essência, desempenham o ato de cuidar dos outros. Vários autores citados por BORSOI e CODO (1995), reforçam que o cuidar em enfermagem é uma extensão das atividades realizadas na manutenção da família. No ano passado foi celebrado o Ano Internacional da Enfermeira, quando se comemorou o aniversário de 200 anos do nascimento de Florence Nithtingale. De família rica britânica ela nasceu no dia 12 de maio em Florença, na Itália, em 1820. Revolucionou a enfermagem imprimindo os princípios científicos em seus procedimentos assistenciais. Quebrou o preconceito que existia em torno da participação da mulher no Exército e transformou a visão da sociedade em relação à enfermagem. Criou a primeira Escola de Enfermagem da Inglaterra no Hospital Saint Thomas, em Londres, cujo modelo foi adotado por países como o Canadá, EEUU, e Austrália (ATKISON; MURRAY, 2008). Foi premiada com a Ordem do Mérito, em 1901 pela rainha Vitória, e a Cruz Vermelha Real, tornando-se a primeira mulher a receber tal comenda. O dia 12 de maio, em sua homenagem, é o Dia Internacional da Enfermagem. Faleceu em Londres, Inglaterra, no dia 13 de agosto de 1910. Considerada mundialmente como a precursora da Enfermagem moderna, era chamada de “dama da lâmpada”. À noite, aparecia nas enfermarias com aquela lâmpada que anunciava sua presença e representava para os internados o alívio de suas dores. Isto, durante a guerra da Crimeia, em 1854. Como voluntária, juntamente com trinta e oito companheiras, cuidava dos feridos, militares anglo-franceses, vítimas da cólera e do frio. Conseguiu, com a dedicação da equipe, reduzir a mortalidade dos soldados de 40% para 2%. Era uma autoridade na área da enfermagem. Voltou como heroína. Sua lâmpada tornou-se o símbolo da Enfermagem e brilhou no mundo com a adesão de outras mulheres enfermeiras que, como ela, se destacaram: Mary Seacole no Reino Unido, Ana Nery no Brasil e aqui na Paraíba as duas irmãs Ana de Paula e Rosa de Paula Barbosa, Doralice Klüppel, Elinor Aarão Gonçalves de Oliveira, Aliete Soares da Nobrega, Enalda Moreira da Silva, Genilda Pereira Martins e, recentemente, Zoraide Margaret Bezerra Lins, Maria Mirian Lima da Nóbrega, entre outras.

Por que recordar Florence Nithingale (foto)? Porque muitas enfermeiras e muitos enfermeiros existem, como ela, no anonimato com horas pesadas de trabalho incansável, diuturnamente, sem às vezes merecer a consideração do poder público. Portanto, ainda hoje sua luz continua a brilhar apoiada pelos avanços tecnológicos que, mesmo assim, não conseguem dar respostas imediatas à problemática nosocomial. Nesse momento atípico em termos sanitários que estamos vivendo, testemunho, de perto, através de minha nora enfermeira intensivista do Hospital Universitário (HU), a dedicação, o amor e o carinho como que se devotam na assistência prestada aos pacientes acometidos do COVID, inclusive aos que vieram de Manaus. Seu esposo, médico, com o mesmo entusiasmo pratica a assistência. São realmente verdadeiros heróis que estão na linha de frente dessa batalha em que não têm hora para chegar nem o momento que serão vitoriosos. Atuam sem descriminar gênero, raça e origem com o objetivo de salvar vidas.

Nesta oportunidade, homenageio minha nora e estendo este gesto a todas enfermeiras que aprenderam os ensinamentos de Florence Nithingale constantes do seu livro “Notes on Nursing,” tão simples, como os de lavar as mãos, esterilização médica e de material hospitalar, ambiente limpo, higienizado, tratar positivamente o paciente e levantar dados estatísticos, ainda em vigor nos dias atuais, e que constituem o fulcro de toda assistência. “O enfermeiro transita do estado de saúde ao estado de doença, seu tratamento e cuidados” (STACCIARINI et al, 1999, s.p.).

Sinto-me comovida e envaidecida de presenciar trabalho tão meritório, onde colocam as vidas de outros acima das suas. Constato que nosso esforço não foi em vão em fazer parte da história da Enfermagem da Paraíba, quando abraçamos a causa e tivemos a oportunidade de formar profissionais de qualidade, através de aprofundamentos teóricos–científicos-humanistas, vendo o paciente de forma holística. Nos hospitais, o contingente de pessoal de enfermagem representa 80% de seu corpo técnico assistencial. Não precisa dizer mais nada. Quem no seu leito não gostaria de ter ao lado, lhe prestando assistência, um profissional nesse nível? Será que agora receberemos mais incentivo do poder público e da iniciativa privada?

Profª. Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP)

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