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Guilherme Schwab lança ‘Tempos de Sonhos’

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publicado em 21/11/2020 às 11h39
atualizado em 22/11/2020 às 07h59
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Kubitschek Pinheiro MaisPB
Fotos – Pedro Marques

Guilherme Schwab é cantor, compositor, produtor, e multi-instrumentista. É vencedor do Grammy Latino de melhor disco de Rock Brasileiro (2015) pela gravação do disco Sol-Te com a ex-banda Suricato. Durante a carreira como instrumentista, acompanhou em palcos, estúdios, programas de TV e trilhas sonoras alguns dos maiores nomes da cena musical brasileira e Internacional como: Pepeu Gomes, Baby Do Brasil, Raul Midón, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Armandinho Macedo, Elba Ramalho, Falcão, Toni Garrido (Cidade Negra), Dinho Ouro Preto (Capital), Paulo Miklos (Titãs), Paulo Ricardo (RPM), Roupa Nova, George Israel (Kid Abelha), Rodrigo Santos (Barão vermelho) , Kiko Zambianchi, Tiago Iorc, Claudia Leitte, Chitãozinho e Xororó, Luan Santana, Simone e Simaria, Paula Fernandes, Gustavo Lima, Wesley Safadão, Hyldon, Luis Carlinhos, Ritchie, Rita Benneditto, Preta Gil, Moska, Carlinhos Brown, entre outros.

Começou os estudos de violão aos 9 anos de idade e, pouco tempo depois, iniciou os estudos de guitarra no Conservatório Brasileiro de Música, em Niterói, cidade e que nasceu. Teve aulas com alguns guitarristas renomados como Ricardo Martins, Isidoro Kutno e Flávio Henrique Medeiros, o “QQ”, com quem aprendeu a enxergar a música de maneira mais abrangente. Além de tocar guitarra, Schwab é autodidata em alguns instrumentos, como Weissenborn (violão Havaiano), Lap Steel, viola caipira, didgeridoo, gaita e ukulele.

Em entrevista ao MaisPB, Guilherme Schwab compartilhou pensamentos sobre o novo álbum ”Tempo dos Sonhos”, expectativas para a carreira e planos no pós-pandemia. Guilherme Schwab é um artista brasileiro.

MaisPB – O primeiro disco “Pangea” foi laçando quando e qual foi a repercussão?
Guilherme Schwab – O Pangea é um disco pelo qual tenho carinho e orgulho enormes. Aprendi muito durante a produção. Foi lançado em meados de 2013. Tive pouco tempo para trabalhar na divulgação deste disco… Logo depois do lançamento fiz uma mini- turnê pelo Sul do país em Janeiro de 2014 e em fevereiro, um show em Portugal, aproveitando a viagem para um festival com outro artista. Na volta da viagem já pintou o superstar e, por um combinado da banda na época, todos deram prioridade ao projeto e esse disco acabou ficando sem a atenção que merecia.

MaisPB – Agora chega “Tempo dos Sonhos” que na segunda faixa a canção “Hora e Lugar”, nos lembra que tudo na vida passa. Parece bem apropriado para essa pandemia, né? Aliás a canção é linda, tem uma gaita que arrepia…
Guilherme Schwab –Muito obrigado! A gaita dá um toque blueseiro na canção. Acredito que tudo na vida passa sim… Seja um momento bom ou ruim… Felizmente na época que compus Hora e Lugar, o momento era muito feliz. É uma música autobiográfica que fala de um amor que deu certo. Não sou muito chegado a canções onde há muito sofrimento, adoro aquelas que falam dos amores que dão certo e a música vem em forma de celebração! Falando da pandemia que estamos passando, o segmento artístico foi muito afetado e provavelmente será o último a retomar as atividades. É preciso manter-se positivo, produtivo e não perder a esperança. Vai Passar.

MaisPB – Logo em seguida vem “Tocando em Frente” que é uma canção que Maria Bethânia gravou e vc deu um toque soul. Vamos falar dessa sua versão?
Guilherme Schwab – Que bacana você achar um toque soul. Eu não tinha pensado nisso. Acho que essa música fala comigo tão profundamente, que quando fiz a versão eu nem pensei muito… só saí tocando do meu jeito e ela tomou forma. Acho sempre muito arriscado fazer versões, ainda mais de um clássico como esse. Eu considero “ Tocando em frente” um hino, quase uma oração, e muita gente se identifica com essa música. Até a Bethânia gravou, como você citou. Então mexer em algo assim, pode ser perigoso. Felizmente tive oportunidade de conversar com o Renato Teixeira sobre a versão e ouvir que ele gostou do arranjo. Quando o compositor gosta da sua versão, parece que sai um peso das suas costas. Ela ficou bem diferente. Originalmente ela é em 3 por 4 (3/4) e eu mudei colocando num compasso quaternário em 4 por 4 (4/4) daí ja mudou bastante. O violão é a peça fundamental mas fui inserindo outras cores e elementos como o didgeridoo e uma guitarra de 12 cordas. No final tem aquele mantra com um sitar indiano pontuando e a linda voz da Via Negromonte – Sri Vydia que convidei pra dar esse toque especial.

MaisPB – Aliás, quando chegamos a quarta faixa “Seu Pra Sempre” dá vontade de se levantar e sair por aí… de máscara, claro, e cantando acordando amores…
Guilherme Schwab – Hahahaah adorei! Sim, essa é mais uma canção de amor com o astral lá no alto. Por mais que fale de um amor que está longe, é uma canção feliz, pra cima! Sempre pensei nela como uma música pra cantar junto, muita gente reunida e feliz. Talvez sair por aí cantando Na rua de máscara e tudo seja uma boa maneira de se animar nesses tempos. O bom é que a voz vai longe quando a gente canta, mesmo que as pessoas estejam a metros de distância, ainda podemos cantar juntos, sem aglomerar, claro!

MaisPB – Em 2014, Guilherme Schwab estreou no programa Superstar, da TV Globo, como integrante do Suricato. Como foi essa experiência?
Guilherme Schwab – O superstar foi um divisor de águas na carreira de todos que participaram. Sou muito grato a essa experiência por ter aprendido tanto. Fiz muitos amigos lá também. Emprestei minha sonoridade e conceito artístico ao Suricato durante o programa, inserindo novas sonoridades e instrumentos que não faziam parte da formação anterior de power trio rockeiro. No programa, essa nova configuração veio cheia de novos elementos e os 4 integrantes puderam inovar. Foi bacana, pude contribuir também como compositor na parceria da canção “Trem” e fazendo novos arranjos inserindo viola caipira, violão havaiano, didgeridoo, gaita e outros sons em canções que já estavam no disco anterior mas tinham uma sonoridade mais comum de guitarra, baixo e bateria e tivemos grande êxito chegando até a final. Acho que o programa teve tanto sucesso por revelar o novo. Veio num momento onde as pessoas estavam sedentas por isso. Ter a possibilidade de tocar músicas novas no horário nobre era incrível. Foi uma grande oportunidade para novos artistas, uma espécie de novo festival da canção que era algo que acontecia nos anos 60 e revelou tanta gente.

MaisPB– Foi uma época feliz da sua vida?
Guilherme Schwab – Sim, uma época muito feliz e ao mesmo tempo um pouco estranha. Estar na tv toda semana te deixa bastante exposto. De um dia pro outro você passa a ser reconhecido na rua, pedem fotos, alguns dizem que são seus fãs sem conhecer seu trabalho muito bem, alguns que nunca falaram com você dizem ser seus amigos do peito, em alguns shows você se vê obrigado a passar num cordão de isolamento feito por seguranças pra que a banda possa chegar ao palco e voltar ao camarim… Mas é preciso ter cuidado com tudo isso e enxergar que é efêmero. Lembro do baterista Pompeo Pelosi, que é psicólogo, repetindo toda vez que algo assim acontecia: “Cara, não acredita nisso, é o poder da televisão, vai passar”. E de fato passou, pouco tempo depois que saímos do programa o assédio já não era tão grande e as coisas foram ficando mais brandas naturalmente, mesmo com toda exposição que a banda ainda tinha.

MaisPB – Em 2015, vocês tocaram no Rock in Rio e aí explodiu a canção “Trem” nas rádios”, levou um Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro com “Sol-te” e emplacou canções em novelas. Vamos falar dessa arranco?
Guilherme Schwab – Apresentamos “Trem” numa das fases do superstar e a música foi muito bem avaliada pelo público na época e após o superstar, ela entrou no disco e virou a música de trabalho. Foi como um tiro certo, pois já havia sido testada no programa, então quando o disco foi lançado e a canção foi escolhida para ser trabalhada nas rádios, rendeu muitos frutos. Isso foi ainda no segundo semestre de 2014, ano do programa. Em 2015 veio o Rock In Rio e acho que isso aconteceu pelo reflexo do trabalho que foi sendo feito em conjunto com nosso antigo escritório após o programa e lançamento do disco. Recebemos a notícia de que o disco tinha sido indicado ao Grammy Latino no dia da passagem de som do Rock In Rio, foi mesmo uma época de grandes conquistas. Ganhar um Grammy foi algo muito marcante e acho que foi a coroação de algo feito com muito carinho e cuidado por muitas pessoas. Tem muita gente envolvida na confecção de um disco, além da banda, tem técnicos de gravação, mixagem, arte e todo mundo que contribui para o produto final. Sobre as novelas, gravei algumas faixas com outros artistas e também muitas trilhas instrumentais para a sonorização das cenas. O que é um trabalho muito legal que eu adoro fazer. Você dá uma nova vida pra uma cena dependendo da trilha. 2 faixas do disco que gravamos com a banda entraram em trilhas, e também fomos convidados pra fazer uma versão especial da música “ O Sanfoneiro só tocava isso” para a abertura de “Eta Mundo Bom”.

MaisPB – Como instrumentista, você acompanhou em palcos, estúdios, programas de TV e trilhas sonoras alguns dos maiores nomes da cena musical brasileira e internacional: Pepeu Gomes, Baby Do Brasil, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Armandinho Macedo, Toni Garrido, Dinho Ouro Preto, Paulo Miklos, Paulo Ricardo, Roupa Nova, George Israel, Kiko Zambianchi, Tiago Iorc, Chitãozinho e Xororó, Luan Santana, Paula Fernandes, Preta Gil, Moska, Ivete Sangalo, Melim, Jota Quest, Iza e Raul Midón, entre outros. Isso foi bom demais, né?
Guilherme Schwab – Sim. É um grande aprendizado trabalhar com tantos artistas de estilos e tamanhos diferentes. A gente viaja bastante, concilia a agenda de um ou mais artistas com a nossa, e vai buscando soluções pra dar conta de tudo. Faço isso há muitos anos. Você aprende não só musicalmente, mas também administrativamente, observando como as carreiras são geridas. Quando se está trabalhando com um artista ou projeto muito grande, você encara grandes plateias em palcos enormes, e isso também traz experiência para encarar seus próprios shows. É um posicionamento muito diferente, como artista e músico. Não só no palco, mas também em relação às responsabilidades.

MaisPB – Conta ai sua história com o instrumento didgeridoo?
Guilherme Schwab – O Didgeridoo é também um divisor de águas na minha música. Apesar de tocar vários instrumentos, meu principal sempre foi a guitarra. É a ela que eu recorro quando tenho dúvida nos outros. Enquanto guitarristas estão buscando tocar muitas notas rapidamente, o didgeridoo faz o caminho inverso, é uma nota soando durante muito tempo. E esse processo de aprendizado foi me deixando mais conectado com isso, com o respeito e cuidado com cada nota, com a música de forma geral. Para tocar o didgeridoo é preciso dominar a técnica da respiração circular, que consiste em puxar o ar, sem parar de soprar. E com isso, aprender a tocar é também uma jornada de auto-conhecimento, entendendo melhor seu aparelho respiratório, trabalhando a meditação e outras possibilidades. O didge, como também o chamamos, é muito utilizado na musicoterapia em sessões de massagem sonora e relaxamento, é muito indicado no tratamento de pessoas com problemas de ansiedade e tabagismo. Sua eficácia foi cientificamente provada e uma matéria sobre isso foi publicada no conceituado British Medical Journal. O mais interessante é que o didgeridoo é um instrumento ancestral aborígene. E essa cultura tem cerca de 40 mil anos de história. Tradicionalmente é feito a partir de um galho ou tronco de Eucalipto ruído naturalmente por cupins, ou seja, nenhuma árvore saudável é cortada.

MaisPB – O nome do disco vem de muitos ciclos da vida?
Guilherme Schwab – Essa pode ser uma interpretação interessante. O TEMPO DOS SONHOS na mitologia aborígene é a origem de tudo, é onde estão as respostas, um lugar seguro de conexão. E me senti assim ao iniciar este processo. Este disco é um recomeço da minha carreira solo, depois de muitas experiências contribuindo musicalmente e artisticamente para outros trabalhos, chegou a hora de dar prioridade ao meu processo novamente.

MaisPB – E suas participações em trilhas de filmes, novelas, escambau. Vamos falar sobre isso?
Guilherme Schwab – Acabei falando um pouco sobre isso na pergunta sobre as canções em novelas. Sou convidado para gravar muitas trilhas, e este é um trabalho que adoro fazer. Estimula muito minha criatividade. Como toco vários instrumentos, acabo indo pro estúdio carregado de opções para os produtores. O mais surpreendente é que muitas vezes não é preciso tocar muito, e sim o que a cena pede. Algumas cenas precisam de apenas um acorde para darem uma cara de suspense, ou alegre. Lembro de levar um Hang Drum para o estúdio, e o produtor musical da novela ao ouvir a sonoridade do instrumento falar: “ isso tem cara de cena de perseguição, vamos gravar”. Outra passagem interessante foi levar o didgeridoo para o estúdio ele acabar substituindo um violoncelo numa cena tensa no remake da novela “Gabriela”, foi ao ar logo no primeiro capítulo. Então é muito dinâmico e estimulante, a gente nunca sabe o que vai acontecer, tudo depende da cena, do produtor musical…

MaisPB – A banda Suricato morreu?
Guilherme Schwab – Acho que o projeto como banda sim, pois este nome não é mais associado a um grupo de pessoas. Por outro lado, por mais que a banda não exista mais, acho que o que fica registrado não morre. A formação da qual participei foi a que teve mais êxito em termos comerciais e de crítica e fico feliz por termos realizado tantas coisas bacanas… Gravamos um lindo disco que foi vencedor de um Grammy e abriu muitas portas para todos. Os fatos e a história não se apagam. Tá lá na capa do disco, nos créditos das gravações, nas lembranças dos fãs, no troféu do Grammy na estante de cada um, nos clipes, nas fotos e matérias dos jornais.

MaisPB – O Brasil vai de ruim a pior ou vamos sair dessa?
Guilherme Schwab – Olha, que difícil responder… Que vamos sair, vamos… Uma hora vamos… Mas sabe-se lá quanto tempo vai demorar.

MaisPB – Quem é Guilherme Schwab
Guilherme Schwab – Um cara que ama a família, a música, a natureza e tentar melhorar todo dia.

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