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Apesar dos números não tão animadores do emprego em 2017, há sinais de melhora e as previsões dos economistas são de recuperação de postos de trabalho neste ano em meio a uma expectativa de maior crescimento da economia. No entanto, eles estimam que a criação de vagas sem carteira assinada ou “por conta própria” ainda vai superar o emprego formal em 2018.
Economistas ouvidos pelo G1 projetam a criação entre 700 mil e 1 milhão de empregos com carteira assinada em 2018, após o país ter encerrado o ano passado com a perda de 20,8 mil postos formais, no 3º ano consecutivo com as demissões superando as contratações. Entre 2015 e 2017, o país fechou um total de 2,88 milhões de postos.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (31) mostram que pela primeira vez o número de pessoas que trabalham por conta própria ou em vagas sem carteira assinada superou o daqueles que têm um emprego formal. O país encerrou o 4º trimestre de 2017 com 34,31 milhões de pessoas trabalhando por conta própria ou sem carteira, contra 33,32 milhões de ocupados em vagas formais.
O chamado “por conta própria” é uma categoria que inclui profissionais autônomos, como advogados e dentistas, mas também trabalhadores informais, como vendedores ambulantes ou o chamado “bico”.
Para o economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, o resultado de 2017, ainda que negativo, já representou um alívio por apontar para uma estabilização após 2 anos de destruição de empregos.
Bruno Ottoni, pesquisador do FGV/IBRE, destaca como principal sinal de melhora a estabilidade no número de trabalhadores com carteira nos últimos meses e continuidade da sequência de queda na taxa de desemprego. “Antes de gerar postos formais, tem que parar de destruir, e cruzamos essa fronteira”, resume.
As projeções dos economistas para 2018 são baseadas principalmente na expectiva de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,5% e 3% neste ano. “Será um ritmo gradual que vai ganhando corpo ao longo do ano. A incerteza política decorrente das eleições é o maior entrave”, afirma Luiz Fernando Castelli, da GO Associados.
O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, avalia que a recuperação da economia segue lenta e que a criação de empregos formais tende a continuar em 2019 abaixo do patamar pré-crise, quando o país abria entre 1 milhão e 2 milhões de vagas com carteira por ano.
Entre os setores, a avaliação é que as atividades ligadas ao consumo, que tem puxado a recuperação da economia, tendem a liderar a geração de vagas. “A expectativa para a indústria e o varejo são boas. Construção, por outro lado, deve parar de reduzir seu número de funcionários, e talvez mostrar uma alta modesta”, pondera Castelli.
G1
CABEDELO - 14/04/2026