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Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal. Ocupou por três mandatos o cargo de presidente do CRA-PB e de diretor do Conselho Federal de Administração. Diretor Institucional do SINTUR-JP de 1993 a 2016. Consultor em Administração, presentemente exerce as funções de vice-presidente da APCA (Academia Paraibana de Ciência da Administração). Contato: diretorexecutivoaetc@yahoo.com.br

Hervázio Bezerra: o político que vi nascer

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publicado em 04/04/2011 às 06h24

“O homem é um animal social político por natureza”, já dissera Aristóteles. Mas, não é só nessa visão filosófica que evidencio o agora deputado estadual Hervázio Bezerra! Reporto-me, mesmo, ao político tal como mais entendido pelo povo, ou seja, como a pessoa de vínculo partidário e que se candidata a um cargo eletivo como, por exemplo, o de vereador, seja ou não eleito.

Político assim, com filiação partidária, inicialmente se candidatando a vereador, lá no ano de 1988 (naquela eleição sem ser eleito) e de nome Hervázio Bezerra, eu vi nascer!

Trabalhávamos compondo uma mesma equipe: a da Unidade Setorial de Planejamento da então Secretaria da Indústria e Comércio do Governo do Estado, ele como assessor técnico, eu na eventualidade de coordenador. O titular da pasta era o Dr. Levy Leite.

E foi naquele tempo que conheci Hervázio Bezerra, diariamente com ele trocando idéias sobre as questões do desenvolvimento da Paraíba a partir do incentivo à industrialização e do setor comercial, assim como sobre o novo segmento que estava para ser incorporado à pasta, porquanto esta logo passaria a denominar-se Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo. Ao nosso setor de atuação (a Unidade Setorial de Planejamento) também competia as ações típicas do orçamento da Secretaria, tanto em sua elaboração quanto no acompanhamento da execução. E nessas trocas de idéias, muito aprendi com Hervázio Bezerra, ele já então pessoa bem consciente quanto aos problemas sócio-econômicos do Estado.

Entretanto, no então técnico ou assessor técnico Hervázio Bezerra também já existia o político… político naquele sentido a que acima me referi (o de ter vínculo partidário e querer concorrer a uma das vagas, no caso, da Câmara Municipal de João Pessoa). E eis que em certo momento Hervázio Bezerra dirigiu-se a mim, naquele seu jeito “mais ou menos” cerimonioso (de tal modo que sempre pronunciava um “doutor” antes do Mário) e me mostra uns talões de rifa, perguntando-me se poderia ficar com um ou mais deles para “repassar a outras pessoas”, pois “essa rifa é para ajudar na campanha de vereador!”.

Claro que fiquei com algum ou alguns talões e torci para ver e ter o amigo como vereador, o que, no entanto, daquela vez não aconteceu. Quatro anos depois, isto obviamente em fins de 1992, quando deixei os quadros técnicos do estado, vi nascer o vereador Hervázio Bezerra, vez que, eleito nas respectivas eleições, tomou posse nessa missão de parlamentar municipal em 1993.

Daquela eleição municipal em diante Hervázio Bezerra só obteve vitórias, porquanto sucessivamente foi reeleito como vereador pessoense. Candidatou-se a deputado estadual ano passado, 2010, e, apesar da votação de mais de 20 mil votos, classificou-se apenas como suplente… 1º suplente de sua composição partidária. Mas, na terça-feira, 15 de março corrente (Dia Mundial dos Direitos do Consumidor), após articulações e avaliações quanto à renúncia do mandato de vereador, Hervázio Bezerra (em uma sessão em que o Plenário da Assembléia Legislativa ficou plenamente lotado por tantos correligionários, amigos e – claro – familiares) tomou posse como deputado estadual, tendo em vista o licenciamento do deputado Manoel Ludgério, que assumiu a titularidade da Secretaria de Desenvolvimento e Articulação Municipal.

Nessa sua decisão de renúncia ao mandato de vereador para assumir o de Deputado Estadual, sob os riscos óbvios de dependência da conjuntura político-governamental, todos que conhecemos Hervázio Bezerra vemos nesse posicionamento mais uma atitude de coragem e de comprometimento político-social, que lhe é característica, bem sintonizada com sua própria afirmativa de que nunca fez política pela metade.
 

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