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Jornalista desde 1995 pela UFPB, com pós-graduação em Jornalismo Cultural. Radialista, marido de Gi, pai de Theo e editor setorial no jornal Correio da Paraíba. Torcedor do Flamengo e ex-professor do curso de Jornalismo na FFM. Já trabalhou, também, nos jornais A União e O Norte, no portal Tambaú 247, além das rádios Cabo Branco FM, Jovem Pan AM e CBN, sendo freelancer dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo. Contato com a Coluna: jamarrinogueira@gmail.com

A bunda de Paolla

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publicado em 02/02/2015 às 08h17
atualizado em 02/02/2015 às 08h50

Botero, o artista colombiano, nos ensina que a arte se dá pela opulência, anulando o minimalismo estético dos ‘descarnados’ (povo famelicamente fitness da Idade Média). A arte prova que a aglomeração de carnes e adiposidades no corpo é bem representativa da felicidade, da sedução e do prazer. Pura ostentação fenotípica.

Mulatas rechonchudas de Di Cavalcanti também se apresentam como representação simbólica de um bem-estar físico que ‘atrai, deslumbra e estimula’… Cícero Dias pintou bumbuns. Alguns deles, ‘férteis’ e ‘atraentes’. Mulheres em torno de bundas agigantadas. Bundas como iconografia de gênero. Belas bundas pictóricas…

Não à toa a bunda é retratada e retratada e retratada há anos (sem nenhum trocadilho). Essas sedutoras almofadas de carne ajudam a explicar a cultura brasileira, como bem disse Gilberto Freyre. Bundas acompanhadas de ondulações no andar, que tornam os corpos felinos.

Em destaque na televisão (na série ‘Felizes Para Sempre?’), a bunda da atriz Paolla Oliveira ‘bombou’ nas redes sociais. Sensualíssima, curvilínea e bem diagramada…

Em 2008, Paolla já havia mostrado as curvas glúteas no filme ‘Entre lençóis’ (do colombiano Gustavo Nieto Roa), formando par romântico com bem-arquitetado Reynaldo Gianecchini (que inveja!).

Um ano depois, mostrou a mesma sublime bunda em ‘Budapeste’, longa do paraibano Walter Carvalho. Nua na chuva e tendo o corpo usado como lousa…

O bumbum de Paolla Oliveira é representação simbólica de uma brasilidade. Bumbuns brasileiros fazem lembrar olhos iranianos, pés chineses e mãos indianas. Partes como representação do todo… Sedução em pedaços.

A bunda de Danny Bond (personagem de Paolla Oliveira) encanta a homens e mulheres porque é uma soma de ideais presentes em uma nação que ainda deita à sombra do patriarcado.

O ideal árabe da opulência e o ideal europeu da delgada sinhazinha adolescente, como escreveu o sociólogo Gilberto Freyre (de ‘Casa Grande & Senzala’).

Paolla é ‘dignamente bunduda’ e ‘discretamente’ pequena. Somos todos Paolla sim e, só para manter o clima de hashtag, Paolla nos representa…

*Reprodução do Jornal Correio da Paraíba.

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