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reportagem especial

Filhos se espelham na profissão dos pais

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publicado em 13/08/2017 às 07h47
atualizado em 13/08/2017 às 16h01
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A ligação, que nem sempre é de sangue, é uma mistura de sentimentos. A figura paterna, na maioria das vezes, representa segurança, abrigo, cuidado, referência. E por ser referência, muita gente vê as escolhas do pai como um caminho que pode ser seguido.

Seja no caráter, crença ou costume, existem pequenos sinais de uma influência exercida. No caso de algumas pessoas, essa marca também é deixada na vida profissional.

Parceiros de escritório

No meio dos estudos de matemática, biologia e história, Charles já acompanhava seu pai nas audiências. Enquanto a maioria dos adolescentes se reunia para conversar, o garoto se interessava pela rotina de encontro nos tribunais. “Foi nesse momento que encontrei a minha vocação e soube que esse seria meu futuro” contou o hoje advogado Charles Coutinho, ao Portal MaisPB.

Atualmente, Charles trabalha em parceria com seu pai, que é advogado penal. Sobre a escolha, ele admite que a referência do pai influenciou sua decisão.  “Pela atuação do meu pai aprendi a beleza e os desafios de exercer a advocacia com dignidade e independência”, conta o jurista, que hoje elabora teses e divide casos com o pai.

“Excelente escolha”, analisa Marinaldo Roberto, pai de Charles. Isso porque, na época do vestibular, o filho de Marinaldo também foi aprovado para cursar Relações Internacionais, mas optou pelo Direito.  “Para felicidade da minha família, hoje ele é advogado”, contou o pai.  Marinaldo, que advoga na área penal e já tem 32 anos de experiência, vê a decisão do filho como uma forma de dar continuidade ao seu trabalho.

E pra que esse trabalho continue, a cobrança também faz parte do processo. Mas segundo Marinaldo, a receita para essa mistura dar certo é exercer a cobrança sem críticas, com parceria e transparência. O resultado é uma relação fortalecida dia após dia. De pai e filho, e de colegas do Direito Penal.

Profissão do coração

Tudo começou quando Beatriz Viktoria pediu ao pai para fazer o curso de fotografia que ele ministrava. De lá pra cá, os eventos e as fotos não são solitárias: eles estão sempre juntos. E essa união fez toda a diferença.

Isso porque Rizemberg Felipe, pai de Beatriz, tinha uma rotina muito agitada que o impedia, muitas vezes, de estar com a filha.  A garota também sentia falta do pai. A fotografia juntou as rotinas e trouxe muito aprendizado.

“Ontem a gente estava em um congresso de fotografia e ela estava comigo ao meu lado, atenta, anotando o que os fotógrafos falavam”, contou Rizemberg, que admite “pra mim isso é um orgulho, ter minha filha comigo na mesma profissão”.

A garota de 19 anos tem muitos sonhos, e lá na frente, pretende fazer da fotografia apenas um passatempo. Seu pai concorda, “eu sempre incentivei que ela fizesse uma faculdade e usasse a fotografia pra ser o que ela precisasse ser”.

Seguindo o conselho de Rizemberg, Beatriz usa a fotografia para estar ao lado dele. Ela planeja se tornar psicóloga, mas no momento, registra momentos enquanto aproveita a companhia do pai.

O legado que vai além da Contabilidade

Há 14 anos trabalhando com o pai, o contador Carlos Alberto não pensou em outro curso quando chegou a hora do vestibular. Para ele, o motivo de seguir os passos do pai é simples: “Vendo ele ser tão excelente não apenas como profissional mas principalmente pelo pai que é”, disse o jovem.

Carlos enxerga no pai valores que ultrapassam a profissão, “me espelho nele como um todo. Como pai, esposo, filho, patrão”, contou ao MaisPB, e garante que esses valores fazem parte do legado de vida e princípios que ele também herdou.

As responsabilidades e cobranças são exigidas, mas o saldo final é positivo. “Não sei as outras pessoas, mas eu amo trabalhar com meu pai”, finalizou.

Caroline Queiroz – MaisPB

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