05 de dezembro de 2016 - 17:40

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29/11/2016 às 15h12

Elize vê foto da cabeça cortada do marido e pede para deixar sala de júri

elize

O segundo dia do julgamento de Elize Matsunaga começou com o promotor José Cosenzo mostrando fotos da cabeça decapitada e de partes do corpo de Marcos Kitano Matsunaga. Elize abaixou a cabeça e pediu autorização para o juiz para sair da sala. Os jurados também ficaram impressionados com as imagens. Não foi permitido à imprensa filmar ou tirar fotos do julgamento. Elize completa 35 anos nesta terça-feira (29).

O delegado Mauro Dias, responsável pelo indiciamento de Elize Matsunaga, disse que motivo do crime foi traição e reforçou que Elize agiu sozinha. Segundo ele, Elize Matsunaga “era exímia atiradora” e “conseguiu enganar todo mundo”. Segundo o delegado, Elize esperou a babá chegar para começar o esquartejamento de Marcos.

O delegado disse que peritos constataram que Marcos começou a ser esquartejado pela mulher quando ainda estava vivo. “Cortou nos lugares certos”, disse o delegado. Segundo o delegado, os cortes no corpo de Marcos foram feitos “de uma forma que muitos cirurgiões não conseguem”. Ele falou que ao descobrir que Elize era enfermeira, viu que estava no caminho certo.

Elize não queria que a polícia verificasse as câmeras de segurança do prédio. Dias diz que desconfiou de Elize também quando viu que saco de lixo que ela tinha em casa era igual ao encontrado com membros de Marcos. ‘Não era um saco de lixo comum’, disse o delegado.

O delegado disse que pela foto da cabeça de Marcos, o tiro foi dado a curta distância, o que não bate com a história contada por Elize, de que teria atirado a dois metros. Segundo o delegado, foi entre 15 e 20 centímetros.

“Ela [Elize] era exímia atiradora. Segundo as oitivas, atirava melhor que ele [Marcos]”, disse o delegado responsável pelo indicialmento de Elize. “Ela conseguiu enganar todo mundo. Ninguém desconfiava dela a não ser o reverendo”, afirmou Dias, citando o reverendo René Henrique Gotz Luch, que fez o casamento de Elize e Marcos. O reverendo está na lista de testemunhas do caso mas foi dispensado de depor pela acusação e pela defesa.

O delegado disse ter apurado que o reverendo que casou Elize e Marcos já havia alertado a vítima sobre a chance de a ré cometer algo grave. Segundo o delegado, o reverendo destacou três alertas que fez a Marcos. Primeiro, se precaver trancando a sala das armas porque Elize estava psicologicamente abalada. Segundo, procurar um tratamento para ela. E, terceiro, avisar a família dele do que estava acontecendo. O reverendo sugeriu que ele quebrasse a chave dentro da fechadura do quarto das armas. Disse: “Marcos, ela pode te matar”.

O delegado disse que Marcos mostrou nervosismo e chutou o elevador ao descer para pegar uma pizza. Quando voltou para casa, foi morto. Ele também destacou que foi encontrado no apartamento um saco plástico igual ao encontrado junto ao corpo de Marcos.

Segundo o delegado, Elize fingiu ser Marcos em e-mail à família Matsunaga, que quem cometeu crime tem conhecimento de anatomia. “Elize enganou todo mundo fingindo que Marcos tinha desaparecido.”

Dias diz que, pelo vídeo feito pelo detetive contratado por Elize, Marcos tratava a amante com ‘carinho e atenção. Segundo ele, Marcos conheceu amante no mesmo site de relacionamentos que encontrou Elize. o delegado diz que Marcos tinha ‘namorico’ com a amante e pagou R$ 27 mil para ela tirar perfil de site de relacionamento e ser exclusiva dele.

Dias se recusou a dizer do que Marcos xingava a ré. A princípio ele disse que não repetiria os insultos em respeito às mulheres no plenário.

Elize chora
Elize teve crise de choro quando delegado disse que Marcos a humilhava, lembrando o passado dela de prostituta.

O delegado contou que Elize lhe disse que era chamada por Marcos de “vagabunda, prostituta, puta de quinta categoria, que só servia para abrir as pernas e ele já tinha o que queria dela, que era uma filha.”

O delegado diz que investigação mostrou que relação do casal estava “péssima”. Segundo ele, Marcos humilhava constantemente a ré.

O delegado contou que não teve acesso a todos os laudos periciais do caso. Ele encerrou o depoimento e foi dispensado às 15h50.

A defesa de Elize também mostrou fotos da cabeça de Marcos para discutir com o delegado se o tiro foi a longa ou a curta distância. Elize acompanhou o depoimento de delegado sempre de cabeça baixa. Ela não olhou as as fotos do corpo do marido.

Das 21 testemunhas listadas, duas foram dispensadas: um delegado e o reverendo que casou Elize e Marcos. Três já deram depoimento na segunda-feira. Faltam mais 16.

Após ouvir os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa, ocorre o interrogatório da ré. Posteriormente, Ministério Público e defesa fazem as últimas alegações e os sete jurados se reúnem para decidir se condenam ou absolvem a acusada.

Em seguida, o juiz Adilson Paukoski Simoni aplicará a sentença.

G1