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POR LAVAGEM DE DINHEIRO

Juiz Moro aceita denúncia contra mulher de Eduardo Cunha na Lava Jato

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publicado em 09/06/2016 às 14h17

O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato, aceitou nesta quinta-feira (9) a denúncia apresentada contra Cláudia Cordeiro Cruz, mulher do presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo o Ministério Público Federal no Paraná, ela foi denunciada pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo valores provenientes de desvios na Diretoria Internacional da Petrobras.

Para o investigadores, Cláudia Cruz se beneficiou de de parte de valores de propina de cerca de US$ 1,5 milhão que Cunha teria recebido para viabilizar a compra, pela Petrobras, de 50% de um bloco 4 para exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

O negócio foi fechado por US$ 34,5 milhões, dos quais US$ 10 milhões teriam sido repassados como propina.

O MP aponta também que Cunha se beneficiou da propina e que ele tinha participação direta na indicação de cargos na Diretoria Internacional da Petrobras, atuando para que o negócio na costa africana fosse fechado.

“Para que o pagamento fosse efetuado sem deixar lastros, foi estruturado um esquema para que a propina passasse por diversas contas em nome de “laranjas” (empresas offshores sediadas em paraísos fiscais) antes de chegar nos destinatários finais e de ser convertido em bens”, diz o órgão.

CONSCIÊNCIA

“Investigações apontaram que Cláudia tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em montante superior a US$ 1 milhão num prazo de sete anos (2008 a 2014), valor totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido”, diz a Procuradoria.

Segundo os investigadores, quase todo o dinheiro da Köpek (99,7%) teve origem das contas Triumph SP, Netherton e Orion SP, que o Ministério Público atribui a Cunha.

“As contas de Eduardo Cunha escondidas no exterior eram utilizadas para, em segredo a fim de garantir sua impunidade, receber e movimentar propinas, produtos de crimes contra a administração pública praticados pelo deputado”, afirma a Procuradoria.

Cláudia Cruz fez compras de luxo no exterior com cartão de crédito vinculado à conta em nome da offshore. “Há evidências de que Eduardo Cunha e Cláudia Cruz se beneficiaram de recursos públicos que foram convertidos em bolsas de luxo, sapatos de grife e outros bens de uso privado”, dizem os procuradores da Lava Jato.

“Outra parte dos recursos foi destinada para despesas pessoais diversas da família de Cunha, entre elas o pagamento de empresas educacionais responsáveis pelos estudos dos filhos do deputado afastado, como a Malvern College (Inglaterra) e a IMG Academies LLP (Estados Unidos).”

A investigação aponta ainda que ela manteve depósitos não declarados superiores a US$ 100 mil entre os anos de 2009 e 2014, o que constituiria crime contra o sistema financeiro nacional.

OUTROS CITADOS

Moro também aceitou as denúncias contra o empresário português do ramo de petróleo Idalecio de Castro Rodrigues de Oliveira, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; o lobista João Augusto Rezende Henriques, que representava os interesses do PMDB, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; e o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada, por corrupção passiva.

A força-tarefa Lava Jato ainda pede nova prisão preventiva de João Augusto Rezende e a fixação de US$ 10 milhões (R$ 36 milhões) para reparação dos danos causados.

As investigações continuarão em relação a Daniele Ditz, filha de Eduardo Cunha, e a outros investigados, Jorge Reggiardo e Luis Pittaluga, que teriam atuado como operadores para abertura da conta Netherton.

Na terça-feira (7), Cunha pediu novamente ao STJ (Supremo Tribunal Federal) para remover de Moro as investigações envolvendo a mulher dele, Cláudia Cruz, e à filha, Danielle.

OUTRO LADO

O advogado de Cládia Cruz, Pierpaolo Bottini, afirmou que se manifestará após análise da decisão.

A defesa de Jorge Zelada afirmou à reportagem que desconhece o conteúdo das acusações e que, quando for intimada, apresentará seus argumentos para refutá-las.

A reportagem ainda não conseguiu contato com os demais citados.

Folha 

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