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COARI

Sem receber salários desde outubro, servidores põem fogo em casa de prefeito

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publicado em 23/01/2015 às 14h31

Cem policiais militares participaram de uma operação no município de Coari, no Amazonas, para assegurar a proteção do patrimônio público e de parte da população. O município está em situação de alerta, após a casa do prefeito Igson Monteiro e do irmão dele, o vereador Iliseu Monteiro (PMDB), terem sido atacadas por mais de três mil pessoas.

A casa do prefeito, que está no cargo interinamente, foi incendiada pelo grupo. A maioria dos revoltados é prestador de serviços e servidores municipais que alegam estar sem receber desde outubro do ano passado. Igson é o vice de Adail Pinheiro (PRP), que teve o mandato cassado pela Justiça no final de 2014. Igson não está no município e, por meio da assessoria, disse que não comentaria a situação.

A casa do irmão do vice-prefeito também foi depredada. Os manifestantes arremessaram eletrodomésticos na rua, como fogão e geladeira, e atearam fogo. O carro do vereador que estava em frente à residência também foi depredado.

A falta de pagamento dos servidores e prestadores está causando problemas na economia do município e atingindo famílias. Comerciantes e mototaxistas alegam que os serviços estão sendo prejudicados, como o transporte. A categoria tem apoiado as manifestações, que resultaram em ações de vandalismo.

A fúria da população também atingiu órgãos públicos do município, como a Câmara Municipal de Coari. Os manifestantes tentaram invadir a sede do poder legislativo municipal em protesto contra os vereadores da situação. Portas e janelas foram quebradas.

A Polícia Militar que atua no município reforçou a segurança na Câmara Municipal e na Prefeitura de Coari, mas o efetivo não é suficiente para conter a onda de quebra-quebra e roubos que ocorrem no município. Segundo moradores, ladrões estão aproveitando a situação para saquear lojas e residências. Alguns moradores tiveram as casas saqueadas.

Por três vezes, em 2014, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) pediu na Justiça a intervenção no município de Coari. Todas as vezes, o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas.

Adail Pinheiro (PRP) foi cassado pela Justiça após ser condenado por chefiar uma rede de favorecimento à prostituição. Adail também foi condenado pelo TJ-AM por descumprimento de ordem judicial. A pena é de um ano e dois meses em regime aberto, com pagamento da pena em serviços comunitários. Adail deixou de repassar o valor de R$ 4,8 milhões da prefeitura para a Câmara Municipal de Coari, em 2008.

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu cassar o mandado do prefeito afastado, Adail Pinheiro, e do vice Igson após as condenações. O segundo colocado, Raimundo Magalhães (PRB), deve tomar posse ainda este mês.

OGlobo

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