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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Vacina

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publicado em 19/12/2014 às 17h07

Ricardo Coutinho não dá mesmo murro em ponta de faca. A experiência política e os desafios vencidos lhe ensinaram a jogar, como ninguém, no tabuleiro, com uma frieza e uma capacidade de paralisar adversários e aliados. Ao anunciar enxugamento da máquina estadual, Ricardo foi perito nessa arte.

Seu gesto consegue, ao mesmo tempo, acenar positivamente para a opinião pública e, em segundo plano, se precaver da gula dos novos aliados, afoitos e sedentos pela divisão do bolo da vitória. Leia-se, ocupação de cargos e espaços nos escalões da gestão estadual.

Com a coletividade, Ricardo ganha ponto. A diminuição de gastos e o corte na gordura de uma máquina cara são sempre bem vistas pela população. A interpretação mais imediata é de medida de austeridade, atos reservados a gestores de coragem e de “peito” para enfrentar os desgastes em nome do interesse maior: o público.

Demonstra sintonia com a realidade futura de um ano de 2015 de dificuldades na economia e na realidade orçamentária do Brasil, contexto no qual a Paraíba se insere e deve também sentir na pele o ônus das contingências. Além do quê, a readequação tende na prática a redimensionar a máquina e otimizar serviços.

Em contrapartida, ao extinguir órgãos, diminuir o número de cargos na estrutura administrativa e fundir secretarias, o governador dá um cristalino recado aos aliados mais famintos. É como se dissesse para não esperarem tanto. Eles serão contemplados, mas de acordo com a nova realidade a ser posta na mesa.

Depois da exposição da reestruturação administrativa, Ricardo já conversará e escolherá indicados amparado num discurso de contenção, equilíbrio financeiro e de tempos de sacrifício. Por tabela, buscará compreensão para o momento de limitações em nome da governabilidade, do “projeto” e do espírito público.

Diante do contexto, entre aliados e partidos, quem será o primeiro a levantar a voz de eventual descontentamento, caso não seja contemplado na forma e na proporção almejada? Antes de anunciar nomes, Ricardo já vacinou o governo na reforma.

Limpando… – Para anotar. Quando houver efetivamente a reforma no secretariado do Governo, a palavra que vai prevalecer é remanejamento. Nomes e missões serão trocados.

Terreno – Ao que tudo indica, Ricardo deslocará figuras de menor expressão política, mas ocupantes de cargos relevantes. É uma forma de abrir espaço para novos aliados.

Distanciamento – Coordenador da bancada federal paraibana, o deputado Wilson Filho (PTB) reclamou da deficitária interlocução do governador Ricardo Coutinho com os deputados federais e senadores. Durante os quatro anos de mandato, Ricardo só se reuniu com a bancada duas vezes. “É muito pouco”, avaliou o parlamentar petebista.

Equipamento – O governador Ricardo Coutinho confirmou informação antecipada pela Coluna. O Estado fará um novo centro administrativo numa parceria público-privada.

Despesas – “Estamos gastando muito com imóveis. Estamos pensando e discutindo”, disse o socialista. A empresa responsável pelo projeto é a KPMG, de São Paulo.

Pedaço – Deputado da base de Dilma, Rômulo Gouveia quer ser voz ouvida e participação assegurada na distribuição dos espaços federais na Paraíba. Seu PSD terá um ministério.

Prato… – Os deputados Manoel Ludgério, Bruno Cunha Lima, Tovar Correia, Camila Toscano, Dinaldo Filho e Renato Gadelha voltaram a se encontrar ontem pela manhã.

…Do dia  – O grupo tomou café da manhã num hotel da orla da Capital para discutir a eleição da Mesa da Assembleia. Entre almoços e lanches, vão conseguir, no mínimo, engordar.

Vespeiro – É do vereador Renato Martins (PSB) projeto que obriga empresas de transporte coletivo da Capital disponibilizarem planilha de custos das passagens aos clientes nos ônibus.

Lá e lô – Assim como fez o presidente do TRE da Paraíba, Saulo Benevides, o presidente do TSE, Dias Tóffoli, avisou na diplomação de Dilma: “Não haverá terceiro turno”.

Maldade – Enquanto alguns deputados paraibanos relatam o mau tempo e chuvas torrenciais em Brasília, muitos brasileiros torcem por um dilúvio bem nos arredores do Congresso…

Pêndulo – A preço de hoje – como diria o brilhante Joelmir Beting – o prefeito de Santa Rita é Reginaldo Pereira, reempossado por decisão do TJ. Só Deus sabe por quanto tempo.

Pergunta-se  – Qual será o destino do Procon-PB. Falecido na prática há um bom tempo, o órgão – atrelado à Defensoria Pública, agora autônoma – sofre de acefalia legal.

PINGO QUENTE“Não é pequena a renúncia à vida pessoal que nos impõe a causa pública”. Do senador Cícero Lucena (PSDB), no discurso de despedida do Senado, ontem, falando nas horas de distância da família.

*Reprodução do Correio da Paraíba.

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